Em Higienópolis, a busca da segurança e modernização

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Brasil Colônia, Brasil Império e Brasil República designam os três condomínios abrigados sob o empreendimento Tradição Brasileira, uma das heranças que o arquiteto e construtor João Artacho Jurado deixou à cidade de São Paulo, no bairro de Higienópolis, área central. Aqui, porém, sua empresa faliu e não finalizou a obra. Projetados nos anos 50, os condomínios foram concluídos por outra construtora e entregues somente em 1967, com 166 apartamentos de tamanhos variados, lojas no térreo e áreas de circulação unificadas.

O legado transformou-se em inconveniente e risco nas décadas recentes, principalmente nos últimos dez anos, quando estruturas das fachadas, dominadas por brises de amianto cinza (imensas venezianas deslizantes sobre trilhos), guarda-corpos nas sacadas e perfis decorativos começaram a despencar sobre o jardim. De acordo com a síndica Cristina Racco, do Edifício Brasil Colônia, houve forte resistência inicial de moradores contra iniciar as obras necessárias, consideradas radicais e caras, mas uma ordem de interdição da Prefeitura de São Paulo fez com que, finalmente, os trabalhos fossem contratados.

"Os prédios foram notificados em 22 de março de 2014 pela Prefeitura para retirar todos esses elementos, que apresentavam risco iminente de queda, no prazo de sete dias, sob pena de interdição. Negociou-se um prazo com o Município e fizemos o trabalho ainda em 2014. A empresa contratada retirou as brises de amianto, mas teve que recuperar (ao longo de 2015) muitas áreas da fachada preenchidas com amianto, incluindo os parapeitos das varandas", relata Cristina. O custo desta etapa foi alto, R$ 4 milhões, bancados por meio de rateio extra.

Para a sequência do retrofit, os três condomínios discutem no momento alternativas de acabamento às fachadas (projeto final será aprovado em assembleia), prevendo-se novas janelas, venezianas, caixilhos e demais elementos de volumetria, a serem bancados com novo rateio extra, em montante equivalente ao que foi gasto na primeira fase. Estão previstos pelo menos mais dois anos de obras, afirma Cristina Racco. Porém, síndica e condôminos respiram aliviados, por eliminarem os riscos e também estarem livres do amianto, material que exigiu descarte ambiental oneroso por parte do condomínio.

Matéria publicada na edição - 213 - junho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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