Controle de pragas & Desentupimento: Prevenção no condomínio contra riscos e transtornos

Escrito por 

Uma temporada explosiva, que associa calor e chuvas excessivas, põe os condomínios em alerta para intensificar ações preventivas contra a proliferação de insetos (Aedes aegypti e cupins), aracnídeos (escorpiões), quirópteros (morcegos) e roedores, bem como contra os riscos de entupimentos.

O biólogo Francisco Andrade: “Acesso, abrigo, alimento e água” favorecem proliferação de pragas. Escorpião infesta prédios em busca de abrigo e alimento

A chegada do verão em breve, acompanhado por um período de chuvas mais intensas, aumenta as preocupações dos síndicos e condôminos com a infestação de pragas nas áreas comuns e unidades. De acordo com o biólogo Francisco Andrade, diretor técnico de uma empresa de controle de pragas, em geral a proliferação ocorre nos ambientes que oferecem “acesso, abrigo, alimento e água”, potencializada pelas condições climáticas desta estação do ano. “Por isso existe a necessidade do monitoramento constante e periódico, realizada por empresa licenciada pela Vigilância Sanitária, com responsável técnico”, afirma.

Além dos riscos à saúde gerado pelas pragas, há o perigo oferecido pela ação de empresas amadoras e despreparadas, observa, lembrando que o condomínio poderá, neste caso, ter duplo prejuízo: aquele causado, por exemplo, por pragas como cupins, e o dos serviços ineficientes, “já que pulverizações esparsas e aleatórias contra insetos voadores, a exemplo do mosquito da dengue, carecem de eficácia”. “O conhecimento técnico leva em consideração a biologia e o comportamento do bicho, uma vez que as estratégias de controle algumas vezes são diferentes e exigem formas específicas de trabalho para se ter sucesso.”

CUPINS

Paula Hara, presidente da Aprag: É impossível acabar com as pragas, o que exige a necessidade de um controle preventivo e periódico

Paula Hara, presidente da Aprag (Associação dos Controladores de Vetores e Pragas Urbanas), observa ainda que é impossível acabar com as pragas, o que exige a necessidade de um controle preventivo e periódico. É o caso dos cupins, insetos sociais organizados em castas (Rei, rainha, soldados e operários). Na primavera e verão, “os reprodutores (siriris ou aleluias) saem das colônias com o aumento da temperatura e das precipitações”. Estes são os períodos da revoada, que acontecem para expansão da colônia, portanto, próprio para um processo de desinsetização, orienta. O mercado oferece estratégias distintas para esse controle, como a aplicação de barreiras químicas (no subsolo para prédios ou ao redor das residências em condomínios horizontais) e/ou o sistema de combate às colônias por meio de iscas.

Segundo Paula Hara, o nome “cupim de concreto” é inadequado (o inseto não abala esse tipo de estrutura, mas causa sérios danos ao madeiramento, gesso e materiais à base de celulose). A presidente da Aprag alerta ainda síndicos e condôminos contra o “golpe do cupim”, prática oriunda de empresas sem qualificação, “que inicialmente orçam o tratamento sugerindo com preço irrisório por litro de produto e aplicam uma quantidade descontrolada de solução química nas unidades, induzindo a um custo final elevado”.

As empresas que atuam com controle de praga devem portar licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária, vinculadas a um Conselho Regional de classe e representadas por um responsável técnico (Biólogo, Engenheiro Agrônomo ou Florestal, Médico Veterinário, Químico, Engenheiro Químico, Farmacêutico ou demais profissionais habilitados pelo conselho).

DENGUE & ESCORPIÕES

Outra grande preocupação dos gestores recai sobre o combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor de doenças como a Zika, Dengue ou febre Chikungunya. Para seu combate, o síndico enfrenta, em geral, dois quadros distintos: (A) A presença do ovo em alguns pontos do condomínio, que eclodirá em contato com a água limpa da chuva, mesmo que ele esteja depositado no local há um ano; (B) A reprodução intensificada do mosquito. Também aqui, o mercado oferece diferentes estratégias de controle. Por exemplo, instalação de armadilhas para monitoramento, além de ações integradas de pulverização e termonebulização. Nada disso elimina, porém, a necessidade de um trabalho preventivo e contínuo no condomínio, evitando o acúmulo de água em recipientes, entulhos e plantas, além de reservatórios e cisternas destampados.

Por fim, a infestação de escorpiões vem tirando a tranquilidade de muitos condomínios de São Paulo. Ela se torna cada vez mais comum dada ao incremento das áreas construídas na cidade, afirma o biólogo Francisco Andrade. A cidade já tinha duas espécies endêmicas, presentes nos terrenos baldios, que agora invadem prédios em busca de abrigo e alimento, completa.

Francisco chama atenção dos síndicos quanto a dois mitos muitos perigosos criados em torno desses aracnídeos: O de que inexistem produtos químicos capazes de exterminá-los e de que hajam escorpiões inofensivos (“os pequenos”, segundo a crença popular). No primeiro caso, as soluções não têm se mostrado eficazes por falhas na aplicação, diz. No segundo, o mito se formou porque o escorpião jovem, pelo seu tamanho, tem uma capacidade menor de inoculação do veneno. “Para o seu efetivo combate, é preciso avaliar as condições ambientais do prédio, como a presença de entulho e/ou a condição perimetral que facilita sua vinda de áreas externas”, orienta o especialista.

CAMINHO LIVRE À ÁGUA & ESGOTO

Além da limpeza semestral obrigatória dos reservatórios d’água, os condomínios devem cuidar da profilaxia periódica das caixas de gordura, que ao longo do tempo formam placas nas paredes internas das tubulações, gerando entupimento. Isso, associado aos descartes inadequados nas privadas e ralos, representa uma das principais causas de obstruções na rede de esgoto. Saiba mais sobre o assunto em matéria no site da Direcional Condomínios, conforme orientação abaixo.

 

MORCEGOS PROCURAM ABRIGO EM BARRILETE

Condomínio gerenciado por Cristovão Luís Lopes sofreu infestação recente de morcegos no barrilete

O síndico profissional Cristovão Luís Lopes se deparou, neste ano, com a infestação de morcegos frugívoros nos barriletes de um dos condomínios que gerencia, no Alto de Pinheiros, região Oeste de São Paulo. Ele acionou o Centro de Controle de Zoonoses da Prefeitura, ligado à Secretaria Municipal da Saúde, comunicando sobre a presença de pelo menos 50 animais no local. Uma equipe esteve no condomínio para recolher amostras, identificá-los e deixar orientações de manejo, que vêm sendo cumpridas pelo gestor. Em outubro passado, quatro meses após a notificação, os animais tinham ido embora.

Eles são considerados silvestres e cumprem importante função para o controle de insetos, dispersão de sementes e polinização. Por isso, o síndico não pode determinar seu extermínio, sob pena de ser acusado de crime inafiançável, de acordo com a Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), mas sim promover o manejo. Apesar de os morcegos frugívoros parecerem inofensivos, o biólogo Francisco Andrade alerta que os resíduos de suas fezes, quando varridas, podem liberar fungos e contaminar funcionários, causando graves doenças respiratórias, como a histoplasmose. De outro modo, se os animais estiverem doentes, poderão transmitir raiva, pois é possível que mordam uma pessoa mesmo depois de abatidos. Desta forma, as ações deverão ser feitas sob orientação e com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).


Matéria publicada na edição - 229 - novembro-dezembro/2017 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.