As edificações e as perdas no processo de expansão da cidade de SP

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São Paulo possui um conjunto arquitetônico eclético, mas com predominância, nas construções dos anos 20 ao 60, do padrão europeu, aponta o designer de interiores e corretor de imóveis Matteo Gavazzi, italiano radicado no País.

Responsável pelo Projeto Prédios de São Paulo, o qual rendeu dois livros com imagens e histórias de 78 edificações da Capital, Matteo afirma que visitou cerca de mil condomínios residenciais e comerciais do centro expandido nos últimos seis anos, “alguns bem conservados, outros descaracterizados”. “Há pessoas que se preocupam com a proposta dos prédios”, observa.

Porém, em sua opinião, a cidade negligenciou o patrimônio ao valorizar o novo e seguir um movimento expansionista para outros polos, até esgotar as possibilidades de exploração dos terrenos. Precisa agora retornar às regiões mais centrais, restaurando o antigo e mantendo a “história, a elegância e a qualidade”, aponta Matteo.

Ele mantém escritório no 7º andar do Condomínio Edifício Palacete Gonzaga, instalado em 1927 na Rua Benjamin Constant, ao lado da Praça da Sé, mesmo pavimento em que está o síndico e advogado Roberto Ruggiero Junior. O Palacete abriga desde 1948 os negócios da família Ruggiero. As vantagens de permanecer no local são enumeradas assim pelo advogado: o condomínio está próximo dos principais cartórios, repartições públicas e órgãos do Judiciário; possui acesso fácil aos transportes públicos; e apresenta o conforto das construções antigas, como “pé direito mais alto”. Quanto à conservação, diz que é um prazer “trabalhar numa construção com tantos detalhes que não se fazem mais: paredes com mármore Carrara, piso de porcelana portuguesa, escadas com detalhes em madeira, forros trabalhados, portas de madeira maciça, entre outros”.

Segundo Ruggiero, a fachada e a volumetria do Palacete Gonzaga são tombados pelo Condephaat e Conpresp. A modernização está em curso: já foram reformados os elevadores, telhado e madeiramento; a obra elétrica (incluindo bombas) encontra-se em andamento; e está prevista a hidráulica. O síndico observa que “não há particularidades ou mesmo dificuldades em gerenciar um prédio tombado pelo patrimônio histórico”, exceto quando surge a necessidade de intervenções nos setores incluídos no processo. “Elas devem ser previamente autorizadas pelos órgãos de defesa do patrimônio histórico”, exigindo somente um pouco mais de tempo e dedicação.

Matéria publicada na edição de dez/jan 2017 da Revista Direcional Condomínios

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