Inspeção na fachada ajuda a programar recuperação

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O Condomínio Edifício Iraúna ergue-se em duas torres em formato de “L” no bairro de Higienópolis, região nobre central de São Paulo, exibindo fachada com predomínio de pastilhas brancas, rosas e, no fundo, acinzentadas. Entregue em 1968 com 58 unidades de três a quatro dormitórios, o prédio vem passando por modernização das instalações. De acordo com o síndico Rodrigo Martins, a administração anterior à sua, época em que era conselheiro, decidiu, de comum acordo entre os gestores, contratar uma inspeção predial completa para estabelecer prioridades e definir um cronograma de ação.

Sob responsabilidade da engenheira civil Rejane Saute Berezovsky, também diretora do Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo), a inspeção serviu “como instrumento de planejamento”, afirma o síndico, no cargo desde 2015. Desde a inspeção o condomínio realizou inúmeras obras, como hidráulica, elétrica, elevadores, reforma das áreas comuns e jardins, segurança e fachada (incluindo halls de serviço, escadarias, garagem, gradil frontal e pintura do térreo).

Segundo a engenheira Rejane Saute, a fachada apresentava sinais de corrosão da armadura dos pilares e desplacamento das pastilhas (como consequência da corrosão). “Quando a armadura se expande, ela promove o rompimento e queda do revestimento ou a formação de bolhas que levam a isso, com riscos às pessoas”, observa Rejane. “Estávamos à mercê do risco”, ressalta Rodrigo Martins. Com o trabalho da inspeção, o prédio pôde ter claras não apenas as patologias presentes, quanto sua “criticidade” correspondente e a indicação das correções apropriadas. Posteriormente, foi realizada uma prospecção para estimar o perímetro de pastilhas a ser recomposto. A maioria delas foi recuperada pelo condomínio, com limpeza, tratamento e “repapelamento” (montagem de novas placas). Toda obra durou seis meses, foi acompanhada por engenheiro independente contratado pelo condomínio e custou R$ 250 mil.

A engenheira Rejane Saute destaca aos síndicos a necessidade de dar atenção às eventuais trincas, fissuras e fendas presentes na alvenaria e pilares. “Muitas vezes isso requer um trabalho de recuperação, que é diferente da simples pintura. São casos em que não adianta passar massa e pintar. Cada tipo de trinca indica uma patologia diferente. Há trincas, por exemplo, que demandam um trabalho de ‘grampeamento’ da viga lateral ou superior à alvenaria.” Serviços que, de acordo com o síndico Rodrigo Martins, devem ser executados “por profissionais reconhecidamente competentes e experientes”. “Não devemos ir pelo preço, o barato sai caro, é uma questão de segurança.”

Matéria publicada na edição - 214 - julho/2016 da Revista Direcional Condomínios

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