Em São Paulo, falta regularidade à coleta seletiva de lixo nos condomínios

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Pela lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, os condomínios, assim como qualquer outro consumidor e gerador de lixo, terá que fazer a separação e destinação correta de todo resíduo a partir de agosto de 2014. No município de São Paulo, o serviço público de limpeza urbana prevê a coleta seletiva parcial em 75 distritos da cidade, através do trabalho de duas concessionárias (para a retirada domiciliar), além de cooperativas que fazem a coleta, separação e destinação do lixo. Existem ainda pontos de coleta espalhados pela cidade. O serviço é gerenciado pela Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), que pretende inaugurar quatro novas centrais mecanizadas de triagem de recicláveis entre junho de 2014 e o final de 2016.

Até lá, o serviço deverá seguir com eficácia variável de acordo com o bairro e o tamanho do condomínio. A síndica Wandinei Migliacio, que participou no ano passado de amplo levantamento do Secovi em São Paulo sobre a coleta seletiva, diz que o serviço realizado pela Prefeitura “está funcionando muito bem” em seu condomínio, no Edifício Carlos Eduardo, localizado no Bosque da Saúde, zona Sul da Capital. “Inclusive eles têm ligado para saber se o caminhão tem passado nos horários previamente acordados”, ressalta Wandinei.

Já a síndica Silmara Nascimento Ruiz, do Condomínio Edifício Practical Way, de quase 300 unidades e localizado na Vila Leopoldina, zona Oeste da cidade, diz que o serviço não funciona neste empreendimento. Ela já conversou com o responsável pela cooperativa da região, que agendou a retirada, “mas não apareceu”. E de acordo com Silmara, “não basta retirar uma vez na semana, pois o condomínio produz muitos recicláveis diariamente e não tem onde guarda-los. Precisamos que seja pelo menos três vezes por semana”, diz.

Enquanto o serviço não atende ao seu condomínio, o jeito é improvisar. Com o apoio do pessoal da limpeza, Silmara providencia a separação de jornais e latinhas de alumínio. Cada pavimento das três torres do empreendimento possui coletores para separação de orgânicos e recicláveis, mas ao final, no dia da coleta regular, plástico, vidros, papéis e papelão acabam misturados ao restante, lamenta a síndica. No caso do jornal e do alumínio, ela reúne todo o material guardado em um determinado período, coloca em seu próprio carro e sai em busca de quem possa comprá-los. A verba obtida é destinada à compra do lanche dos funcionários.

Mas outra síndica da zona Oeste da cidade, Ângela Merici Grzybowski, afirma que tem contado com pelo menos uma coleta semanal por parte da Prefeitura. Seu condomínio, o Residencial Maresias, de Perdizes, possui um programa de reciclagem de papel, metal, plástico e vidro, material que é separado em quatro contêineres cedidos pelo município, onde “os moradores depositam o material já limpo e seco”. Afora isso, “recolhemos pilhas, lâmpadas, óleo e eletrônicos, mas esse material eu mesma levo a pontos diferentes: pilhas vão para agências bancárias e outros pontos próximos; lâmpadas para a Leroy Merlin; óleo vai para o Pão de Açúcar; e eletrônicos para o Shopping Santana”, explica Ângela. Ela também promove a coleta de roupas, sapatos e brinquedos que os condôminos não usam mais, e os leva a uma instituição sem fins lucrativos.

Com espaço próprio para guardar esses materiais, o Residencial Maresias recolhe ainda “móveis e eletrodomésticos que os moradores não tenham como se desfazer”. Assim, “quando o local de armazenamento está cheio, chamamos alguma entidade (Casas André Luiz, Exército da Salvação etc.) para fazer a retirada”, finaliza Ângela.  

Matéria complementar da edição - 186 de dez/2013 da Revista Direcional Condomínios