Brises atenuam calor

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A fachada de frente do prédio tem face Oeste, sem quaisquer barreiras à vista, já que o Condomínio Edifício Monte Claro divisa uma zona com restrição construtiva, no Jardim Paulistano, área nobre de São Paulo. Isso lhe garantiu uma insolação plena, com direito a testemunhar cotidianamente o pôr do sol nos últimos 40 anos.

Porém, o aquecimento ambiental começou a render desconforto aos moradores, já que os cômodos de frente se transformaram em verdadeiras estufas nos dias de sol a pino. Tornou-se indispensável, assim, buscar uma solução para o problema, estudada por mais de uma década pelo condomínio. Até que, no final de 2015, os moradores das 20 unidades (uma por andar) começaram a usufruir do sombreamento proporcionado por brises importadas de alumínio, deslizantes sobre trilhos, caracterizadas pela transparência e instaladas em toda a extensão externa da fachada.

A estrutura foi implantada por meio de um retrofit de peso e custo elevado (R$ 1,1 milhão), que exigiu esforços e organização de igual monta, mas que hoje recebe aprovação dos condôminos e repercute na valorização dos imóveis, diz o síndico Arrigo Terni, presidente da Associação dos Amigos do Jardim Paulistano. Segundo ele, foram necessários dez anos até que o condomínio conseguisse levantar, através de rateio extra, 70% dos recursos necessários para contratar a obra.

"A ideia original era implantar terraços, mas não houve unanimidade. Posteriormente, colunas originalmente revestidas em alumínio começaram a dar problema, essas peças despencavam e uma delas chegou a atingir um caro estacionado. Como síndico, fiquei assustado e resolvi arrancar o alumínio, caso o condomínio não o aprovasse, pediria demissão. Com as colunas já 'descascadas', contratamos um escritório de arquitetura para desenvolver o projeto. Além da necessidade de revestir os pilares, teríamos que resolver o desconforto térmico dos apartamentos." Desta maneira surgiu a ideia de implantar as brises externas deslizantes, em um sistema que permite ao morador mantê-las recolhidas num trecho cego da fachada (sem janelas), caso queira ter a visão totalmente liberada do sombreamento.

Com os trabalhos finalizados, Arrigo Terni acrescenta que foi possível diminuir o uso de ar condicionado nos apartamentos. Mesmo assim, ele aproveitou a obra para instalar áreas técnicas em alumínio na fachada do fundo, para abrigar os aparelhos e proporcionar-lhe um visual mais harmônico. O engenheiro responsável pela execução do projeto, Paulo Maccaferri, diz que a intervenção tomou um ano e contou, antes da instalação das brises, com recuperação estrutural das superfícies: tratamento dos pilares e revestimento com placas cimentícias, reconstituição do emboço em alguns pontos, troca de revestimento cerâmico por pastilhas e introdução desses materiais em demais trechos, entre outros serviços. "O condomínio ganhou uma fachada de longa vida útil e baixa manutenção", resume o engenheiro.

Matéria publicada na edição - 213 - junho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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