Problemas de elétrica nas edificações geram corrida contra o tempo

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Circulares encaminhadas sistematicamente aos moradores indicam a urgência que a síndica Eliane Bezerra Martins sente para dar andamento aos trabalhos de retrofit elétrico no Condomínio Edifício Tropical, um residencial de 93 apartamentos construído em 1963, na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo. Ali, os serviços têm sido contratados por etapa, por limitação orçamentária. Mas eles não podem esperar. E a síndica procurar alertar a todos moradores para que evitem usar aparelhos simultaneamente enquanto o sistema não estiver modernizado. Gestora desde 2014, Eliane vem “apagando incêndios” desde então.

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A síndica Eliane Bezerra teve que iniciar um retrofit elétrico pelas prumadas do prédio, pois elas apresentavam risco maior. Etapa está em fase de conclusão

 

O primeiro deles foi uma ação emergencial junto ao centro de medição, que possuía disjuntores instalados pelos próprios moradores bem acima da capacidade do prédio, que é de 30 a 32 ampères por unidade. “Encontrei aqui disjuntores de até 100 ampères, instalados ao longo do tempo, pois todos tinham acesso ao centro de medição”, revela Eliane.

O condomínio não comporta nada além disso, afirma. Com projeto aprovado junto à concessionária de energia para o aumento de carga, a síndica teve que começar o retrofit propriamente dito pelas prumadas e não pelo centro de medição, o que é mais comum nesse tipo de intervenção.

Ela explica que os conduítes originais do edifício não comportavam qualquer tipo de cabo acessório, sequer para trocas. De tão ressecados e emendados, os fios seccionavam, interrompendo a distribuição de energia para algumas unidades. Em duas delas, foi necessário fazer instalações provisórias pelo lado externo da fachada, para que os moradores não ficassem no escuro. E, como agravante, a bitola de 10mm desses fios limitava a potência a 30 ou 32 ampères. Agora, com o retrofit, os novos cabos estão adequados ao projeto de aumento de carga e passam pelo duto desativado da lixeira. Todas as unidades tiveram a fiação trocada até a entrada do quadro interno de disjuntores. Novas eletrocalhas colocadas rente ao teto dos halls completam o sistema, já que a prumada anterior foi desativada.

Mesmo com a nova fiação, Eliane continua orientando os moradores a tomarem cuidado em seus imóveis, até que haja a adequação do centro de medição, próxima etapa dos trabalhos.

AR CONDICIONADO

Outro problema com sentido de urgência que os prédios vêm enfrentando, especialmente os mais antigos, está no uso irregular de aparelhos de ar condicionado. A síndica profissional Luciana de Souza Campos tem recorrido a laudos técnicos para avaliar a potência instalada frente à demanda gerada pelos equipamentos. A ideia é observar se há sobra ou não de energia em função do consumo e da capacidade, se existe risco, além de orientar regulamentação futura.

Em um dos condomínios que administra, muitos apartamentos já dispõem de aparelhos na face externa da fachada. “Mas o prédio não tem capacidade para atender a todas as unidades. Demos entrada em projeto para aumento de carga junto à concessionária para podermos dimensionar esse acréscimo e saber o que será preciso fazer de adequação.”

O engenheiro de perícias Ayrton Barros chama atenção para o fato de que os aparelhos de ar condicionado são de funcionamento contínuo, diferente de um secador ou torneira elétrica. Segundo ele, o gestor precisa buscar um equilíbrio de carga em função das condições de instalação do prédio e do consumo.


Matéria publicada na edição - 232 - março/2018 da Revista Direcional Condomínios

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