Atenção síndicos: A manutenção dos equipamentos não deve parar depois do AVCB

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Mesmo antes de completar um ano da expedição do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) para o Condomínio Ipiranga Star, ocorrida em outubro de 2017, a síndica profissional Ana Josefa Severino já está de olho nos próximos investimentos que terão que ser feitos no sistema de prevenção e combate ao fogo do residencial.

Síndica Ana Josefa

Síndica Ana Josefa Severino: “Fôlego” para adequar corrimãos

Isto porque, o empreendimento de uma torre, situado na zona Sudeste de São Paulo, foi implantado há cerca de 30 anos sem a regularização do AVCB e a parte dos corrimãos acabou ganhando um prazo maior para adequação. No mais, todas as exigências relativas à evacuação em caso de sinistro e aos equipamentos foram atendidas. “Nossa primeira medida foi tirar as lixeiras dos halls dos andares para liberar a rota de fuga”, afirma a síndica, destacando que esta mudança exige tempo e orientações reiteradas para ser incorporada aos hábitos dos condôminos.

De acordo com o subtenente Edson Candido Pereira, os fatos motivadores de “Comunique-se” na visita de avaliação do projeto de incêndio mudam conforme as características e a idade da edificação. Mas com relação aos corrimãos de prédios residenciais mais antigos, acaba-se dando um prazo maior de adequação, em função do alto custo dos serviços. Já nos empreendimentos residenciais mais novos (que devem ser entregues com corrimãos em conformidade com norma técnica e do Corpo de Bombeiros), bem como para as edificações comerciais e centros de compra, não há flexibilidade.

Candido Pereira enumera a seguir os itens para os quais as vistorias têm sido inflexíveis e que costumam gerar mais ocorrências de “Comunique-se”:

- Sinalização;

- Sistema de iluminação de emergência;

- Rede de hidrantes e bomba de incêndio;

- Extintores; e,

- Brigada e alarme de Incêndio.

Manutenção deve ser constante

Os tópicos acima, inclusive, demandam manutenção periódica da parte do condomínio, destaca o bombeiro. Na parte da iluminação de emergência, até para facilitar o serviço do prédio e garantir seu pleno funcionamento e maior autonomia durante eventual queda de energia ou sinistro, Candido Pereira recomenda a instalação de uma central independente com baterias estacionárias em lugar do bloco autônomo, bastante utilizado hoje. Também as portas corta-fogo demandam vistoria constante, pois elas devem ter um fechamento perfeito quando abertas em 45 graus e soltas para fazerem o movimento de volta ao batente. Portas encostadas perdem sua função, que é a de vedar completamente o compartimento das escadarias do prédio, evitando que fiquem tomadas pela fumaça e/ou facilitem a propagação do fogo entre os pavimentos.

Por fim, ainda na parte de se evitar a propagação, mesmo não sendo obrigatórios nos residenciais com portarias, o bombeiro recomenda, “preferencialmente”, a instalação de sensores de fumaça nos halls dos andares. “É a forma mais eficaz de acionar o alarme de incêndio, pois é um acionamento automático e não manual.” Ou seja, o dispositivo independe do tempo de resposta de uma pessoa. De qualquer maneira, alarmes com sensores têm sido cobrados pela corporação nas visitas aos condomínios que possuem portaria automatizada e/ou virtual.

AVCB

Condomínio com duas torres e dez andares cada, o Costa do Sol teve que providenciar instalação de bomba de incêndio durante processo de regularização do AVCB

REFORÇO NO SISTEMA DEPOIS DE UM SUSTO – Os moradores do Condominium Club Moema (CCM) passaram por um grande susto em julho do ano passado. Uma das unidades pegou fogo durante a madrugada, provavelmente causado pela secadora de roupas, que ficou ligada enquanto os moradores dormiam, lembra o atual síndico e então conselheiro, Victor Albuquerque Lima. Houve perda total do imóvel, mas ambas as torres e as outras 281 unidades saíram ilesas. Condomínio com AVCB em dia e a manutenção em ordem, o CCM resolveu, mesmo assim, rever todo seu sistema de prevenção e combate ao fogo. Por exemplo, o gestor vem promovendo no momento a revitalização dos halls dos pavimentos, instalando lixeiras embutidas em um shaft sem uso. Estão previstas lixeiras para materiais recicláveis e lixo orgânico. Atualmente, a coleta do lixo é feita porta a porta pelos funcionários do condomínio. Também nos andares estão sendo instaladas placas de orientação sobre a rota de fuga e utilização dos extintores.


Matéria publicada na edição - 237 - agosto/2018 da Revista Direcional Condomínios

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