Gestão do síndico, o que está por vir?

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A necessidade de conciliar a manutenção das instalações, pelo uso contínuo e o decurso da vida útil, com demandas da modernidade (como acessibilidade, segurança, serviços e sustentabilidade), impõe um novo perfil à gestão do condomínio.

Síndico profissional há 21 anos, atuando no momento em dez empreendimentos (residenciais e comerciais), Nilton Savieto diz que mudanças radicais marcam o período. Antes, a administração era “bem empírica, manual”. “Fazíamos tudo em cima de papel”, lembra. “Hoje, temos toda uma parte digital, com acesso fácil aos sistemas, ao planejamento, às prestações de contas, ao acompanhamento, incluindo a comunicação tanto com o conselho quanto o condômino”, analisa.

Também mudou o perfil dos condôminos, que se tornaram mais exigentes. “Embora ainda não seja grande, aumentou muito sua participação em relação ao que tínhamos há 20 anos; eles estão exigindo, querendo conhecer o condomínio e saber como está sendo gerido. Vimos ainda uma mudança radical na parte de funcionários: o porteiro hoje recebe treinamento, com ênfase em comunicação e segurança.” Além disso, o gerente predial vem consolidando sua presença nesses espaços, preparado para atender a procedimentos, assim como funcionários escalados nos horários de folga do primeiro. Diante de tamanha complexidade, a saída é apelar à comunicação (a exemplo de grupos de WhatsApp que reúnem conselheiros ou comissões) e “dar muita ênfase ao planejamento e à redução de custos com qualidade”, resume Savieto.

Assim, condomínios optam, cada vez mais, pela figura do síndico profissional, caso do Club Park Santana, empreendimento com quase 300 unidades residenciais e conceito de clube, localizado na zona Norte de São Paulo. O administrador e auditor Hélio Souza, que foi o síndico anterior, orgânico, justifica a troca, ocorrida no final do ano passado: “Em um condomínio como esse, com mil residentes, o síndico morador acaba se desgastando muito. Profissionalização é um movimento sem volta”, aponta.

Hélio ressalva, entretanto, que os condôminos devem tomar cuidado com “aventureiros”. “O candidato a síndico projeta um ganho mensal achando que é dinheiro fácil, mas não é. Ele precisa ter conhecimento financeiro, administrativo, jurídico, ser mediador, pois entendo o condomínio como empresa e esse gestor como um CEO (Chief Executive Officer) de uma empresa de pequeno e médio porte. Precisa ainda haver um corpo diretivo atuante e conhecedor, para conferir a execução orçamentária e ser partícipe na tomada de decisão”, finaliza o auditor.

Matéria publicada na edição - 220 de fev/2017 da Revista Direcional Condomínios

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