Virtudes e ações que favorecem a construção de um ambiente Ético no condomínio

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A Ética, mais do que um conjunto de valores, expressa um modo de vida em consonância com o bem e a dignidade. A Direcional Condomínios entrevistou síndicos e especialistas para destacar o que eles consideram relevantes à mobilização de um ambiente favorável à tolerância, à participação, ao respeito entre os indivíduos e à coletividade.

Confira a seguir recortes dados pelos advogados Cristiano De Souza Oliveira e Michel Rosenthal Wagner, a coaching Claudia Ribeiro Martins e as síndicas Glaucia La Regina e Kelly Remonti.

Cristiano De Souza Oliveira - Sobre a liderança e a representatividade

Cristiano De Souza Oliveira

(Advogado, mediador palestrante. Foto por Paulo Mujano)
"Assim como em todas as atividades que possuam uma representatividade de liderança, obter valores simples de viver pela verdade, pelo respeito e pela consciência coletiva pode auxiliar a administração condominial. Por exemplo, isto contribui para um ambiente favorável, que aliado a uma postura integrativa, respeitando o ser integrante do condomínio que a escolheu [a liderança] para representá-lo e administrá-lo, ainda que externo [caso do síndico profissional], faz com que as desenvolturas da gestão condominial cheguem à coletividade, tranquilizando-a e assegurando um privilegiado ambiente simbiótico onde não se identificam vários, mas apenas um interesse e bem comum."

Michel Rosenthal Wagner – O exercício da escuta e da interlocução

Michel Rosenthal Wagner

(Advogado, palestrante e mediador de conflitos coletivos em condomínios. Foto por Rosali Figueiredo)

"Cada condomínio representa um sistema em função do perfil das pessoas que o integram e o administram. Cada condomínio tem o ambiente que constrói. Se as regras não estão boas, vamos fazer uma pesquisa interna, observar as necessidades e desejos das pessoas, levantar, propor e discutir mudanças. Os gestores têm muita responsabilidade, com menos discurso e mais ação. Devem perceber a realidade sistêmica e trabalhar para mudá-la se houver necessidade. E isso se faz com a escuta, repito, escuta não só das necessidades quanto dos desejos. O cidadão ético e transparente é aquele que ouve mais do que fala. E se um desejo não for pertinente, o gestor deverá saber expressar isso, conversar e dialogar para obter uma clareza. Parece óbvio, mas o diálogo bem conduzido faz diferença."

Claudia Ribeiro Martins – "O norte para o bom convívio"

(Jornalista, coaching e palestrante. Tem formação em Psicanálise pelo Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo. É Professora da SBPNL em Liderança, Vendas em PNLe Comunicação; foto por Rosali Figueiredo)

"A Psicanálise olha o sujeito como único. Um ser formado por suas experiências subjetivas, portanto, sem juízo de valor. Independentemente deste não julgamento, vivemos em sociedade e o pano de fundo da ética e da moral que são atravessadas pela cultura de um País nos traz o norte para o bom convívio. No Brasil, até mesmo por todo contexto histórico da nossa colonização, deixamos muito a desejar quando o assunto é ética se comparado a outros países do mundo. Muitas vezes nos pegamos dizendo 'é só desta vez', ou 'é para meus filhos' e, ainda, 'se ninguém souber'... São falas que protegem o que é egóico [individualista] e desprezam o coletivo ou o que é bom para o sistema. Um dos caminhos que considero para se tomar uma atitude ética está em fazer algumas perguntas na hora de uma decisão: Isso é bom para mim? Isso é bom para uma única outra pessoa? Isso é bom para o sistema? A decisão ecológica caminha de mãos dadas com a ética."

Síndica Glaucia La Regina – Tolerância, "verdadeira semente da paz"

(Síndica profissional e advogada, Glaucia La Regina atua como voluntária da Na'Amat Pioneiras São Paulo, Organização Não Governamental tocada por mulheres e fundada em 1921; foto por Rosali Figueiredo)

"Muito já se falou e tem sido dito, em especial ultimamente, sobre valores, posturas e ética. O problema é que tem se falado muito, mas, infelizmente, na prática, se faz muito pouco. Estive em Israel recentemente conhecendo o trabalho desenvolvido pela Na'amat Pioneiras, entidade voltada ao auxílio, apoio e desenvolvimento pessoal e profissional de mulheres, crianças e adolescentes, da qual faço parte aqui no Brasil. O intuito é aprendermos e agregarmos valores. Mas quais os valores e posturas devemos ter para criar um ambiente propício ao comportamento ético nas relações entre as pessoas e na gestão do patrimônio e interesses coletivos?

Cada creche, escola e centro que visitamos na visita a Israel me impactaram bastante. Observei um trabalho de excelência, tendo por base valores e posturas éticas. As creches (públicas) e as crianças são extremamente bem cuidadas em todos os aspectos, em cada detalhe. Em uma delas, pude ver crianças judias, muçulmanas e cristãs, de 2 a 5 anos, que convivem em perfeita harmonia, conhecem as tradições, canções, comidas, modos e costumes uns dos outros, comemoram todas as festas, entendendo seus significados e acabam aprendendo a respeitar-se mutuamente.

São ensinados hebraico e árabe. O corpo docente é constituído 50% por judias e 50% de árabes.

Verdadeiras sementes da paz: crianças que convivem tão intimamente certamente se tornarão adultos que deixarão de ver 'os outros' com receio, medo e até como inimigos, mesmo porque, os próprios pais que levam seus filhos até lá já acreditam na convivência possível, enriquecedora e pacífica, tanto que nascem vínculos de amizade entre essas famílias, que, assim como as crianças, passam a frequentar as casas dos novos amigos.

Outro centro maravilhoso que emocionou todo o nosso grupo, foi o de acolhimento, tratamento, recuperação física, psicológica e inserção na sociedade das mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, aberto a todas sem distinção, quaisquer sejam suas origens e crenças. Conhecemos histórias terríveis de mulheres e crianças sofridas, amparadas nesse centro cujo local e identidade de todos é mantido em absoluto segredo, mas ao mesmo tempo, vislumbramos e testemunhamos muito mais do que esperanças, possibilidades concretas de recuperação e de um recomeço digno. Viva a ética e os valores sobejamente concretizados!"

Síndica Kelly Remonti – Programa da Boa Vizinhança

Kelly Remonti

(Administradora de empresas, consultora financeira/administrativa e síndica em 4ª gestão do Condomínio Top Village, localizado em Alphaville, Região Metropolitana de São Paulo. Foto por Rosali Figueiredo)

"No Condomínio Top Village temos realizado eventos coletivos entre os moradores, como a festa do Natal no final de 2017 e um pré-Carnaval neste ano. Há uma agenda já prevista para os próximos meses. Entre os funcionários, temos mantido há anos um treinamento junto ao Programa Porteiro Amigo do Idoso, do Grupo Bradesco Seguros. E decidimos criar um grupo fechado de WhatsApp no condomínio, um canal para troca de informações e serviços, colaborativo e com regras, como a de se evitar reclamações, injúria e termos pejorativos. 40% do condomínio aderiu e quem fere as regras acaba se desculpando ou desligado. Na verdade, temos um Plano de Gestão aprovado em outubro de 2017 em que um dos objetivos é melhorar o convívio e aumentar o grau de participação dos moradores nos eventos. Para isso criamos uma comissão própria, pois acreditamos que esses encontros representam uma oportunidade para que as pessoas se conheçam e melhorem suas relações. O síndico tem a responsabilidade de mobilizar essas ações no condomínio, buscando principalmente o respeito mútuo entre as pessoas."


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