Verticalização desafia relações de vizinhança

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Autor de um pequeno guia lançado em 2010 - “Conheça Seu Vizinho” -, o publicitário, ambientalista e especialista em marketing social, Gilmar Altamirano, afirma que o processo de verticalização das grandes cidades tende, naturalmente, a isolar as pessoas.

Presidente da Associação Pompeia de Preservação Ambiental (APPA) e ex-síndico, Gilmar conduziu um projeto bem-sucedido de recuperação de 100 metros de calçadas do bairro da Pompeia, como parte de uma ação entre vizinhos.

Ele teve que vencer muitas resistência e desconfianças, alguns domicílios temiam ser prejudicados em vez de beneficiados, mas o passeio, antes tomado por degraus e desníveis diversos, acabou reformado dentro das normas de acessibilidade e, em alguns trechos, ganhou floreiras. O ambientalista defende que a sociedade comece a “romper essa barreira de cada um por si”, reforçada pelos muros da verticalização.

Para os síndicos, o especialista deixa duas principais dicas:

- É preciso conhecer e entender os moradores, identificar suas prioridades através de pesquisas;

- Feito isso, deve-se ter uma abordagem adequada para mostrar a relevância e os benefícios de algumas ações, mesmo que a percepção inicial em torno da questão seja insatisfatória. De outro modo, recomenda-se evitar decisões unilaterais ou medidas que as pessoas terão dificuldades em cumprir. “Não se pode definir em gabinete questões de um condomínio onde vivem mil pessoas!”. Há idades e expectativas variadas, é preciso encontrar um equilíbrio, formatar um “pacto social”.

Do ponto de vista externo, a aproximação da vizinhança pode começar pela melhoria das calçadas. “Muro alto não segura a violência, devemos mudar essa mentalidade e ocupar os espaços públicos. A calçada é um lugar de convivência, está nela uma de nossas primeiras medidas cidadãs, que é circular e resgatarmos a solidariedade e democracia de participação.”

 

Matéria publicada na edição - 218 - nov/16 da Revista Direcional Condomínios

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