Energia solar nos edifícios residenciais: Para aquecer a água ou alimentar rede elétrica

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Prédios novos, mesmo os residenciais, já têm sido entregues com sistema de aquecimento da água por energia solar. Lei em São Paulo impõe algumas obrigatoriedades. Além disso, Resolução da Aneel libera centrais térmicas de produção de energia nas edificações. Condomínios antigos podem se adaptar.

A cena já se faz presente em grandes cidades brasileiras: placas instaladas no topo ou áreas de piscinas dos edifícios residenciais voltadas a absorver o calor do sol e aquecer a água. Edifícios projetados após a edição de lei específica na cidade de São Paulo dispõem hoje de circuito fechado de água aquecida por energia solar, beneficiando todas as instalações, incluindo as unidades.

A Lei 14.459/2007, regulamentada pelo Decreto Municipal 49.148/2008, determina, entre outros, que edificações residenciais com projetos aprovados depois da edição desses dispositivos apresentem estrutura para aquecimento solar (prédios com até três banheiros por unidade) ou sejam entregues com o sistema em funcionamento (para unidades com quatro sanitários ou mais). Nesse caso, a fonte solar terá que responder por pelo menos 40% da água quente servida. De acordo com a engenheira Márcia Donato, mesmo que não obrigatórios, alguns edifícios têm sido construídos com a solução, como acontece com o Condomínio Irerê, um residencial de 64 unidades de um dormitório com suíte (40 m2 de área), recém-entregue no bairro da Saúde, zona Sul de São Paulo. Com expertise em hidráulica e especializada em sistemas de aquecimento, Márcia foi responsável pela execução do projeto. A engenheira destaca, porém, que edifícios mais antigos podem utilizar a tecnologia, seja, por exemplo, para aquecimento solar da água da piscina ou mesmo como fonte complementar para prédios abastecidos por "central de água quente a gás". "Esses podem otimizar o sistema, implantando coletores solares e reduzindo o consumo do gás", sugere a engenheira. No condomínio administrado pelo síndico Luís Buratto, o Maria de Lourdes Haddad, localizado na Chácara Inglesa, também zona Sul de São Paulo, os condôminos aprovaram a instalação de coletores solares para aquecimento da água da piscina, dentro de um projeto mais amplo de retrofit, em andamento, de toda área comum. Luís Buratto explica que a decisão do condomínio foi motivada por três fatores: a comodidade de ter água quente; o custo menor se comparado ao aquecimento a gás ou elétrico; e o ganho ambiental.

PRODUÇÃO DE ENERGIA

Outra possibilidade agora viável aos condomínios é a instalação de miniestações de geração de energia, com potência instalada até 75 kW, através do sistema fotovoltaico. Também dotado de placas, mas com tecnologia distinta do aquecimento solar da água, o fotovoltaico poderá abastecer a rede elétrica do próprio prédio ou até mesmo alimentar a rede pública, mecanismo pelo qual o condomínio seria compensado pela concessionária de energia (em geração compartilhada). Isso se tornou possível após a edição da Resolução Normativa 687/2015 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que entrou em vigor em março deste ano.

Segundo o engenheiro mecânico Diego Biaseto Bernhard, que atua na área, a Resolução da Aneel representa um divisor de águas ao segmento, ao permitir aos edifícios converter energia solar em elétrica, disponibilizando-a para a rede interna ou da distribuidora, nesse caso convertendo-a em crédito para a edificação. O projeto é tecnicamente viável a qualquer edificação que tenha boa insolação em sua cobertura, além do espaço físico necessário, observa Diego. De outro modo, ele destaca a viabilidade econômica dos projetos, já que há linhas de crédito abertas a esse segmento com custo menor, ao mesmo tempo em que os equipamentos tiveram seus preços reduzidos nos anos recentes.

Matéria publicada na edição - 213 - junho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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