Modernização dos elevadores nos condomínios: Ganhos em desempenho e valorização imobiliária

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O projeto que envolve a modernização dos elevadores do Condomínio The Point é ousado, mas antes de prosseguir com a sua descrição, é preciso fazer um retrospecto: quando assumiu a gestão do edifício há sete anos, a síndica Rosa Braghin promoveu retrofit da cobertura do prédio, com impermeabilização da superfície, troca da piscina, modernização da churrasqueira e do solário. Localizado em Moema, parte nobre da zona Sul de São Paulo, o The Point tem 76 unidades de um dormitório, ocupadas em boa parte por profissionais liberais que vivem só. Eles têm como vizinhos modernos empreendimentos, e apostaram na atualização do edifício de mais de duas décadas visando a mantê-lo com padrão similar ao do entorno.

O lazer na cobertura tornou-se bastante frequentado, mas deixou alguns inconvenientes: ocupando a 20ª laje do prédio, a área somente pode ser acessada através das escadas. Os dois elevadores do edifício chegam apenas até o 19º andar. Sobrou problema para todo mundo, não apenas para quem tem que subir os lances de escadas com pesos e volumes para festas, por exemplo, mas para os moradores do 19º, que precisam conviver com toda essa movimentação no hall do andar.

Agora, voltando ao presente. Os elevadores teriam que passar, naturalmente, pela modernização mecânica, daí o pulo do gato: por que não os subir até o 20º andar?

APROVAÇÃO NO CONDOMÍNIO

Os elevadores do The Point haviam passado por reforma estética das cabinas recentemente. Mas as botoeiras permaneceram, as quebras tornaram- -se mais frequentes, com necessidade de troca de peças, e as máquinas continuaram a apresentar solavancos e degraus nas paradas, apesar da manutenção. Por isso, diz a síndica, em abril de 2015 o condomínio começou a se mobilizar através de uma comissão de moradores para estudar o assunto e a pesquisar empresas. Em agosto a modernização foi aprovada em assembleia, com aumento de parada, a um custo de R$ 215 mil para ambos os equipamentos, além de R$ 50 mil para a parte civil. “Havia 140 mil em caixa, dos quais foram utilizados R$ 100 mil, dos quais R$ 50 mil para a entrada”, afirma Rosa Braghin. O restante será pago através do rateio extra, que ficou em 62,00 por unidade/mês.

O condomínio se comprometeu a pagar 40% do valor total dos serviços para que a empresa escolhida começasse a entregar as peças. Isso ocorreu em fevereiro deste ano. A estimativa é que os trabalhos estejam concluídos em outubro próximo. “Há um momento em que precisa modernizar, até mesmo pela dificuldade de encontrar peças de reposição. As botoeiras, por exemplo, dão muitos problemas, depois de quinze anos elas perdem vitalidade. Além disso, sai o sistema eletromecânico antigo e entra o eletroeletrônico com inversor de frequência”, justifica Rosa Braghin.

ASPECTOS TÉCNICOS

O aumento da parada até a área de lazer demandará quebra da laje, afirma Antonio Luiz Caldeira, engenheiro de controle de automação, responsável pela parte civil do projeto. “Vai elevar 1,20 metro (a altura do último andar) e será feita a troca dos cabos de aço, deixando-os menor para que o contrapeso não bata na mola de segurança.” A obra civil acrescerá somente mais um 1,20 na altura do novo patamar, pois se aproveitará o vão onde existe uma porta de inspeção, abaixo da casa de máquinas, esclarece o engenheiro. Além disso, a modernização inclui:

- Troca e modernização do quadro de comando;

- Adequação elétrica do quadro de força do elevador;

- Troca das botoeiras;

- Readequação do sistema de iluminação do poço do elevador, atendendo às normas vigentes;

- Substituição das portas de abertura de eixo vertical por portas automáticas de abertura lateral em quatro pavimentos (nos dois subsolos, no térreo e na cobertura);

- Repaginação estética dos demais elementos que compõem a cabina. “Elas serão ‘gêmeas’, sem distinção entre social e serviço”, emenda Rosa.

BENEFÍCIOS PÓS-OBRA

O subsíndico do The Point, Roberto Ronnie, acredita que a modernização proporcionará valorização imobiliária e bem-estar aos moradores. São benefícios já sentidos em outro condomínio, o Edifício Sucre, administrado pela síndica Mila Fernandes Rocha. Ambos os elevadores do prédio foram modernizados no último ano, envolvendo a parte mecânica, eletrônica, os cabeamentos e as cabinas. “Os ganhos foram de segurança, desempenho e economia de energia”, afirma Mila. Segundo ela, até os cabos de aço, em geral sempre resistentes, estavam comprometidos no edifício de mais de 50 anos. Desde que assumiu o mandato no prédio, há duas gestões, a síndica definiu uma escala de prioridades em termos de modernização dos sistemas e instalações, incluindo os elevadores.

Matéria publicada na edição - 211 - abr/2016 da Revista Direcional Condomínios

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