Roteiro básico do que o síndico pode encontrar em seu prédio

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Entrevista - Fachada: Kleber José B. Martins

O engenheiro civil Kleber José Berlando Martins, presidente da Aspejudi (Associação de Peritos Judiciais, Árbitros, Conciliadores e Mediadores de Minas Gerais) e membro efetivo do Ibape-MG, afirma que “os revestimentos de fachadas das edificações, além de possuírem um aspecto visual e estético agradável, são importantes na proteção das mesmas e também em proporcionar um bom desempenho dos sistemas de vedações (estanques à água), oferecer conforto e isolamento termoacústico, e abrigar a edificação contra o fogo, entre outros”. Kleber é especializado em Engenharia Diagnóstica, avaliações e perícias, construção civil e em segurança do trabalho, atua como síndico profissional e faz mestrado em construção civil.

O ideal, segundo ele, é que se realize, através de profissional habilitado, “um projeto de revestimento de fachada”, que “consiste no melhor caminho para evitar o aparecimento de manifestações patológicas”. “Os materiais a serem utilizados, as técnicas e métodos construtivos para execução e controle, posição e dimensionamento das juntas de assentamento, entre outros, devem ser observados por este profissional”, explica.

De qualquer maneira, com o tempo, os problemas acontecem, seja por deficiências no projeto, na manutenção ou pelos efeitos das intempéries e da movimentação das estruturas. Em entrevista a seguir, Kleber José aborda as principais manifestações patológicas que atingem as fachadas.

ESTRUTURA DAS FACHADAS

“Suas principais manifestações patológicas são:

- Descolamento das placas assentadas por meio da ruptura do reboco e emboço com a base (alvenaria). As mesmas, quando submetidas à percussão, apresentam som cavo;

- Deslocamento por empolamento pela formação de bolhas com a separação das camadas de reboco e emboço;

- Descolamento por pulverulência, ou seja, pela pressão manual (dos dedos), que provoca a desagregação ou esfarelamento da argamassa;

- Fissuras causadas por fatores intrínsecos relacionados à quantidade de água, cimentos e demais componentes usados no revestimento.”

O que fazer:

“Nas fachadas argamassadas deve-se verificar as condições de assentamento da própria argamassa, identificando a qualidade dos materiais empregados na execução deste revestimento.”

REVESTIMENTOS CERÂMICOS

“São definidos como o conjunto formado pelas placas cerâmicas, argamassa de assentamento e rejunte. Suas principais manifestações patológicas são:

- Destacamento ou deslocamento provocado por variações térmicas e perda de aderência das placas do substrato ou da argamassa colante;

- Eflorescências (manchas brancas na superfície) decorrentes de infiltrações ou de transporte de sais, presentes na argamassa ou nas placas cerâmicas;

- Trincas e fissuras. Elas acontecem devido à perda de aderência entre o revestimento cerâmico e a alvenaria, com o aparecimento de esforços mecânicos (tração, compressão, flexão etc.) não absorvidos pelas juntas. Fissuras são menores que 1mm e trincas superiores a 1mm;

- Deterioração das juntas com o envelhecimento do rejunte utilizado, má vedação e diminuição da estanqueidade do revestimento cerâmico.”

O que fazer:

“A troca de rejuntes e o teste de percussão do som oco nas placas assentadas são as melhores maneiras de se prevenir essas manifestações patológicas. O revestimento cerâmico é de grande importância para a durabilidade da alvenaria, além de criar uma proteção termoacústica, melhorando o conforto interno do ambiente revestido. Devese frisar também que, em relação aos demais revestimentos, é o que menos apresenta manifestações patológicas”.

PROBLEMAS NAS PINTURAS

“As principais manifestações patológicas que ocorrem nos revestimentos com pintura e variam ao longo do tempo são:

- Aparecimento de trincas pela movimentação natural da estrutura da edificação e da natural expansão do concreto;

- Aparecimento de bolhas pelo uso de massa corrida PVA em superfícies externas. As bolhas também podem surgir quando há uma repintura sobre uma tinta muito antiga ou de qualidade inferior;

- Eflorescências, ou seja, manchas que aparecem quando a tinta é aplicada diretamente sobre o reboco úmido ou por ação de infiltrações;

- Descascamento pela aplicação de tinta em superfícies pulverulentas ou que tiveram aplicação de cal, dificultando sua aderência na base;

- Enrugamento pela presença de excessiva quantidade de tinta em uma demão ou quando não é respeitado o tempo de secagem correto entre demãos;

- Descolamento pela repintura de superfícies, que devem estar em boas condições para receber novas demãos de tinta.”

O que fazer:

“Recomenda-se a lavagem da superfície com jato d’água, sem o uso de sabões ou detergentes, além da repintura, em periodicidade previamente determinada.”

CONCRETO APARENTE

“O concreto aparente também é utilizado em fachadas de edificações, sendo de custo baixo, grande durabilidade e de fácil manutenção.”

MANUTENÇÃO

“A manutenção das fachadas as levará a um maior tempo de vida útil, sem manifestações patológicas e agregará um maior valor econômico à edificação. Todos os procedimentos para a manutenção, conservação e periodicidade são constantes do manual de áreas comuns entregue ao síndico do imóvel.”

Matéria publicada na edição - 223 de maio/2017 da Revista Direcional Condomínios

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