Iluminação recria ambientes e potencializa investimentos. Um perfil da gestão da síndica Mari Ester Golin

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Designer de interiores e luminotécnica, a síndica Mari Ester Golin leva ao seu condomínio a experiência acumulada com a repaginação dos ambientes através da iluminação, conferindo um novo status a espaços como salões de festas e jardins.

O Condomínio Edifício Marina, prédio com 34 anos de idade localizado na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, está rejuvenescendo com as ações desenvolvidas pela síndica Mari Ester Golin. A designer de interiores, acostumada a repaginar os ambientes comuns das edificações, vem, desde 2015, finalmente conseguindo levar um pouco dessa experiência ao seu próprio residencial. E com um foco especial: A iluminação, sempre em LED.

Mari Ester é formada pela Escola Pan Americana e pelo Senac e possui cursos de cálculo luminotécnico. A especialista destaca que houve, nos últimos anos, grande mudança conceitual em relação à iluminação. “Antes olhávamos somente o potencial de iluminação de uma lâmpada, se era de 60 watts ou 100 watts. Hoje se observam quatro fatores: Potência em lúmens (LM), deixando o ambiente mais claro ou escuro; o consumo de energia (em watts); a temperatura de cor (K), variando do branco ao amarelo; e o facho de abertura (uma dicroica, por exemplo, tem angulação de 36º a 60º). E temos ainda o cálculo luminotécnico, feito para sabermos quantas lâmpadas serão utilizadas no ambiente, ponderando-se se dispõe ou não de luz natural e a quantidade de pessoas que poderá utilizar o lugar.”

RETROFIT COM APOIO DA LUZ

Por exemplo, nas obras recém-concluídas do salão de festas do Edifício Marina, Mari Ester implantou dez circuitos de iluminação, responsáveis por criarem ambiências distintas em um mesmo espaço físico. A segmentação vai ajudar também a otimizar o consumo de energia, pois se o salão for utilizado para um encontro mais íntimo, como um jantar entre amigos, nem todas as lâmpadas terão que ser acesas. A variação de tonalidade projetada pela luz é dada pela temperatura de cor (K). Lugares como o lavabo e a cozinha necessitam de uma iluminação mais branca, quente e precisa, por isso, suas lâmpadas possuem maior quantidade de k (cerca de 4.500). Já o espaço das mesas pede versões com 3 mil K, para se criar um clima mais confortável “para os olhos humanos”.

Assim, o salão de festas exibe espaços “demarcados” através de simples toques de disjuntores, entre eles: As áreas do bolo e do balcão de apoio para o serviço de mesa (com lâmpadas de maior potência, mais quentes e amarelas, de foco fechado sobre os enfeites, bolo e demais elementos); e o espaço para refeições ou conversas entre amigos, em uma ambiência menos iluminada e mais intimista. Cozinha, lavabo e banheiros (feminino e masculino) dispõem de circuitos independentes, com outra proposta. “A iluminação é 80% do projeto. A melhor solução ao síndico é investir nela, pois ele pode apagar o que é feio e acender o que é bonito”, compara Mari Ester.

A síndica estará completando neste próximo mês de julho o quarto mandato no Edifício Marina e já se prepara para o retrofit do hall social, que ainda está com o acabamento e a decoração originais, hoje incompatíveis com o salão de festas e a fachada externa. As obras de repaginação do condomínio começaram em 2015 com a fachada, antes em pastilha, agora texturizada. Os serviços foram concluídos em 2016, a um custo de R$ 120 mil. Depois veio o jardim, que circunda todo o perímetro do edifício, acompanhado pela luminotécnica externa. O salão de festas começou a ser trabalhado no começo deste ano, a um custo total de R$ 70 mil, incluindo trocas de revestimento, iluminação, hidráulica, elétrica, mobiliário, acessórios e decoração. Também houve investimentos na luz de emergência e demais instalações que compõem o sistema de prevenção e combate ao fogo.

Satisfeita com os resultados, Mari Ester diz receber apoio e aprovação de boa parte dos moradores das 72 unidades, mas reconhece que a empreita não é fácil. “Há pessoas que não querem ver nada ir para a frente, doei o projeto, o acompanhamento da obra, procurei reaproveitar tudo, e me deparo com queixas”, desabafa. É tempo então de se retomar o fôlego e concluir o rejuvenescimento do prédio.

Mari Ester na cozinha gourmet do salão de festas

 

ILUMINAÇÃO NOTURNA

Ao escolher adequadamente os tipos de luminárias, lâmpadas, bem como dar o seu posicionamento correto, o síndico consegue projetar uma nova paisagem noturna ao condomínio. No Edifício Marina, a síndica Mari Ester dividiu a área externa em diferentes setores: Vegetação, torre, laterais, piscina e áreas de acesso (portaria e garagens). Cada ambiente recebe uma solução distinta.

Nos corredores contíguos aos portões das garagens, foram instaladas luminárias tipo Halopin, embutidas nas paredes. Elas iluminam pouco mas têm boa resistência e, mais importante, direcionam seu foco para o caminho, “os pés”, afirma a especialista. “Essa é a função dela.” Na piscina, foram colocados balizadores, “que possuem um efeito estético, projetando feixes de luz”. Para iluminar o prédio, foi utilizada uma lâmpada que possui uma abertura que lembra a do holofote, a Ar 111. “Ela ilumina com mais precisão e atinge maior distância. Temos 18 andares, instalamos uma em cada face do prédio (laterais, frente e fundos).” Segundo Mari Ester, a mesma Ar 111 funciona bem na iluminação de vegetações altas e de copas abertas, respectivamente, palmeiras e o jasmim manga. Esta espécie ornamenta toda a frente do prédio e recebeu uma Ar 111, instalada no solo e com foco direcionado à sua copa, conferindo um bonito efeito estético.

Matéria publicada na edição - 223 de maio/2017 da Revista Direcional Condomínios

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