Síndicos mostram como tornar o prédio sustentável

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Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente (comemorado em 5/06), a Direcional Condomínios registra experiências de síndicos focados em diminuir o consumo de água e energia, reciclar os resíduos sólidos e até cultivar hortas em vasos e jardins dos prédios.

Coleta Seletiva

Coleta seletiva de lixo
Coleta seletiva de lixo

Síndica Ana Josefa Severino e novo espaço para armazenamento do lixo no Condomínio Ipiranga Star

A Lei Federal 12.305/10, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), determina que todos os condomínios implantem sistema de coleta seletiva. O dispositivo entrou vigor em 2014. Para a síndica profissional Ana Josefa Severino, as principais barreiras à viabilização da medida estão na falta de espaço para armazenar os recicláveis nas edificações, enquanto esperam a coleta; na resistência dos moradores (tanto para separar quanto para levar o lixo até o espaço apropriado); e na destinação dos materiais (coleta). A Prefeitura de São Paulo mantém um programa de coleta seletiva em 96 distritos da cidade, mas restrito em termos de volume e horários.

Por isso, no Condomínio Ipiranga Star, Ana Josefa estabeleceu contrato sem ônus com a Cooperativa Recifavela, vinculada a uma comunidade da Vila Prudente, zona Leste de São Paulo. Quanto aos moradores, a síndica aproveitou a necessidade de atualizar o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) do prédio de 34 unidades para implantar o sistema, já que o condomínio foi obrigado a retirar as lixeiras dos pavimentos. Informativos periódicos são divulgados com orientações.

E, no tocante ao armazenamento, Ana Josefa reformou uma área no 1º subsolo do edifício, onde estão hoje disponibilizados contêineres separados (para lixo orgânico, materiais recicláveis, pilhas e baterias), torneira e mangueira para limpeza do ambiente, carrinho, aromatizadores e dispenser com álcool geral para uso dos moradores.

A partir desta experiência, a síndica orienta seus colegas a:

  • Conscientizar os moradores da necessidade de implantar o serviço, orientar quanto ao acondicionamento correto e lançar informativos periódicos com novas orientações e correções de comportamentos inadequados;
  • Providenciar um local de descarte apropriado, com iluminação e contêineres separados (seletivo do orgânico, assim como de óleo e baterias), além da higienização frequente;
  • Estabelecer, por contrato, coleta regular do material separado, evitando acúmulo; e,
  • Vetar o descarte de móveis, tapetes e entulho no espaço das lixeiras.

Cooperativas em São Paulo

Mais informações sobre a coleta seletiva em São Paulo podem ser obtidas através do site da Prefeitura. O Portal traz, inclusive, lista de cooperativas que retiram óleo de cozinha usado.

Já a Recifavela atende gratuitamente nas zonas Sul e Leste de São Paulo (Informações através do telefone 11 – 3435-2655). Segundo o diretor Cristiano Gonçalves Cardoso, a cooperativa possui convênio desde 2013 com a Prefeitura da cidade, por meio do qual conseguiu o galpão situado na Rua Capitão Pacheco e Chaves, nº 108, Vila Prudente. Em 2016, "a Recifavela foi contemplada com um projeto em parceria com o Rotary Club da Vila Alpina, através do qual recebeu equipamentos que promoveram maior eficácia no processo de trabalho". Segundo ele, as instalações apresentam capacidade de triagem de 500 toneladas/mês, "operando em dois turnos de trabalho, atendendo assim à demanda de resíduo seco das regiões e diminuindo a porcentagem encaminhada ao aterro sanitário, que causa enorme impacto ambiental".

Entretanto, os materiais precisam ser acondicionados corretamente pelos moradores e usuários dos prédios. Dicas para orientar os moradores estão disponibilizadas nestes dois artigos: Principais problemas na coleta seletiva em condomínios; e Por que devo limpar os materiais recicláveis antes de descartá-lo em meu condomínio?

 

Energia: Do LED à produção fotovoltaica

Energia solar
Energia solar

Fotos: Síndico Luciano Gennari e placas de captação de luz solar para produção de energia fotovoltaica

Há cerca de cinco anos, o síndico Luciano Gennari, do Condomínio Flamboyant, no Morumbi, promoveu a troca das lâmpadas convencionais por LED nas áreas comuns da edificação, assim que a tecnologia se tornou disponível no mercado brasileiro. Ele também redistribui os pontos de iluminação na garagem. Seu objetivo era diminuir o gasto de energia e a conta para o condomínio, pois o prédio, de onze unidades, sempre buscou racionalizar seus recursos. As mudanças geraram queda de 65% nos custos, afirma Luciano. Segundo ele, em termos de sustentabilidade, essas são as principais medidas que os síndicos devem adotar para reduzir o consumo, acompanhadas da instalação de sensores de presença em ambientes como a garagem, além de timer para ligar as lâmpadas das áreas externas.

Mas, concluída esta parte, o gestor queria potencializar o processo de redução da conta, por isso, Luciano Gennari se voltou à possibilidade de produzir energia fotovoltaica para abastecer a rede elétrica das áreas comuns do prédio (Leia em Energia fotovoltaica completa kit sustentabilidade em condomínio).

O primeiro projeto (reportado em 2017 pela Direcional Condomínios) foi desinstalado, pois apresentou desempenho abaixo da expectativa. Mas em dezembro passado, outro fornecedor instalou 28 placas sobre a área da churrasqueira, que produzem hoje quase metade da energia demandada pelos sistemas do prédio. De acordo com Luciano Gennari, a energia solar captada pelas placas é convertida em elétrica, abastecendo a rede da concessionária pública, que desconta os quilowatts gerados pelo condomínio na hora de lançar a conta ao final do mês.

 

Reaproveitamento da Água

Água reuso

Foto do reservatório de água de reuso implantado pelo síndico Wilson Roberto Fernandes

Com capacidade de armazenamento de 45 mil litros, o síndico Wilson Roberto Fernandes implantou tanques para reaproveitar a água da chuva e do lençol freático em um condomínio com três torres e 184 unidades na zona Leste de São Paulo. O objetivo agora é dobrar o sistema, com novos tanques, para que toda a área comum, em torno de 4 mil m2, seja beneficiada na limpeza e rega dos jardins. Instalado há quatro anos, o reuso permitiu reduzir até 30% na conta d'água, marca atingida em 2017, quando ele foi estendido às caixas acopladas dos banheiros das áreas sociais. Os tanques recebem limpeza periódica e a água é tratada com cloro. A rede pluvial dos prédios foi redirecionada para os tanques, que têm o suporte de uma bomba de pressurização.

Também o síndico Claudio Barbosa, do Condomínio Memphis, localizado em Cerqueira César, São Paulo, dispõe de boa reserva de água da chuva para reuso na limpeza do condomínio e rega do jardim. Há uma capacidade instalada de 10 mil litros nos reservatórios inferiores do prédio, além de 4 mil litros na cobertura. As caixas possuem telas para filtragem dos resíduos e passam por limpeza periódica. Uma tubulação própria distribui ainda esse volume para os halls dos 60 apartamentos. "Com o sistema e outras medidas de manutenção, a conta d'água caiu quase 50%", afirma Claudio.

O síndico relata que as torneiras das áreas comuns e unidades passaram por revisão, receberam redutores de vazão, e houve também busca e reparos de vazamentos. Os condôminos têm sido orientados a trocar descargas com válvula para caixas acopladas. "Estamos propondo agora uma nova revisão das instalações das unidades", afirma Claudio. "Queremos realizar a manutenção preditiva e evitar o aumento do consumo. Se deixar por conta do proprietário, ele só corre atrás quando a coisa estoura."

Em termos de reuso da água, é preciso atenção quanto aos processos de captação, armazenamento e distribuição (Leia mais na matéria Armazenamento e distribuição da água de reuso: Sempre separados da rede potável do prédio). Por exemplo, a ABNT NBR 15527/2013 normatiza os projetos de captação de água de chuva, e determina análise periódica da sua qualidade para usos restritivos não potáveis (uso em áreas comuns, garagens, regas, lavanderias etc.). Além disso, o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), órgão estadual de São Paulo, possui regras para uso da água do lençol freático.

 

Horta Caseira

Horta
Horta

Fotos: Síndica Luciana Souza Campos e a horta implantada no Condomínio Edifício Cardeal

Hortaliças, pimenta, tomatinho e temperos compõem o menu de cultivo da horta criada pela síndica Luciana de Souza Campos, do Condomínio Edifício Cardeal, no Itaim Bibi. Os moradores das 34 unidades são orientados sobre como fazer a coleta, para que não destruam as mudas. O canteiro foi instalado num trecho do amplo jardim do condomínio, que possui ainda frutas como laranja e limão. A rega, feita com água de reuso, está à cargo do zelador, mas a responsabilidade pela manutenção é do jardineiro é o responsável pela manutenção do espaço.

Atualmente, o uso de canteiros e até vasos de condomínios para o plantio de hortifrúti está bem disseminado nas edificações paulistanas, a exemplo do Condomínio Ana Claudia, em Moema, administrado pela síndica Ana Cristina Falletti Gonsalves; do Flamboyant, com o síndico Luciano Gennari à frente; e do Genoveva Jaffet, no bairro do Paraíso, administrado pela síndica Guiomar Courtadon.

Horta
Horta

Fotos: Condomínio Flamboyant e Condomínio Genoveva Jaffet


Matéria publicada na edição - 235 - junho/2018 da Revista Direcional Condomínios

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