Controle de qualidade de obras, um desafio também para os síndicos

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Para ser competitivo, no mercado atual, deve-se apresentar serviços de qualidade e tratar, com a mesma qualidade, o pós-venda, até o término do período legal de garantia do bem, que é de cinco anos após a sua entrega pela construtora. Mas o controle de qualidade de obras em condomínios também é um desafio para os síndicos, que são os responsáveis pelo bom funcionamento dos imóveis em questão.

O tema "qualidade" na construção civil é polêmico e delicado. Trata-se, atualmente, de um desafio, pelo qual as empresas e profissionais do ramo se dedicam de forma ostensiva e incansável, pois a exigência do mercado, da normatização e legislação atualmente vigentes é rígida, tratada como um diferencial competitivo, servindo de parâmetro de escolha na compra do imóvel, definindo quem permanece e quem sai do mercado, conforme os padrões de qualidade apresentados nas obras. Ou seja, para ser competitivo, no mercado atual, deve-se apresentar serviços de qualidade e tratar, com a mesma qualidade, o pós-venda, até o término do período legal de garantia do bem, que é de cinco anos após a sua entrega pela construtora.

Trata-se de matéria de difícil controle. Historicamente, a mão de obra da construção civil é ruim, pouco especializada, contando com profissionais pouco capacitados e, geralmente, sem instrução, pouco comprometidos com a qualidade dos serviços prestados. Esse panorama tem se alterado com o tempo e com a demanda, sendo evidente, nos dias atuais, uma maior especialização da mão de obra e, consequentemente, maiores salários, também em consequência, maiores custos, custos estes que devem ser minuciosamente controlados pelas empresas do setor. Portanto, o aumento da qualidade implica diretamente no aumento dos custos da obra, o que cria um grande desafio na gestão da construção civil atual, que deve gerenciar esta especialização com reflexo na qualidade, nas novas técnicas e exigências legais e do mercado, bem como nos valores envolvidos nos serviços prestados e na manutenção de sua competitividade no setor. Ou seja, um grande desafio para toda a cadeia produtiva.

Na prática, durante 20 anos de experiência na prestação de serviços em perícias de engenharia e consultorias na área da construção civil e de projetos, pudemos observar a busca constante da qualidade nos diversos aspectos da construção, como um amadurecimento natural das empresas para se manterem competitivas.

Desafio para os síndicos

No entanto, o controle de qualidade de obras em condomínios também é um desafio para os síndicos, que são os responsáveis pelo bom funcionamento dos imóveis em questão. Muitas vezes leigos e com outras atividades diárias, os síndicos acabam delegando os serviços de fiscalização e acompanhamento das obras aos zeladores ou outros funcionários do condomínio, o que pode comprometer a qualidade dos serviços prestados e a eficácia das obras executadas. Sendo assim, apesar da melhora sensível vista nas empresas de prestação de serviços da construção civil, é válida a sugestão da contratação de profissional independente, preferencialmente um perito de engenharia, para acompanhar e fiscalizar os serviços e a empresa contratada. Só assim pode-se garantir a qualidade do serviço prestado.

Neste sentido, a ABNT NBR 16.280/2014, que estabelece os parâmetros normativos para a execução de reformas em condomínios, veio auxiliar o síndico e os condomínios na elaboração da concorrência, contratação, fiscalização, gerenciamento e controle das obras. É uma ferramenta importante que o corpo diretivo do prédio deve-se valer e ter como "livro de cabeceira". Outro instrumento importante para a padronização e universalização da qualidade e seu controle, no mercado da construção civil é a ABNT NBR 15.575/2013, que estabelece padrões e regras de desempenho nas edificações e em seus componentes. Tal matéria é mais técnica que o conteúdo da outra norma citada, podendo ser melhor empregada, na fiscalização e acompanhamento das obras, por profissional especialista na área, no auxílio do síndico, conforme sugerido, anteriormente.

O impacto da normatização

Com o emprego das ferramentas citadas, percebe-se, sensivelmente, uma melhora na qualidade tanto na prestação de serviços de mão de obra, quanto na fabricação e utilização de materiais na área da construção civil, contribuindo para a evolução da nossa sociedade como um todo.
Consequentemente, falhas e equívocos de projeto, bem como patologias construtivas têm sido minimizadas, sendo sua ocorrência e constatação menos frequentes em construções ou obras mais novas.

Erros de projeto, como a falta de compatibilização de projetos de arquitetura, estrutura e instalações (elétrica, hidráulica, incêndio, ar condicionado etc.) eram antes comuns, atualmente mostram-se mais raras, pois há maior cuidado na verificação das interferências entre os elementos construtivos e o encaminhamento e posições de elementos, dutos e equipamentos, como também uma maior complexidade nestas interações com o implemento de novas tecnologias e inovações.

Patologias de fachadas, tais como destacamento de revestimentos e fissuração de superfícies vêm sendo menos frequentes, uma vez que há normas para o traço e aplicação de argamassas de base e de revestimentos, bem como a sugestão de espaçamentos de juntas de dilatação, necessárias para a movimentação térmica dos elementos expostos ao sol, chuvas, calor, frio e ventos, por exemplo.

Também normatizados estão procedimentos de manutenção e inspeção de equipamentos tais como para-raios, extintores de incêndio, mangueiras de hidrantes, dentre outros, trazendo mais qualidade às instalações físicas dos condomínios, consequentemente, menores riscos de incêndio e demais sinistros.
A informatização e automação de outros sistemas prediais, como sistemas de segurança, elevadores, dentre outros, também, atualmente, contribuem para uma maior eficiência e qualidade na vida em condomínio, benesses das novas tecnologias aplicadas ao mercado da construção civil.

Portanto, conforme apresentado, a questão da qualidade na construção civil é matéria complexa, de difícil gestão. Porém, atualmente, o síndico e seus assessores possuem ferramentas que auxiliam na questão, possibilitando maiores controles e melhores resultados, contribuindo para o sucesso e qualidade na administração e gestão de seus condomínios.

Daniel Cyrino Pereira

Arquiteto e urbanista formado pela Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). É titular da DA Arquitetura e DA Perícias. Atua como perito judicial desde 1997. Possui MBA em Administração de Empresas pelo IBMEC (2000 a 2002) e Especialização em Perícias de Engenharia e Avaliações de Imóveis pelo IBAPE-SP.
Mais informações: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ; www.dapericias.com.br.


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