Regularização do AVCB extrapola equipamentos e inclui demais instalações do prédio

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No script de recuperação do Edifício Fontana Di Trevi, o síndico Gerson Fernandes de Godoy considerou como “urgência urgentíssima” a regularização do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

Em curso desde o ano passado, as adaptações no sistema de prevenção e combate ao fogo do prédio de 27 anos tem exigido serviços em outras instalações, como na tubulação e abrigo do gás e na elétrica (mais especificamente no centro de medição, já concluído).

Também o para-raios, antigo, não apresenta funcionalidade alguma e terá que ser substituído. Quanto aos equipamentos propriamente ditos para rota de fuga e combate ao fogo, os corrimãos das escadarias internas serão trocados e a bomba de incêndio foi restaurada. Faltam ainda quatro extintores, substituir duas portas-corta fogo, comprar mangueiras e providenciar a sinalização. Somente depois de concluídas essas adequações, “faremos o projeto junto aos Bombeiros”, comenta Gerson, reconhecendo que virão, a partir daí, novas demandas por adequações.

E para conscientizar os moradores da premência do investimento, bancado por meio de rateio extra, Gerson produziu um comunicado explicando cada item que precisa ser regularizado para que o prédio se torne seguro, evite o “Comunique-se” do Corpo de Bombeiros e a perda da cobertura da apólice da seguradora.

Gerson está ciente de que o processo vai além de itens específicos, destaca a necessidade de se treinar a Brigada de Incêndio, de haver laudos para a elétrica e o gás, de a iluminação de emergência e o para-raios estarem operantes e até mesmo de fazer controle dos materiais utilizados no acabamento e revestimento das áreas comuns. À propósito, ele cita “a maior tragédia envolvendo fogo no Brasil”, o incêndio da Boate Kiss, ocorrido em 2013 no Rio Grande do Sul, com 242 vítimas fatais. “A falta de iluminação de emergência, de ventilação adequada, de extintores e a obstrução da rota de saída com certeza foram preponderantes para que tantas mortes ocorressem ao mesmo tempo. E uma situação dessas não é restrita a casas de show. Qualquer condomínio está sujeito a ter que lidar com um incêndio”, arremata o síndico.

LUZ DE EMERGÊNCIA PODE GERAR “COMUNIQUE-SE”

A aprovação das instalações de prevenção e combate ao fogo das edificações segue um roteiro bem detalhado, estabelecido pelo projeto do Corpo de Bombeiros e baseado em dezenas de Instruções Técnicas e normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Segundo o gestor da área de riscos, Carlos Alberto dos Santos, o sistema de luz de emergência é um dos itens que mais gera o “Comunique-se” (exigência de adequação) da corporação.

Ele destaca, por exemplo, a necessidade da manutenção dos blocos autônomos, hoje em LED, que devem ter sua descarga completada sempre que acionados numa emergência. “O zelador ou manutencista deve desligar o disjuntor que responde pelo circuito do bloco autônomo, para sua descarga total. Somente então ele deverá ser religado, para que se complete um novo ciclo de carga.” A iluminação de emergência é normatizada pela ABNT NBR 10.898/2013 e pela IT 18/2014, do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Matéria publicada na edição - 226 de agosto/2017 da Revista Direcional Condomínios

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