Infiltração, impermeabilização e recuperação estrutural em um condomínio

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Saiba como o Edifício Garages, na Vila Buarque, área central de São Paulo (Capital), tratou dos problemas causados pela água que 'brotava' das paredes.

(Essa matéria é parte integrante da reportagem sobre impermeabilização que será veiculada na edição de fevereiro de 2017 da revista Direcional Condomínios.)

Texto e edição: Rosali Figueiredo
Apoio técnico: Eng. Civil Rejane S. Berezovsky (Foto abaixo/Por Rosali Figueiredo)

A recuperação do 2º subsolo do Edifício Garages foi executada em três principais etapas, conforme um programa apresentado pela engenheira civil Rejane Saute Berezovsky, diretora do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia). Responsável pelo trabalho de inspeção predial no local, a engenheira propôs à síndica Gloriana Demo a retirada do piso existente, serviços de drenagem da água que escorria pelas paredes e solo, tratamento das ferragens e alvenaria, impermeabilização e acabamento do piso e paredes do espaço. O contrato de trabalho foi executado durante quatro meses no ano de 2016, período que envolveu da negociação da obra à entrega do novo subsolo, conforme as etapas descritas a seguir (essas tomaram 90 dias de serviços).

Para lembrar, o Edifício Garages foi construído nos anos 50, com quatro níveis de garagens, dois deles no subsolo, e 127 vagas. Essa estrutura do prédio sustenta duas torres residenciais, independentes. Ali coexistem, no mesmo terreno, três condomínios e as infiltrações se agravaram ao longo do tempo, conforme a vizinhança recebia novos edifícios.

1 – FASE PRÉ-OBRA

Fotos do processo: Eng. Civil Rejane S. Berezovsky

Foto 1 - Detalhe das condições do subsolo já com o piso existente removido

O subsolo do Edifício Garages era insalubre e, por isso, gerava muitos transtornos aos usuários. Devido à presença de infiltração nas cortinas e piso decorrentes de um lençol freático muito próximo à superfície e minas d'água, a umidade associada ao gás carbônico levou à carbonatação do concreto, acarretando a deterioração desse material. Na imagem, detalhe das condições do subsolo já com o piso existente removido.

2 – SOLUÇÃO PROPOSTA E INÍCIO DOS TRABALHOS

Após a inspeção predial, foi sugerida a implantação de um sistema de drenos no piso e nas paredes. Removeu-se todo o revestimento antigo. Tubos drenantes envolvidos em manta Bidim foram interligados a calhas, as quais, por sua vez, se conectaram à caixa coletora de esgoto pluvial. Ao final desse processo, o solo foi coberto por uma manta plástica, com intuito de isolar o solo do novo piso de concreto. Por cima desta, foi instalada uma tela soldada nervurada e o piso de concreto recebeu as devidas juntas de dilatação.

Foto 2 - Processo de remoção do piso existente

 

Foto 3 - Detalhe da água aflorando no piso

 

Foto 4 - Detalhe da água aflorando na cortina

 

Foto 5 - Instalação de tubos drenantes envolvidos em manta Bidim e criação de caixas de passagem para inspeção

 

Foto 6 - Início do processo de recuperação da armadura comprometida dos pilares

 

Fotos 7 e 8 - Instalação de manta plástica e da tela soldada nervurada, e instalação de armadura de reforço no entorno do pilar

3 – ACABAMENTOS

As paredes foram revestidas com lambri de PVC e o piso em concreto foi sarrafeado, sendo feitas as juntas e dilatação e um tratamento final através do uso da acabadora de Concreto ou Alisadora de Concreto (bambolê), deixando uma aparência uniforme e lisa.

Foto 9 - Piso já executado

 

Foto 10 - Piso e lambri de PVC instalados

 

Foto 11 - Vista da área trabalhada – O lado esquerdo apresenta as paredes já lavadas, mas sem o acabamento. À direita é possível ver a solução final, com o lambri instalado

 

Foto 12 - Processo de recuperação da garagem concluído