Zelador, o regente da vida operacional do seu prédio

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Personagem de uma efeméride exclusiva – em 11 de fevereiro se comemora o seu dia -, o zelador é um profissional de suma importância para o funcionamento diário do condomínio.

A Direcional rememora esse papel ao contar aqui a história dos zeladores Fernando Justino, Genivaldo, José Vagner, Clóvis e Wagner.

Aos 38 anos de idade e nove na função de zelador do Condomínio Top Village, em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo, Fernando Justino revela uma experiência de vida de quem poderia ter mais idade, pois já foi pedreiro (aos 19), motorista de lotação no Piauí, auxiliar de serviços gerais e porteiro. Casado, tem dois filhos, um deles cursando faculdade. Nascido próximo da Capital paulista, em Barueri, ele próprio só tem o 1º grau completo, mas planeja retomar os estudos, focar na área de edificações e abrir negócio próprio.

“O Fernando é um obstinado”, define a síndica Kelly Remonti. Também é aplicado: participou de cursos e capacitações sobre a NR 10 (Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho relativa às atividades com eletricidade), de atendimento ao idoso, de brigada e zeladoria. Demonstra ainda vontade de aprender, se desenvolver e colaborar, a ponto de ter participado da Comissão de Obras de Acessibilidade do condomínio.

A síndica, no entanto, lembra que logo no início de seu trabalho junto com o zelador, este “levou um choque”. “Fernando nunca havia trabalhado de forma organizada em um condomínio.” Profissional da área financeira, Kelly, ao assumir o Top Village, em 2011, introduziu no local uma visão de gestão planejada em termos de desafios, objetivos, funções, tarefas, procedimentos, comunicação e prazos, tudo documentado e reunido em planilhas. O empreendimento possui três torres e 156 apartamentos e se encontrava, na época, com as contas e a manutenção em desordem. “Fernando já era zelador e a primeira coisa que fizemos foi discutir a missão da zeladoria. Conversamos muito durante os três primeiros meses. Fiz um esboço da descrição do cargo, depois finalizamos juntos, inclusive para ter o acordo dele”, diz.

O Top Village passou a dispor, então, de um planejamento operacional para a área, o qual lista atividades e períodos de manutenções e reformas, além do calendário de eventos e campanhas. O planejamento está afixado na administração e é ajustado mensalmente pela síndica e o zelador. Além disso, é feita “uma avaliação pontual de cada trabalho”. “Desde o início disse a ele que trabalharíamos de forma proativa, porque havia muita manutenção a ser feita. Fernando evoluiu muito a partir de toda essa organização”, comenta a gestora.

“MÃO NA MASSA”

Para isso, contribuiu a própria dedicação do zelador. Fernando avalia que a programação do trabalho lhe deu “mais confiança” para tomar iniciativas e decisões que competem ao cargo. Observa também que o feedback e apoio da síndica lhe ajuda a desenvolver as atividades previstas no organograma. E não há mau tempo para ele, que executa desde tarefas relacionadas à atualização e leitura das planilhas de consumo de água e energia, às reformas em alvenaria nas instalações do condomínio, acompanhando aqui o funcionário da manutenção – literalmente, ambos colocam a “mão na massa”. Fernando responde ainda por uma agenda diária de tarefas que inclui, entre outros, inspeção no sistema de abastecimento de água do condomínio, orientação aos funcionários, zelo pelo cumprimento das normas internas, organização da documentação e cotação de serviços.

SALTO

“Quero preparar o Fernando para que assuma, futuramente, um cargo de gerente predial, pois ele está incorporando funções administrativas e quero que acompanhe os balancetes, participe de assembleias”, antecipa Kelly Remonti. Segundo ela, “um bom líder é aquele que incentiva o funcionário a ser melhor que ele; passo sempre desafios ao Fernando”. O zelador, por sua vez, diz que um bom profissional em sua área é aquele que tem iniciativa para “descobrir as coisas, buscar soluções, fazer cursos, exercer um trabalho imparcial”, ao mesmo tempo em que se mantém “discreto, solícito, prestativo e calmo”, especialmente no trato com moradores. Mobilizado por essas competências, e motivado por uma boa sintonia com o síndico, o zelador torna-se, assim, o personagem que garante ao condomínio o status de um bom lugar para se viver e trabalhar.

Matéria publicada na edição - 220 de fev/2017 da Revista Direcional Condomínios

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