Acidentes no condomínio: Prevenção aos riscos nas unidades e áreas comuns

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Usos e instalações inadequadas geram riscos contínuos nas áreas externas dos condomínios e apartamentos. A face mais visível e traumática disso está nas ocorrências frequentes de incêndios noticiadas pela mídia. Mas o perigo se encontra além e sempre muito próximo, de onde menos se espera!

A síndica Patrícia Branco luta contra o perigo da queda de galhos das árvores da vizinhança; acesso a parquinho está trancado com cadeado à espera de processo junto à Prefeitura

Uma áreade 43 mil metros quadrados abriga o Condomínio Parque Residencial Nossa Senhora do Sabará, em Santo Amaro, zona Sul de São Paulo, com seus 14 prédios, 756 unidades e cerca de três mil moradores. Dispondo de vários espaços ajardinados e de lazer, o condomínio teve, porém, que interditar um dos parquinhos, assim como um trecho do caminho até seu o centro comunitário, por riscos de queda de galhos das árvores da vizinhança. Síndica desde 2012, Patrícia Branco está batalhando junto à subprefeitura da região e aos proprietários dos imóveis a remoção desta vegetação.

Patrícia quer evitar qualquer ocorrência que possa ameaçar a integridade física de condôminos, trabalhadores e visitantes, assim como causar danos ao patrimônio. O condomínio tem procurado atuar em diferentes frentes de prevenção para minimizar o risco de acidentes, tanto em suas áreas externas quanto nas unidades. No momento, está promovendo adequações para obter o primeiro AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), como a troca do painel de madeira dos centros de medição de todos os prédios. “O grande entrave que os síndicos encontram para tirar o AVCB está na resistência dos próprios moradores, que acham que tudo é bobeira. É preciso muito tempo para o convencimento”, diz.

Quanto ao parque arbóreo, a síndica revela que já conseguiu autorização para remoção de 15 palmeiras dentro da área do residencial, pois elas haviam atingido os fios de alta tensão. “Demorou quatro anos para obtermos a autorização para o transplante e tivemos ainda que fazer a compensação ambiental”, explica. Já dos terrenos vizinhos, o problema maior está na queda frequente de galhos dos eucaliptos e, enquanto aguarda o aval oficial, o jeito foi manter fechado o acesso aos ambientes mais vulneráveis.

Com 39 funcionários próprios e administração com sistema de autogestão, a síndica está de olho também nos procedimentos e no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) pela sua equipe. “Para o pessoal da limpeza, fizemos uma parceria com um fornecedor para o seu treinamento”, acrescenta.

PERIGO DENTRO DE ‘CASA’

Em relação às unidades, o condomínio vivia a iminência de incêndios por causa da precariedade das instalações dos aquecedores de água a gás, implantados há 25 anos. Pouco tempo depois que assumiu a sindicância, Patrícia registrou três ocorrências em apartamentos, duas delas com o fogo controlado pelos próprios moradores e outro, mais sério, por um funcionário brigadista.

“Faltava manutenção nesses equipamentos, eles se encontram no final de sua vida útil”, pontua a síndica. “Temos feito desde então campanhas anuais para conscientizar os moradores da necessidade de realizar a manutenção a cada período. Para isso, contratamos uma empresa que fica durante uma semana aqui para revisar todos aquecedores, com valor previamente negociado, mas arcado pelas unidades.”

Segundo Patrícia, após essas medidas, as ocorrências zeraram no condomínio. A gestora destaca que uma tragédia ocorrida há quatro anos em Ferraz de Vasconcelos (na Região Metropolitana de São Paulo) serviu como sinal de alerta junto aos moradores. Na ocasião, uma mãe e quatro crianças morreram em apartamento por inalar monóxido de carbono de um aquecedor de água que usava um gás impróprio para o equipamento, o GLP no lugar do natural.

GÁS E ELÉTRICA: ATENÇÃO EM DOBRO

Síndico Wilson Meireles: Cuidados extras com o gás, que teve tubulações trocadas. Condomínio ainda providenciou sinalização, como placas para as áreas comuns e unidades

O síndico Wilson Meireles é bastante criterioso quanto à estrutura dos dois edifícios que compõem o Condomínio Conjunto Brasil Pitoresco, empreendimento construído em 1976, com 28 andares e 116 unidades, próximo ao Parque do Ibirapuera. No final do ano passado ele promoveu a troca da tubulação do gás em ferro das duas torres, pois já apresentava corrosão, por cobre, desde o ponto de entrada da rua até os medidores. Também sinalizou externa e internamente os pontos por onde passam as prumadas. Ou seja, a administração confeccionou placas para que cada unidade possa identificar os locais de prumada do gás, evitando furos indevidos durante as reformas. Antes, o condomínio já havia pago a substituição de todas as mangueiras internas e instalado duas chaves de segurança para o gás no trecho entre a rua e o abrigo dos relógios. “Tubulação de gás não pode ter remendo”, ilustra o síndico ao justificar todo seu cuidado. O Brasil Pitoresco conseguiu ainda renovar o AVCB no ano passado, depois de inúmeras adequações, incluindo retrofit elétrico.

TRAGÉDIA EVITADA

Para o administrador de condomínios Márcio Nogueira, além de atender às áreas comuns, o síndico deve ter um olhar voltado para a segurança das unidades, empreendendo campanhas de orientação aos moradores, principalmente quanto às instalações e uso dos equipamentos. Por exemplo, um dos condomínios de sua carteira, localizado em Moema, registrou recentemente incêndio num apartamento, provocado pelo excesso de aparelhos conectados a uma tomada.

Outros dois casos de fogo atingiram um mesmo residencial na Bela Vista, o Center Tower. Em um deles houve uma explosão, quando um casal de moradores estava utilizando produto para impermeabilização do sofá. Segundo Nogueira, as consequências não foram mais drásticas “porque todos os equipamentos de combate a incêndio estavam funcionando e a Brigada deu pronto atendimento, evacuando o prédio e acionando o socorro para as vítimas”. O casal passou por longo período de internação hospitalar e a unidade ficou destruída. “É fundamental o prédio ter o AVCB em dia, com os extintores e mangueiras em ordem, mas, de outro lado, o condomínio também deve orientar o morador”, recomenda Nogueira.

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Matéria publicada na edição - 230 - janeiro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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