Especialista alerta síndicos para garantir qualidade, mesmo no reúso da drenagem ou água da chuva.

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Entrevista com o Eng. José Carlos de Moura Filho

O engenheiro José Carlos de Moura Filho atua desde 1999 com dosagem química em sistemas de tratamento de água potável ou efluentes, e com tratamento de água pura destinada à indústria farmacêutica (Para a produção de medicamentos, colírios etc.). Como especialista na área e condômino, ele alerta os síndicos para a necessidade de se providenciar análises de toda água de reúso que será captada, armazenada e distribuída pelos condomínios, mesmo que para fins não potáveis. Orienta ainda os gestores a comunicarem à Sabesp sobre o descarte desse efluente na rede, que precisa ser computado para a cobrança do esgoto. 
A seguir, a entrevista do engenheiro à revista Direcional Condomínios.

Direcional Condomínios No reaproveitamento da água pelos condomínios em São Paulo para fins não potáveis, quais os cuidados devem ser tomados?
José Carlos de Moura Filho Existem dois tipos de água que podem ser reaproveitados como água de reúso direto em condomínios:

  • Coleta de águas pluviais;
  • Águas cinzas oriundas de lavatórios, chuveiros e maquinas de lavar roupa.

Como não existe uma segregação das águas negras (esgoto) em relação às águas de lavatório e chuveiros, normalmente os condomínios residenciais têm possibilidade de reúso apenas da água pluvial e das máquinas de lavar roupa.

No caso da água da chuva, é importante que a coleta tenha os volumes iniciais descartados no início; deve-se somente armazená-la após um período, afim de desprezar possíveis contaminantes que estavam sob as áreas de coleta. Como normalmente se utiliza, para essa finalidade, o reservatório de retenção de águas pluviais que foi criado para outro fim, a “primeira” água de chuva não costuma ser descartada pelos condomínios, o que pode, por exemplo, estar levando para o reúso uma água com presença de coliformes das fezes de um pet.

O tanque de água pluvial também deverá ser um dos focos de controle no processo, pois precisa estar sempre fechado, evitando-se que entrem bichos por eventuais respiros, drenos etc. Outro ponto a observar é a formação de lodo no fundo. É preciso evitar que este material seja agitado e misturado novamente à água que será tratada. Uma verificação ou manutenção desta parte deverá ocorrer ao menos uma vez no ano.

E depois do tratamento, recomenda-se a sinalização clara da água de reuso, através de tubulações de cor diferente, plaquetas de identificação nos pontos de consumo, esclarecimento contínuo dos condôminos etc.       

Direcional Condomínios  Quais os parâmetros de qualidade da água devem ser seguidos?

José Carlos de Moura Filho –  As análises e os parâmetros vão depender do tipo de uso da água. Porém, como exemplo, para utilizá-la na rega de jardins e irrigação deve-se garantir ao menos os índices expressos na tabela abaixo.

Tabela – Parâmetros mínimos da qualidade da água a ser utilizada na irrigação dos jardins:

Direcional Condomínios Em um condomínio localizado no Morumbi, zona Sul de São Paulo, foi observada uma ligação do sistema de reúso (água do lençol freático) com a rede potável da Sabesp: Quais seriam as consequências dessa atitude para a saúde humana?

José Carlos de Moura Filho –  A água da Sabesp é potável. A água de reúso não é potável. Portanto, o risco na saúde humana da ingestão de uma água não potável vai desde doenças diarreicas, cólera, febre tifoide e hepatite A etc.

Matéria publicada na edição - 222 de abr/2017 da Revista Direcional Condomínios

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