Tratamento de piso no condomínio: a renovação da superfície como no original

Escrito por 

O prédio, erguido em 1956, é de grife: traz a assinatura do arquiteto João Artacho Jurado, profissional que fez história em São Paulo ao projetar edifícios residenciais caracterizados por uma mescla de estilos, com marquises em curva, paredes e pastilhas coloridas, janelões e jardins suspensos. Tem um nome simpático – Cinderela – e ocupa uma das esquinas mais valorizadas do bairro de Higienópolis, na área central da cidade. Por isso não poderia deixar de investir na recuperação do piso de sua cobertura, no 12º andar, uma entre as muitas riquezas exibidas pelo edifício.

Feito predominantemente com cacos de mármore, granilite e bordas em granito, o revestimento se encontrava opaco, danificado em alguns trechos por obras anteriores, apresentava cor homogênea e sem vida, descreve a síndica Maria das Graças Amaral de Mello. Dez dias após um serviço especializado, feito no começo deste ano, os técnicos conseguiram restituir o brilho original das pedras, realçando o valor da obra de Artacho Jurado.

A cobertura, que abriga salão de festas, solário e jardim, tornou-se ainda mais aprazível. “O resultado ficou tão bom, que resolvemos pesquisar e recuperar as cores originais das paredes”, realça a síndica. No piso, ela consegue hoje observar diferentes tonalidades da pigmentação do mármore, além de frisos dourados, os quais ganharam relevo mediante as paredes agora pintadas em cores fortes, contrastantes. Segundo o empresário do setor, Sílvio Roberto Fernandes, responsável pelo tratamento da cobertura, demais áreas do Cinderela também exibem revestimento de valor inestimável, como o hall social no térreo: “temos ali uma obra de arte, com mármore preto absoluto, originário da Itália, um artigo raro”.

Sílvio Roberto diz que os síndicos têm duas opções para tratar rochas como as do Cinderela: a primeira, mais rápida e menos custosa, prevê a aplicação de resina impermeabilizante, que ajuda a recompor o efeito do brilho; uma segunda técnica, adotada na cobertura do prédio, “mais demorada”, consegue resgatar o brilho original. De acordo com a síndica Maria das Graças, o processo envolveu diferentes etapas, iniciando pelo lixamento e retirada de resíduos, até que pudesse ser feito o polimento final. Ficou como novo.

 

MANUTENÇÃO ADEQUADA

A recuperação de pedras naturais é uma necessidade entre os condomínios, afirma Sílvio Roberto Fernandes, especialmente pela manutenção inadequada que, ao longo dos anos, danifica esse tipo de piso. “As pessoas utilizam produtos abrasivos, como cloro e água sanitária, de R$ 2,00, que deixam depois um prejuízo enorme”, observa. A miracema, por exemplo, pedra rústica que costuma pavimentar áreas externas, deve ser tratada com escova, movimento de fricção e produto adequado. “Com esse processo, conseguimos clarear a pedra, tirando manchas de óleo e gordura e aplicando uma resina impermeabilizante. O mesmo processo pode ser aplicado à pedra portuguesa”, esclarece.

Sem cuidado especializado, os condomínios têm visto o comprometimento até de pisos novos e tecnologicamente mais modernos, como o porcelanato, adverte Sílvio Roberto. “Falta informação técnica para a utilização dos produtos. É preciso que o síndico treine e oriente a equipe de limpeza. Não se pode, por exemplo, deixar um piso de molho com água sanitária. Os produtos devem ser neutros. Soluções à base de ácido agridem o porcelanato, que começa a ficar fosco e poroso, retendo sujeira. E quanto mais sujo, mais as pessoas utilizam produtos fortes, formando um círculo vicioso.” E para acentuar a preocupação dos síndicos, o empresário alerta que a recuperação do porcelanato acaba ficando mais onerosa que a de uma rocha natural. “Dependendo do grau de mancha, o processo se torna mais sofisticado.”

NOVAS RECUPERAÇÕES

Outro setor que acaba gerando bastante tratamento de piso é o das escadarias e halls de serviço, muitos deles com acabamento em granilite. É o caso do Cinderela, que ganhará adequação nos corrimãos antes da recuperação do piso no local. E como etapa posterior, a síndica Maria das Graças prevê também tratamento do mármore e granito do hall social. A gestora relata que começou a se interessar pelo assunto há cerca de dois anos, quando leu, na Direcional Condomínios, reportagem sobre o tratamento do piso granilite contratado pelo síndico José Máximo Pontes, nos Edifícios Atlas e Apolo. Ela diz que buscava um processo que não causasse sujeira nem poeira, o que conseguiu com empresa especializada no setor. Segundo Maria das Graças, o trabalho compensa e ajuda a valorizar o condomínio.

Matéria publicada na edição - 212 - mai/2016 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.