Entrevista: “Qualquer medida pontual gera ganho ambiental”

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O engenheiro civil Luiz Henrique Ferreira  atua com a certificação AQUA HQE, de origem francesa e voltada às construções sustentáveis. É também o idealizador da CASA AQUA, edificação sustentável que está em exposição na Casa Cor 2016, mostra que acontece em São Paulo, no Jockey Club (Avenida Lineu de Paula Machado, nº 775), até o dia 10 de julho. Em entrevista à Direcional Condomínios, Luiz Henrique defende o engajamento dos síndicos na bandeira da sustentabilidade.

Direcional – Como inserir doses diárias de sustentabilidade na cultura do condomínio?

Luiz H. Ferreira – As doses diárias poderiam ser desde afixar folhetos de conscientização ambiental no elevador até realizar grandes mobilizações, como criar workshops com palestras para moradores. Embora os prédios mais antigos possam apresentar limitações para aplicação das medidas de sustentabilidade, as ações devem partir da conscientização dos usuários/moradores e dos funcionários do condomínio.

Direcional – Quais as alternativas dos prédios mais antigos, sem previsão de infraestrutura?

Luiz H. Ferreira – Primeiramente, deve-se focar nas ações que requerem menores investimentos e intervenções para reformas. Por exemplo, para a coleta seletiva, adquirir lixeiras devidamente identificadas, para que o resíduo seja triado corretamente e depositado adequadamente. Outras ações, como campanhas de conscientização para redução do consumo d'água e de energia (com dicas como "feche a torneira ao escovar os dentes" ou "apague as luzes ao sair do cômodo") e aproveitamento da água do dreno do aparelho de ar condicionado não exigem grandes investimentos. Já a instalação de sistemas de aquecimento solar de água ou de aproveitamento de água de chuva, quando não há infraestrutura prevista, deve ser avaliada caso a caso, pois é necessário modificar as redes hidráulicas e muitas vezes o "quebra-quebra" é inevitável. Outro aspecto importante é a detecção de vazamentos, que é uma ação simples e que pode ser realizada por meio da leitura periódica dos hidrômetros e comparação com o histórico de consumos.

Direcional – Medidas pontuais são capazes de gerar ganhos ambientais?

Luiz H. Ferreira – Qualquer medida pontual, mesmo que em menor escala ou que mobilize uma pequena parte do condomínio, gera ganho ambiental. O sucesso das iniciativas e a adesão dos moradores dependem também da capacidade de incentivo da equipe operacional, ou até da motivação do síndico. Tudo o que for feito para reduzir o consumo de recursos naturais e o volume de resíduo gerado será válido para o meio ambiente, desde que não prejudique outros elementos, como o solo e o ar. Direcional – Qual o potencial de sustentabilidade dos prédios mais novos? Luiz H. Ferreira – Prédios residenciais recém-construídos, dependendo do padrão do empreendimento, estão sendo entregues com sistemas de aproveitamento de água de chuva, de reuso de água cinza, previsão ou o sistema instalado de aquecimento solar de água. No entanto, se não houver a operação e a manutenção adequadas, o investimento poderá ser em vão e não garantir redução de consumo conforme previsto em projeto.

Direcional – As reformas também causam impacto ambiental?

Luiz H. Ferreira – Os resíduos de obra representam a maior parte do lixo gerado nas cidades e, por isso, ao realizar grandes intervenções e reformas, recomendamos contratar serviços de caçamba licenciados pela prefeitura, destinar corretamente os resíduos da construção civil, utilizar materiais de qualidade comprovada, optar por produtos cuja fabricação consuma menos energia e dar preferência a madeira de reflorestamento com selo FSC.

Matéria publicada na edição - 213 - junho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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