Sou síndico e observo consumo de drogas entre vizinhos, e agora?

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O consumo de drogas dentro do condomínio não permite ao gestor ser displicente, é necessário saber agir rapidamente e com rigor.

Como medida preventiva, é importante investir sempre em palestras e campanhas de orientação, manter iluminadas as áreas mais afastadas, além da instalação de câmeras e da atuação de um funcionário da ronda.

Porém, mesmo com essas medidas, o síndico não está imune ao problema. Vivenciamos o caso de um locatário que usava drogas na sua unidade e na área comum, eventualmente até na frente de crianças. Era comum os funcionários da limpeza encontrarem bitucas e pinos pelo condomínio. O rapaz tinha distúrbios comportamentais, infringia regras, usava os espaços do condomínio de maneira inadequada, desrespeitando horários e funcionários. Reclamações de barulho das festas que promovia, com som acima do permitido, e cheiro desagradável vindo de sua unidade eram constantes. Além dos péssimos hábitos, ainda trazia amigos para compartilhar as festas.

A vida do condomínio virou um caos, um condômino vizinho chegou a se mudar do prédio.

Após exaustivos diálogos, sem sucesso, nós, como gestores do condomínio, passamos a notificá-lo e, consequentemente, a aplicar multas. Diante disso, o morador começou a fazer ameaças constantes ao zelador, subsíndico e síndico. Nos momentos das festas, que comprometiam o sossego da coletividade, chegarmos a acionar a polícia diversas vezes, sem sucesso, pois a mesma dizia que não podia entrar. Registramos também casos de furtos de objetos na área comum, mas sem possibilidade de comprovar sua autoria.

Este calvário já durava seis meses dentro do condomínio, quando em um sábado pela manhã, o mesmo, acompanhado de um amigo e sua esposa, roubou dois aparelhos de tevê da academia, agora sim com possibilidade de comprovação. Na manhã seguinte, no primeiro horário, ele saiu do condomínio e nunca mais voltou. Um boletim de ocorrência foi feito e as imagens entregues à polícia, mas até o momento, nada aconteceu.

Este fato nos mostra que o síndico e demais gestores do condomínio precisam da ajuda de órgãos e entidades públicas para resolver problemas relacionados às drogas. Há prédios que chegam a ser dominados pelo tráfico, o comércio de drogas acontece dentro e fora dos apartamentos, impossibilitando o convívio nas áreas comuns e colocando em risco a segurança de condôminos e funcionários. Isso atrai pessoas perigosas, muitas vezes armadas, ou que aproveitam a entrada no condomínio para identificar alvos para seus crimes.

De outro modo, sem ter poder de polícia, o gestor deve tratar o problema com discrição. Não é prudente que o síndico e/ou o segurança abordem o condômino, isto pode gerar processos judiciais e conflito internos maiores.

Uma sugestão bastante interessante é trabalhar com um antídoto, a socialização do ambiente do condomínio, incentivando o convívio, implantando feiras livres, promovendo festas com food trucks e demais eventos que envolvam a todos e, assim, criem laços de amizade e inibam a ação de traficantes e usuários.

Ações educativas e ambientais para crianças sempre são bem-vindas, assim como disponibilizar mensalmente um dia para ouvir os pequenos e os adolescentes. Com seriedade, coragem, envolvimento de todos os moradores e muito diálogo, o condomínio em questão se tornou um ambiente seguro e tranquilo, servindo inclusive de referência no bairro.

Leandro Vediner Leitão

Síndico profissional, é graduado em Análise Gerencial, com MBA em Marketing. Atua com administração condominial há dez anos. Foi gestor da área de atendimento e comercial em grandes administradoras.
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Rosi Lima

Síndica profissional, é graduada em Administração de Empresas, com especialização em segurança. Junto aos condomínios, desenvolve projetos, faz gerenciamento e análise de contratos de terceirização e atua na implantação de setores como portaria, limpeza e manutenção. Entre outros, atua junto ao grupo de síndicos do Secovi-SP e do Grupo de Mulheres Facilities.
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