Reservatórios d’água no condomínio: tratamento de infiltrações e limpeza

Escrito por 

Responsável civil e penalmente pelas ações do condomínio, o síndico acaba respondendo pela qualidade da água potável do prédio proveniente da rede pública, caso em seu sistema de armazenamento e/ou distribuição ocorra contaminação.

“A impermeabilização de reservatórios tem como função, além de manter a água dentro do tanque, garantir a potabilidade. Portanto, não pode haver contaminação de qualquer outra fonte como água do solo, fungos e bactérias ou do próprio impermeabilizante aplicado. Hoje, em São Paulo, os reservatórios dos novos edifícios devem ser construídos afastados do solo para evitar esse tipo de contato”, observa o engenheiro civil Claudio Neves Ourives (foto ao lado), especializado em patologia das construções e diretor de empresa fabricante de soluções para o setor.

Segundo ele, “todo reservatório de água com sistema de impermeabilização deve apresentar ensaios que comprovem que não alteram a potabilidade”. O especialista destaca que a ABNT NBR 12.170/2009, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, oferece um método de ensaio que permite verificar a qualidade da água “após o contato com o impermeabilizante”.

Além disso, “a água pode deteriorar as estruturas se penetrar no concreto”, especialmente com a ação do cloro, o qual torna o processo mais agressivo. “O elemento químico acelera a corrosão do aço estrutural do concreto armado do reservatório. É muito comum haver corrosão no teto dos reservatórios, onde há condensação da umidade com cloro. E, também, por conta da falta de impermeabilização. Isto ocorre quando o aplicador impermeabiliza até o nível em que a água tem contato com a parede de concreto, ‘esquecendo’ de proteger o teto.”

O engenheiro destaca que “a escolha adequada do sistema de impermeabilização é essencial para o bom desempenho do reservatório, sempre de acordo com a ABNT NBR 9575/2010 (Impermeabilização – Seleção e Projeto)”. “Há vários tipos de sistemas de impermeabilização do concreto como os aditivos de cristalização integral, cimento polimérico, cristalização integral por pintura, membranas elastoméricas de acrílico e poliuretano, entre outros. O projetista deve considerar que a aplicação do sistema é em área confinada, portanto, o material impermeabilizante não pode ter produtos voláteis como solventes e nem materiais comburentes. É preciso evitar sistemas que utilizem solda com maçarico em áreas confinadas. Muitos acidentes já ocorreram devido a esses fatores.”

Outros cuidados deverão ser tomados nos serviços de impermeabilização das caixas d’água, como preparar a superfície “antes da aplicação dos impermeabilizantes”, favorecendo “a estanqueidade do reservatório”; observar e tratar “falhas no concreto e ao redor das tubulações, fissuras e pontas de ferro”; e/ou, em caso de um dado sistema adotado não ter resultado eficiente, fazer reparos que selem os “vazamentos pelo lado externo sem esvaziar o reservatório, como as argamassas de cristalização integral e injeção de resinas de poliuretano”.

Por fim, ao contratar a limpeza das “caixas d’água”, o condomínio precisa evitar o uso de produtos de desinfecção à base de cloro, bem como procedimentos que resultem em abrasão da superfície (como esfregar paredes e tetos energicamente com vassouras). (Leia artigo completo do engenheiro sobre a impermeabilização dos reservatórios).

Matéria publicada na edição - 222 de abr/2017 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.