Tecnologia favorece segurança, desempenho e conforto dos elevadores

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Reportagem destaca casos de três condomínios que decidiram pela modernização dos elevadores após graves incidentes.

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O síndico Rodrigo Nunes dos Santos conduziu modernização total de quatro elevadores, com aumento de parada

O ‘’CAPÍTULO’’ elevadores entra como um dos primeiros tópicos no enredo da modernização dos condomínios. Meio de transporte dos mais utilizados nos centros urbanos, esses equipamentos apresentam, em geral, maquinário robusto. Entretanto, o desgaste pelo uso, o avanço tecnológico, o aprimoramento das normas técnicas e a necessidade de segurança e conforto dos usuários obrigam não apenas à sua manutenção preventiva mensal e ao licenciamento anual obrigatório (caso da cidade de São Paulo), como à modernização parcial ou total depois de completado um determinado ciclo de vida.

O Condomínio Costa do Sol, no Jardim Caravelas, zona Sul de São Paulo, protagonizou entre o final de 2016 e março deste ano o roteiro completo da modernização dos seus quatro elevadores. O processo contou com um adendo ousado: Acréscimo de parada em dois elevadores e troca de portas externas dos andares principais, que eram de abertura de eixo vertical, por automáticas. Construído em 1979 com duas torres e 90 unidades, apenas um dos elevadores paralelos de cada prédio descia até o subsolo de garagem.

O desejo de modernizar era antigo, diz o síndico Rodrigo Antonio Nunes dos Santos. O “empurrão” foi dado pelos estouros frequentes nos orçamentos do condomínio por causa das quebras de peças, e pelo grande susto de um morador quando o elevador desceu em velocidade nominal e não obedeceu à parada, atingindo a mola do poço. Foi o gatilho para o início do processo.

“As paradas eram frequentes e as peças caras e de reposição demorada. Os elevadores estavam defasados. E, com o incidente, acabamos convocando uma assembleia extraordinária, que decidiu criar uma comissão para fazer a modernização”, relata o síndico. Sem verba disponível, o jeito foi instituir um rateio extra (em 24 parcelas), levantar vários orçamentos, equalizá-los e discutir a viabilidade técnica e financeira dos aumentos de parada. A consultoria esteve à cargo do engenheiro Antonio Luiz Caldeira, também responsável pela obra civil.

Logística da obra

Foram tempos conturbados, observa o gestor, pois cada prédio ficou com apenas um elevador em funcionamento durante sete meses. E, para piorar, em um deles o único elevador em operação quebrou e ficou dez dias à espera da peça de reposição. Só restaram as escadas para os deslocamentos dos moradores; cada torre tem dez andares, além do subsolo. Ou seja, foi necessária muita paciência e informação constante aos condôminos, afirma Rodrigo; ele é advogado, gestor há cinco mandatos no Costa do Sol e síndico profissional. Agora, os condôminos estão satisfeitos com o resultado da modernização, que incluiu repaginação estética nas cabinas. Faltam alguns ajustes, como acabamentos em torno das botoeiras nos halls e a instalação do sistema de chamada inteligente (O condomínio não separa elevador social do de serviço).

Serviços realizados

O escopo da modernização dos elevadores do Costa do Sol envolveu:

- Obra Civil: Abertura de vão para ampliação do poço e descida até o subsolo de garagem em cada prédio;

- Poços onde houve aumento de parada: Impermeabilização e pintura em cinza do piso do fundo, com demarcação de paralelepípedo da área de segurança, conforme norma; instalação de bases de concreto para molas para-choque de cabina e contrapeso e da Iluminação da caixa de corrida com luminárias tipo tartaruga. Em todos eles, colocou-se escadas tipo marinheiro;

- Parte mecânica: Instalação de complemento de guias de cabina, de contrapeso e troca dos cabos de aço dos elevadores para atender a uma parada a mais;

- Casa de máquinas: Instalação de chaves para desligamento e proteção dos elevadores; aterramento individual dos elevadores em cada bloco; nova alimentação individual com fase e neutro para iluminação das quatro cabinas; introdução de luz de emergência para as quatro máquinas de tração com autonomia de duas horas;

- Comandos: Passou de mecânico para eletroeletrônico; está prevista a implantação do sistema de chamada inteligente;

- Portas externas: As peças originais e manuais deram lugar às de abertura automática nos halls do térreo e da garagem (seis no total total, pois duas delas foram acrescentadas com o aumento de parada instituído);

- Intervenções nos halls dos andares: As botoeiras originais, que ficavam nas portas, foram desativadas e substituídas por outras instaladas nas paredes dos pavimentos, conforme a altura definida pela norma de acessibilidade;

- Cabinas: Modernização estética completa.

De acordo com o engenheiro, os serviços atenderam aos parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas NM 207/1999 (Norma internacional do Mercosul contendo requisitos de segurança para construção e instalação) e a ABNT NBR 5.410/2005 (Para instalações elétricas de baixa tensão), entre outras. Houve adequações de segurança em relação aos poços, às casas de máquinas e às cabinas.

À esq., porta externa dos andares no Costa do Sol, com novas botoeiras nas paredes. À dir., imagem demarcada no subsolo mostra local de abertura de vão para descida do elevador, que antes chegava somente até o térreo

MAIS UM SUSTO – Também o Condomínio Edifício Jaú, localizado próximo da Avenida Paulista, em São Paulo, correu com a modernização de seus dois elevadores depois que houve um incidente envolvendo uma moradora e sua filha, uma criança. “Os serviços estavam em nosso planejamento de obras, mas quando ambas ficaram presas, decidimos antecipá-los”, afirma a síndica Rose Marie Clemente Arb (Foto ao lado). A repaginação foi completa, poupou somente a máquina que é original, de 1959. Assim como no Costa do Sol, o Jaú substituiu as portas de abertura manual pelas automáticas no hall social e garagem.

Porém, aqui, apenas um dos equipamentos chega até o subsolo. O prédio de 73 unidades tem investido em uma extensa modernização de suas instalações, entre elas, a recuperou a garagem (com aplicação de revestimento epóxi), implantou de nova lixeira para lixo orgânico e coleta seletiva, e trocou as esquadrias das áreas comuns, de todos os andares. Nos elevadores, houve troca de cabos e freios, reforma do quadro elétrico, implantação de comando eletroeletrônico, troca das botoeiras e embelezamento das cabinas. “Tecnicamente, foi impossível descer o outro elevador até o subsolo”, explica Rose. Segundo a gestora, será preciso agora recuperar as portas externas dos andares, tanto as suas molas quanto o acabamento das superfícies. A modernização foi orientada por um laudo técnico independente contratado pelo condomínio, atendendo às normas de segurança e acessibilidade, completa a síndica.


Matéria publicada na edição - 237 - agosto/2018 da Revista Direcional Condomínios

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