Ajustes antes, durante e após a modernização dos elevadores

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Mesmo que o condomínio tenha que esperar um tempo até que possa modernizar os elevadores, ele pode antecipar algumas medidas de segurança. E, depois da modernização, precisa ficar atento à manutenção.

modernização dos elevadores

Síndica Guiomar Courtadon: Elevadores foram etapa inicial de programa de modernização de prédio residencial de 1958

Os elevadores requerem manutenção constante e, em determinados períodos, trocas de componentes e atualização em relação às normas técnicas de segurança e acessibilidade. Entretanto, chega um momento em que o custo dos serviços obriga o condomínio a aprovar a modernização parcial ou total desses equipamentos. Foi o que aconteceu no Genoveva Jaffet, residencial de 1958 administrado pela síndica Guiomar Courtadon, no bairro do Paraíso, em São Paulo. Há oito anos na sindicância, Guiomar vem promovendo paulatinamente a revitalização dos sistemas do prédio de 54 unidades, tendo realizado há cinco a modernização parcial dos dois elevadores.

O motor foi mantido, assim como as portas externas dos pavimentos. “Antes da modernização, tínhamos um histórico de moradores e prestadores de serviços presos nos elevadores. As quebras eram constantes, o custo elevado (pela falta de peças de reposição), assim como o consumo de energia. Chegamos a ficar dois meses com um deles parado aguardando peças”, lembra Guiomar.

A modernização ajudou a mudar o próprio perfil do edifício e deu ao condomínio uma “segurança física que não havia antes”. “Fiquei muito feliz com os resultados, tivemos posteriormente um ano de testes pós-modernização”, revela a síndica. Um único contratempo, a ser solucionado, ficou por conta das portas externas dos andares, que não foram substituídas. “Nossa próxima etapa será modernizar essas portas. Apenas substituímos as do pavimento térreo e subsolo”, diz. Guiomar anota eventuais paradas provocadas pelo sistema dessas portas. “

No pacote da modernização, foram executados:

- Trocas dos quadros de comandos (por eletroeletrônicos);

- Trocas das botoeiras;

- Modernização do sistema de limitador de velocidade;

- Modernização das cabinas;

- Modernização dos fechos eletromecânicos das portas, que impedem a partida se não estiverem devidamente travados;

- Adequações a itens da Norma NM207 (Luz de emergência, guarda-corpo sobre a cabina, protetor de ilhós nas portas de pavimento, protetor de polias e iluminação no poço). Segundo Guiomar, cerca de quinze anos atrás houve modernização de outros itens, ficando a mais recente focada principalmente no comando, cabinas e na norma de segurança.

SEGUNDA MODERNIZAÇÃO

Os condôminos do Edifício Iraúna, residencial de 1968 localizado em Higienópolis, na área central de São Paulo, definiram, em assembleia realizada ainda em 2017, que a modernização dos seis elevadores do local, quatro deles sociais e dois de serviço, será prioridade. O serviço entra no pacote de revitalização do prédio, processo já reportado pela Direcional Condomínios em outras matérias, e que inclui os elevadores. Antes, no entanto, o Iraúna realizará a modernização das instalações elétricas. A previsão, de acordo com o síndico Rodrigo Martins, é que os serviços nos elevadores comecem no final de 2020.

“No final dos anos 90 foi feita uma modernização no sistema de comando (de 2ª geração), mas atualmente já existem comandos mais modernos”, justifica o síndico. “Definimos ser essa uma prioridade, pois com o passar dos anos, os elevadores, mesmo com as manutenções em ordem, passam a ficar obsoletos. A tecnologia avançou muito nos últimos 15 anos, e esta agrega bastante no sistema como um todo, inclusive por proporcionar mais segurança.”

Nos últimos dois anos, foram regularizados alguns itens que estavam em desacordo com a norma técnica ou que podiam ser melhorados, como casa de máquinas, guarda- -corpo, freios, a parte elétrica e a iluminação (sobre as cabinas e nos poços), entre outros, atendendo-se aos apontamentos provenientes do RIA (Relatório de Inspeção Anual). Mas, para repaginar completamente os seis elevadores, o síndico diz que o projeto contempla a modernização dos:

- Centros de comando;

- Máquinas de tração;

- Limitadores de velocidade;

- Operadores de porta;

- Botoeiras internas e externas;

- cabinas (Modernização estética); e,

- Componentes elétricos e a parte de alvenaria das casas de máquinas.

Sua expectativa é que o condomínio ganhe inúmeros benefícios, entre eles:

- Redução em quase 50% do custo do contrato de manutenção, bem como da reposição de algumas peças que este não venha a cobrir;

- Queda no consumo de energia;

- Diminuição drástica dos chamados técnicos para manutenções corretivas, evitando paradas e transtornos aos usuários;

- Eliminação de trancos e degraus;

- Portas com abertura e fechamento mais suaves;

- Redução geral de ruídos, especialmente nas casas de máquinas; e,

- Melhoria da aparência estética dos equipamentos e consequente valorização dos imóveis.

O orçamento da modernização é estimado em cerca de R$ 800 mil para todos os elevadores, valor que deverá ser pago em 48 meses. Assim que for assinado o contrato, o prestador de serviços deverá levar em torno de sete meses para desenvolver o projeto e preparar os novos componentes. Somente então irá iniciar os serviços em cada um dos sistemas (com tempo estimado de dois meses para cada elevador). E para o embelezamento das cabinas, os condôminos deverão escolher através de votação o padrão a ser instalado nos elevadores sociais e de serviços.

modernização dos elevadores

Detalhe da cabina original do elevador de serviços do Condomínio Iraúna

Trocas obrigatórias em uma modernização de comando

Item indispensável em uma modernização, a instalação do comando eletroeletrônico do elevador envolve, obrigatoriamente, a substituição de componentes como:

- Botoeira de cabina;

- Botoeiras de andar;

- Fiação do poço;

- Operador de porta; e,

- Limites de fim de curso.

De acordo com o engenheiro e consultor Antonio Luiz Caldeira, é importante ainda substituir os trincos das portas de pavimento. Esses estão integrados ao circuito de segurança e são responsáveis por indicar ao quadro de comando, localizado na casa de máquinas, que tanto portas quanto trincos se encontram devidamente fechados. Essa é uma das informações mais importantes que o elevador precisa ter para começar a funcionar. Pois ao instalar um novo comando, o sistema começa a operar com tensão e corrente elétrica menor no circuito de portas e trincos em relação ao comando eletromecânico anterior. Essa “incompatibilidade” pode gerar mau contato e provocar paradas, observa o engenheiro.

Já cabos de tração, lona de freios e demais componentes mecânicos devem ser substituídos caso estejam comprometidos ou em final de ciclo de vida.

Outro componente que deve ser avaliado é a máquina do elevador, a qual pode ser aproveitada mediante uma revitalização. A troca é feita quando se torna inviável o conserto. Segundo o engenheiro, “nesse caso a substituição do cabo de tração também deve ser considerada”. Por fim, o especialista destaca que o comando eletroeletrônico tem que estar dimensionado de acordo com a potência da máquina existente.


Matéria publicada na edição - 238 - setembro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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