Gestão de conflitos com crianças e adolescentes: Com comunicação, “possibilidade de êxito é maior”

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O vandalismo em um condomínio representa “a manifestação de algum conflito latente”, observa a psicóloga Adriana Bandeira, coaching e especialista em desenvolvimento humano, com 20 anos de experiência na área e também em atendimento a adolescentes.

Adriana Bandeira, psicóloga e coaching: “O limite pressupõe compreensão do porquê das regras e atribuição de responsabilidades”

Isso não representa necessariamente um ato contra o condomínio, “mas sim a expressão de uma situação particular” da criança, jovem ou adolescente que o praticou, completa.

Prosseguindo nessa linha de raciocínio, Adriana afirma que essas faixas etárias “refletem muito o que veem em casa, especialmente com pais muito permissivos”. “O vandalismo é uma forma de se buscar limites, de testá-los.” A seguir, ela deixa algumas dicas aos gestores.

“O PAI PODE FAZER A DIFERENÇA”

1- A conversa com os pais é a primeira recomendação. Mas, para isso, ele precisa saber antes o que está acontecendo, observando se está diante de algo recorrente e se o ato foi isolado ou em grupo.

Outra possibilidade é procurar conversar em primeira mão com o adolescente, no sentido de buscar empatia, não julgar nem criticar, mas falar o que significa ser “parte integrante” da comunidade onde ele vive. “O limite pressupõe compreensão do porquê das regras e atribuição de responsabilidades.”

Adriana lembra que a adolescência é uma fase em que as manifestações “são muito intensas, seja pelas mudanças hormonais quanto pela necessidade de afirmação diante dos colegas”. Já com as crianças, o gestor deve falar diretamente aos pais, consciente que “não há outra dinâmica senão fazê-las respeitar as regras da casa, dos bons costumes, da higiene e do condomínio.”. “Quando o pai cede, ele perde o controle. De outro modo, ele pode fazer a diferença, se responsabilizar pelo cenário. Desta forma, o síndico deve chamar os pais para uma ação, eles são capazes e está sob sua alçada trabalhar a inserção do filho no condomínio.”

A especialista explica que o perfil da conversa deve mudar conforme a faixa etária envolvida com o vandalismo. Nesse sentido, ela destaca duas fases: “Dos 3 aos 7 anos, as diretrizes dos hábitos e comportamentos devem estar bem pontuadas. Dos 10 aos 13 há muita instabilidade emocional, com necessidade de se entrar um pouco no mundo deles a partir do diálogo. É um processo longo e trabalhoso.”

O quadro muda quando o síndico se depara com pais negligentes e/ou omissos.

2- Por isso, ele também deverá, paralelamente, manter o “gerenciamento da situação”, contando com o suporte das normas internas e do apoio jurídico. Isso o blindará contra eventuais tentativas de intimidações, pois ele “saberá qual o seu lugar, papel e os recursos que dispõe”;

3- Se o diálogo não estiver funcionando, o gestor poderá ainda recorrer a um profissional que faça a mediação; ou levar o caso à assembleia de condôminos (mas de forma propositiva, informando as medidas que têm sido adotadas); e, em último caso, se houver ameaças concretas, buscar os recursos externos (Como fazer Boletim de Ocorrência).

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

O desenvolvimento de competências como liderança e comunicação pode favorecer a performance dos gestores mediante os conflitos, observa Adriana Bandeira. “Por exemplo, quando entra a competência da comunicação, a possibilidade de êxito é maior.” É o caso da interlocução com o adolescente. “Se entrar pelo lado emocional, o síndico acabará se fragilizando e o outro ganhará força. Bater de frente com o adolescente é desperdício de energia. O síndico tem a responsabilidade de agir de forma racional e embasada, usando recursos que terão efeito, entre eles, buscar aliados. Além disso, a autoimagem de firmeza e assertividade típicas de um líder é o que ajudará os síndicos e os pais a crescer em seu papel, facilitando uma solução.”

Matéria publicada na edição - 228 - outubro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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