Luto no condomínio: momento pede serenidade ao gestor

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Um perfil de gestão de crise pela síndica Lurdes de Fátima Affonso Antonio

Síndica Lurdes de Fátima Affonso Antonio: Sensibilidade e humanidade diante de um momento doloroso para vizinhos e familiares

Advogada e gestora de seu prédio há 27 anos, Lurdes de Fátima Affonso Antonio já se deparou com o falecimento de muitos antigos moradores no Condomínio Edifício Vila de Vitória, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo. Esse é um lado doloroso da missão do gestor, que precisa, no entanto, manter serenidade e ajudar a tomar as providências necessárias em um momento de desespero familiar.

“Os síndicos procuram ajudar no máximo de suas possibilidades, com humanidade e sensibilidade. Precisamos dar o conforto para a família, ao mesmo tempo em que devemos agir com medidas práticas. Mas ver a morte muito próxima é algo chocante, porque não estamos preparados para lidar com ela. E mesmo não sendo de um familiar, é de um vizinho, de alguém de nosso convívio.”

A síndica Lurdes passou por duas situações distintas de luto em seu prédio, de 52 unidades. “Uma delas foi lidar com a perda de vizinhos, a maioria adoentada, que morreram em hospital. Outra foi defrontar-se com a morte dentro da unidade”, afirma. Para cada tipo de ocorrência, o condomínio tem adotado uma forma de agir. Para casos como a da primeira situação, síndica e funcionários prestam solidariedade, comunicam o acontecimento aos vizinhos e Lurdes participa dos funerais. Já mediante perdas no próprio condomínio, ele auxilia ainda os familiares, orientando-os a chamar o médico que já os atendia para que este dê o atesto de óbito, bem como sobre os preparativos para o funeral. Também deixa a portaria de sobreaviso quanto às pessoas que virão para acompanhar o traslado do corpo, entre outros. E se não houver um médico de família, aí será preciso acionar o Instituto Médico Legal, como aconteceu uma vez em seu prédio.

Uma terceira morte, a mais dramática com a qual um gestor pode se deparar, é aquela descoberta tardiamente de morador solitário, cujo falecimento demore dias a ser notado. Membro do Conselho de Síndicos do Secovi-SP, Lurdes de Fátima já ouviu relatos tristes acerca do assunto e respira aliviada por não ter passado pela experiência, mas diz que o condomínio adota alguns procedimentos mediante pessoas que vivem sozinhas para evitar esse tipo de surpresa.

“O síndico deve orientar os funcionários para que fiquem atentos à movimentação desses moradores e se comuniquem com eles caso fiquem um tempo sem ser vistos.” Agora, se em algum momento, o pior vier a acontecer, a primeira medida que um síndico deverá tomar será acionar a autoridade pública, defende Lurdes (Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar). De outro modo, “é primordial para o condomínio manter um cadastro atualizado de todos os moradores com telefones de emergência junto aos familiares”, diz Lurdes de Fátima. Não somente para situações de morte, quanto para acionar o socorro médico de urgência diante de acidentes (como queda no banheiro), acometimentos repentinos (AVC ou ataque cardíaco) e agravamento de doenças.

Lurdes conta o episódio de um morador que caiu durante o banho, sofreu sérios ferimentos, mas, ainda assim, conseguiu acionar a portaria para que providenciasse socorro médio. “Ele estava sozinho em casa e, se não tivesse conseguido abrir a porta, teríamos forçado a entrada na unidade, porém, chamando alguém como testemunha.” Os moradores que vivem sozinhos exigem uma atenção a mais do condomínio, reitera Lurdes de Fátima, lembrando que em seu prédio é feito até mesmo cadastro de cuidadores.

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Matéria publicada na edição - 229 - novembro-dezembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

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