Fachada: Inspeção, medição & contratos

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Muitas fachadas, passados entre cinco a oito anos sem lavagem, pintura ou qualquer outro tipo de tratamento, pedem a olhos vistos urgência na intervenção. E para alguns moradores de um edifício nessas condições, a situação repercute em desconforto interno, com ocorrências de infiltrações, mofos e paredes descascadas, até prejuízos financeiros na perda do mobiliário. Para mudar o cenário, é preciso um trabalho acurado de identificação das patologias e medição, de forma que os contratos e serviços sejam mais precisos e garantam bom resultado final.

No Condomínio Edifício Heaven, na Vila Mariana, em São Paulo, prédio entregue há sete anos com revestimento em textura projetada, a medição que definiu os serviços de recuperação da fachada, em andamento, considerou até mesmo a quantidade de junções presentes nas pingadeiras das janelas, diz o engenheiro responsável pelos trabalhos, Paulo Sérgio Ramalho. No local, foram previstas intervenções como:

- Hidrojateamento, em alguns pontos com o uso de cloro;

- Recuperação de trincas, reboco e retexturização de alguns setores;

- Tratamento, com mastique de poliuretano, das junções das pingadeiras nos granitos instalados no parapeito de cada janela e varandas;

- Aplicação de fundo impermeabilizante na primeira demão da superfície, já na cor da fachada (cuja tonalidade é cuidadosamente definida de maneira a não dar diferença com a cor original);

- Aplicação da tinta látex acrílico premium, “de primeira linha”.

Paulo ressalva, porém, que cada tipo de superfície requer um revestimento diferente: “Aquelas com acabamento em massa acrílica muito lisa devem ser finalizadas com tinta elástica, pois esta evita microfissuras”. No caso do Edifício Heaven, a superfície é rústica e “absorve três vezes mais tinta que a parede lisa”.

MEDIÇÃO & ORÇAMENTOS

Todos esses detalhes, segundo Paulo Ramalho, devem compor a medição, a qual serve de base para o orçamento e o roteiro dos serviços a serem executados. A textura projetada, por exemplo, “favorece muito a deposição de sujeira”, o que implica em trabalho mais criterioso e, consequentemente, em um custo mais elevado que a recuperação e pintura de paredes com reboco liso. Não basta passar rolo e pincel, há necessidade de se preencher os vãos, com isso, gasta-se mais também com esses materiais e com o tempo estimado de trabalho. “Em tese, esse tipo de fachada deveria ser apenas lavada, mas como as pessoas demoram muito para fazer o hidrojateamento, não se consegue eliminar os acúmulos de sujeira e sinais de escorrimento apenas com a lavagem, mesmo com o uso de cloro.”

Desta forma, o orçamento do metro quadrado de uma obra varia conforme a natureza da superfície (mais oneroso na fachada rústica, portanto). “A medição é bem detalhada, feita por perímetro, considerando- se ainda todas as reentrâncias, o gradil das varandas, janelas (quando houver necessidade de pintura), a quantidade de elementos como granitos nos parapeitos, entre outros.” A atividade é cirúrgica, metódica, e apresenta viés preventivo, já que procura observar e combater eventuais falhas por onde a água venha a escorrer, carregando a fuligem e poeira e deixando rastros. Ou identifica patologias mais graves, como os pontos onde há necessidade de tratar as ferragens.

“O orçamento deve prever tudo o que precisará ser feito na fachada, incluindo quando há outras interferências, como paredes das garagens, as quais exigem novo escopo de serviços, às vezes a serem contratados junto a outro prestador”, completa o engenheiro. Nas fachadas em pastilha, deve ser estimada a área de reposição. A inspeção pode ser visual e completada por testes de percussão, diz.

RECOMPONDO PASTILHAS

A síndica Maria Celina Moura Pereira acompanha, no momento, os trabalhos de recuperação da fachada do prédio em que mora, em Perdizes, zona Oeste de São Paulo. Com 40 anos de construção e 21 unidades, duas por andar, o condomínio tem procurado seguir o script mínimo do tratamento e recuperação das pastilhas: hidrojateamento, percussão, reposição das pastilhas descoladas, tratamento de trincas e de ferragem exposta na altura do 7º para o 8º andar, além do rejuntamento. Advogada que assumiu o mandato em 2013, professora de inglês corporativo e hoje síndica profissional, Maria Celina conta que se chegou a discutir em assembleia a cobertura das pastilhas com pintura, “mas não houve unanimidade”. A fachada externa não era lavada havia oito anos, porém, a síndica ressalva que muros, área de lazer, garagens, paredes das escadarias e halls são pintados com frequência. “A fachada deveria ter sido lavada depois de cinco anos, como o serviço não foi feito, sentimos agora a diferença”, destaca.

Síndica profissional, Maria Celina M. Pereira acompanha cada etapa dos serviços de recuperação das pastilhas no condomínio em que reside

Matéria publicada na edição - 214 - julho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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