Liderança na organização da equipe de trabalho no condomínio

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“O síndico vai ser um bom líder quando tiver olhos sempre prontos para observar não só o que está errado, mas também o que foi feito da forma correta, sabendo elogiar na hora certa, conversar, apontar, solicitar, ser gentil e firme. São tipos de postura que fazem grande diferença para quem lidera.”

No final de junho passado, a Profa. Rosely Schwartz levou a profissional de coaching Lurdinha Machado para dar palestra a administradores e síndicos sobre o despertar da liderança. O evento ocorreu no Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), uma iniciativa do GEAC (Grupo de Excelência em Administração de Condomínios), coordenado por Rosely. A Direcional Condomínios foi entrevistar Lurdinha para falar sobre motivação e organização do trabalho. Segundo a especialista, o comportamento dos colaboradores reflete o ambiente e as posturas que ele encontra no condomínio, inclusos os terceirizados. A seguir, a Direcional apresenta uma síntese da entrevista, uma versão ampliada do texto publicado originalmente na revista impressa de agosto de 2018.
Lurdinha Machado atua desde os anos 70 como coaching, época em que sequer havia esse termo (que deriva do inglês coach, aquele que instrui, orienta, reposiciona). Graduada em Letras e Filosofia e pós-graduada em Coaching e Liderança, Lurdinha trabalhou durante 25 anos como gerente nacional de vendas. Ela tem formação em PNL (Programação Neurolinguística) e é autora dos livros "Líder 24 horas por dia" (Editora Best Seller, 2010) e "Treine sua memória em 7 dias" (Edição própria).

- Atributos de um líder

O síndico é líder quando ele sabe se comunicar com diferentes perfis de pessoas, da mais sensível e emotiva àquela que é detalhista e dá importância à beleza, à organização das coisas, passando pelas que são objetivas e racionais. Ele também é líder quando sabe olhar as pessoas, o que elas fazem, sua capacitação, e tem a paciência de ensinar e não uma única vez. Cada um possui um tempo diferente de aprender. Então, repetir faz parte da postura do líder. Ele vai ser um bom líder quando tiver olhos sempre prontos para observar não só o que está errado, mas também o que foi feito da forma correta, sabendo elogiar na hora certa, conversar, apontar, solicitar, ser gentil e firme. São tipos de postura que fazem grande diferença para quem lidera. Por fim, é muito importante ter coerência e transparência. Não adianta pensar uma coisa e agir de outra forma, como dizer que ele respeita o ser humano e não ter o mínimo tato para lidar com as pessoas. Congruência é muito importante para um síndico que necessariamente é um líder 24 horas por dia!

- Por que e como motivar a equipe?

Cada pessoa deve ser incentivada a executar bem a sua atividade. Um supervisor, por exemplo, deve perceber qual o tipo de estímulo o colaborador necessita para ter excelência em seu desempenho. Isso vai desde uma gratificação em dinheiro, se cumprir a meta, até algo que reforce a confiança no cargo que ele conquistou ou a sua importância dentro da equipe. E quando ele faz alguma coisa certa, é preciso que se diga isso na hora, e não apenas quando ele erra. Portanto, a motivação vai além das gratificações; uma palavra e um muito obrigado podem valer muito mais do que qualquer prêmio em dinheiro.

- A importância da descrição das tarefas

As pessoas de uma forma geral gostam de fazer as coisas bem-feitas. Porém, aquilo que pode parecer extremamente óbvio para um síndico, não é óbvio para o funcionário. Por mais operacional que seja a área do colaborador, com seu mecanismo automático de sempre fazer as mesmas coisas, é importante deixar relacionado o que é para ser realizado, bem como a sequência ideal, para que o próprio condomínio se beneficie. Além disso, se um colaborador fica doente ou sai, é muito importante que as tarefas estejam bem claras e relacionadas, dispostas em lugar visível, de acesso a todos, para que ninguém tenha dúvidas, tanto na hora de fazer quanto na hora de cobrar. E, de preferência, além de colocar os itens, a sequência, é interessante tirar uma foto do local perfeito, da forma como deve ser trabalhado, imagem que deverá ficar junto com a descrição das tarefas. Com isso, o líder gera confiança e o colaborador tem a sensação de que ele fez bem feito, que o lugar está exatamente como é esperado dele e como tem que ficar.

- Como tornar um colaborador proativo?

Existem três características básicas que podem ser notadas num funcionário: Ele pode ser uma pessoa mais reativa; pode ser submisso; ou pode ser proativo. São características que, em princípio, fazem parte da pessoa, mas é isso pode ser treinável. Quando a pessoa é submissa, ela se coloca na posição de vítima com muita facilidade e faz com que as pessoas tenham pena dela quando faz alguma coisa errada, dizendo "não fui a culpada".

Quando a pessoa é mais reativa, quando lhe é apontado algo que não saiu da forma como deveria, ela imediatamente diz: "Não fui eu, foi fulano!". "Eu não tenho culpa, se fulano tivesse feito certo, se tivesse entregue na hora certa, se tivesse ....." - Essa pessoa coloca quem estiver no pedaço na fogueira e tira a responsabilidade das próprias costas.

Já quando o indivíduo é proativo, e cometeu algum erro que lhe foi apontado, ele põe a cabeça na solução. Ele não tenta se justificar, se vitimar ou responsabilizar alguém. Ele se coloca na posição "vou fazer certo agora, vou procurar não cometer aquela mesma falha, da próxima vez eu posso fazer desta outra forma". Então, se a pessoa já tem a característica de ser reativa ou submissa, cabe ao líder, ao síndico, fazer com que esse indivíduo treine a sua proatividade – "Não importa quem é o responsável, não importa se você estava assim ou assado". Como podemos solucionar isso? O síndico pode fazer com que o indivíduo aprenda a sempre colocar a cabeça e o foco na solução.

- Funcionários multitarefas

Ser multitarefa, por si só, não é uma coisa boa nem ruim. Depende do momento, da função da tarefa que a pessoa esteja desempenhando. O que significa ser multitarefas? É aquela pessoa que tem condições de fazer várias coisas ao mesmo tempo - Ela presta atenção no que está sendo feito no jardim ao mesmo tempo em que responde a uma pergunta, fala ao telefone ... Neste momento, ela não está mandando uma informação para o cérebro dela sobre o que é efetivamente importante para que seja registrado na memória. É muito comum uma pessoa multitarefas não se lembrar depois se fez uma coisa ou outra, se cumpriu determinada sequência, se limpou de verdade, pois a tendência do cérebro é não registrar.

E, com certeza, quando a pessoa é multitarefas, naquela hora em que ela está fazendo várias atividades ao mesmo tempo, ela não tem um grau de perfeição no desempenho de determinado papel. A pessoa tem condições de fazer bem feito, da forma correta, com excelência toda vez que ela foca uma coisa por vez; o nosso cérebro foi feito para fazer uma coisa por vez bem-feita.

Mas ser multitarefas para determinados momentos, como cobrir a falta de alguém, é crescimento pessoal. Então, é saudável fazer com que a pessoa aprenda a fazer várias tarefas. Se o condomínio tiver um funcionário doente da portaria e não tem nenhum esquema de substituição, de-repente aquela pessoa que faz a faxina, a limpeza, ela vai ter que cobrir o porteiro. Portanto, é importante que esta saiba como o porteiro deve proceder.

Ensinar várias tarefas faz com que as pessoas tenham essa capacidade, é importante e faz o indivíduo também se sentir bem - "Eu sei fazer muitas coisas dentro do condomínio". Isso gera aquela sensação de que "eu sou importante aqui", porque "eu sei desempenhar vários papéis, eu posso substituir qualquer pessoa sem dificuldade". É também uma questão de segurança do próprio condomínio. Mas exigir que todos sejam multitarefas, que tenham essa capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, isso é arriscado. É candidatar a pessoa a cometer muitas falhas.

- A importância do reconhecimento

Por mais simples, óbvia e descomplicada que seja uma tarefa, é muito importante que o líder exalte aquilo que foi bem feito, a importância disto para ele, demonstrando como o respeito à forma de o colaborador trabalhar é aumentado no momento em que faz a coisa correta. É importante desde parabenizá-lo pelo uniforme, pelo asseio, a dizer que ele está mais bonito daquela forma – O ser humano precisa fortalecer seu ego, precisa de aprovação, de exaltação. Existe um tópico dentro da teoria de Maslow que diz: "Todo ser humano possui necessidade de reconhecimento e estima". Quando você elogia, demonstra carinho. Um "parabéns", um "muito obrigado", um "por favor", "está perfeito" são palavras fundamentais, por mais simples que seja a tarefa.

- O reflexo da organização do trabalho sobre o desempenho

Mesmo que os colaboradores sejam terceirizados, quando ele entra no ambiente de trabalho, ele percebe a organização e aquilo que se espera de uma pessoa que está em sua função – Por isso a descrição e a imagem da qual falamos antes. Compare: Se uma visita chega na sua casa e a sala está toda bagunçada, com as coisas fora do lugar, ela entra e não sabe nem onde colocar a bolsa. Ela fica em dúvida onde pode se sentar e, automaticamente, ela vai deixar a bolsa em qualquer lugar. Se, de-repente dá vontade de tirar o sapato, ela vai tirá-lo e deixá-lo em algum canto. A visita seguirá o ritmo da casa. Da mesma forma, o colaborador segue o ritmo da empresa em que está. Então, por mais que este venha de fora e seja terceirizado, por mais que ele tenha sido treinado para determinadas tarefas, o colaborador irá prestar um serviço e entregá-lo do jeito que a pessoa que o está contratando demonstra que quer que seja. Portanto, se o síndico quer o prédio organizado, arrumado, é preciso que diga como é que quer que ele fique. Sua limpeza, organização, a sequência, os horários, até a hora de início e término, tudo isso tem que ser determinado pelo condomínio.

- Como atribuir responsabilidades?

O síndico é o líder do prédio e dos funcionários que estão lá dentro. Mas ele pode delegar a um gerente predial, por exemplo, todas as coordenadas, expondo a expectativa que os condôminos têm de um determinado serviço. Isso deve ficar muito claro para o gerente predial, pois o síndico irá cobrar dele que as coisas saiam exatamente como o condomínio pretende. E, se o síndico encontrar alguma coisa que não esteja feita da forma adequada, ele deve orientar o que o condomínio pretende, o que as pessoas esperam, mas o gestor precisa ter muito tato na hora de falar com esse funcionário. O importante é a forma como as cobranças são feitas para não gerar atritos, reclamações e não haver ingerência nos comandos. Minha avó já dizia: "Tudo o que é combinado antes, não sai caro depois".


Matéria publicada na edição - 237 - agosto/2018 da Revista Direcional Condomínios

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