Crimes aumentam e condomínios buscam reforço

Escrito por 

A região do Parque da Mooca registrou, no último dia 16 de agosto, tentativa frustrada de invasão de um condomínio por três bandidos, dois dos quais foram baleados em confronto com a polícia (um deles veio a óbito em seguida) e um terceiro acabou preso.

Vizinhança Solidária

Síndicas Patrícia Navarro e Inês Correa Athanazio: Reforço nos sistemas dos prédios e implantação do Vizinhança Solidária

A ocorrência supera em tipo e consequência o principal crime que tem envolvido condomínios neste ano: Furtos. Além disso, a tentativa foi abortada justamente na região que ficou com o melhor indicador de segurança, ao lado do bairro do Cambuci, em pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz e o jornal O Estado de São Paulo.

Conforme balanço da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, revelado em julho último, cresceu o número de furtos e roubos em condomínios nos quatro primeiros meses deste ano, se comparado com o mesmo período de 2017. O aumento foi de 56% em relação ao ano anterior: 1.300 ocorrências contra 832. A maior parte é de furtos: 1.235 em 2018 contra 781 em 2017 (aumento de 58%). Os dados foram divulgados depois de a Globo News solicitá-los recorrendo à Lei de Acesso à Informação.

Mas desde o segundo semestre do ano passado, síndicos já vinham alertando quanto ao aumento das invasões para furtos e roubos em apartamentos, conseguidas por médio de variados disfarces em que os bandidos burlam o controle de acesso. Há desde o “carona”, como o adolescente que veste uniforme escolar e entra no portão junto com estudantes moradores, a falsos prestadores de serviços da área de telefonia; “sobrinhos” ou “netos” que “irão visitar parentes”; até pessoas com trajes religiosos ou aquelas que têm a entrada facilitada por conivência de algum condômino, descreve o síndico profissional Nilton Savieto.

No caso da síndica Patrícia Vilanova Navarro Pereira e de seus vizinhos, a esse contexto se juntou no começo do ano um afluxo momentâneo de pontos de venda de drogas que se formaram na região do Alto da Bela Vista, em São Paulo. A situação foi resolvida, mas dessa experiência resultou a articulação entre os condomínios, os quais resolveram implantar um programa de Vizinhança Solidária em junho deste ano. Paralelamente, Patrícia tem incrementado os equipamentos de segurança de seu prédio, o Condomínio Nossa Senhora do Carmo. Ela implantou um sistema de controle de acesso para veículos, mudou os monitores das imagens, aumentou o número de câmeras, instalou internet nas áreas comuns e contratou um monitoramento 24 horas, apesar de haver porteiro físico no local. A síndica prevê ainda investimentos em uma nova central de interfones e no acesso a pedestres, provavelmente adotando o sistema RFID.

De qualquer maneira, em menos de três meses de Vizinhança Solidária, Patrícia já sentiu uma “mudança no bairro, pois o programa inibe os bandidos”. No começo de agosto, ele envolvia cinco ruas, todas com faixas do Vizinhança e situadas na área de influência da Associação dos Moradores do Alto da Bela Vista (Amabev). Patrícia é vice-presidente da entidade, presidida por Inês Correa Athanazio, também síndica. Ambas atuaram em conjunto na criação do programa e vêm trabalhando sua ampliação. Dois grandes grupos de uma rede social fazem a articulação entre os condomínios; um deles envolve síndicos, moradores e funcionários (cerca de 300 pessoas); no outro, tutores do grupo anterior fazem contato direto com a Polícia Militar. Os funcionários dos condomínios são orientados e treinados a “estar na linha de frente” do programa.

De acordo com as síndicas, os benefícios são imediatos: “O Vizinhança aumenta a sensação de segurança e mobiliza mais as pessoas, que passam a acreditar que suas suspeitas ou ocorrências terão desdobramentos”. “Se a gente não conta para a polícia o que acontece, como ela virá para cá?”, ilustra Inês Correa. A presidente da Amabev faz campanha para que as pessoas registrem boletins de ocorrência, de forma que o poder público possa planejar suas ações.

Vizinhança Solidária

Faixa do Programa Vizinhança Solidária no Alto da Bela Vista (SP)

CITY CÂMERAS

Outra opção aos condomínios, sugerida pelo síndico Nilton Savieto, é a integração ao City Câmeras, lançado pela Prefeitura de São Paulo em março de 2017. De duas a quatro câmeras externas aos dez empreendimentos que administra, entre comerciais e residenciais, foram interligadas à plataforma do programa, o que possibilita ao síndico visualizar através de aplicativo no celular toda movimentação da calçada, rua e acessos aos prédios. As imagens ficam armazenadas em nuvem durante uma semana. Os condomínios pagam taxas a um provedor homologado (adesão, armazenamento e, se preferirem, manutenção), mas Savieto ressalva que as câmeras não são as do CFTV. Elas devem ter uma resolução mínima de 720p (com 1 Mega Pixel - 12 fps), com tecnologia HD. O custo mensal de adesão é de R$ 100,00 por câmera. “As câmeras intimidam e ajudam a identificar procedimentos no condomínio que estejam fora de norma, além de auxiliar a polícia nas investigações”, resume Savieto.


Matéria publicada na edição - 238 - setembro/2018 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.