Pisos de playground: Absorção de impacto varia conforme material

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Especialista diz que síndico deve cobrar ensaios técnicos de fornecedor.

Novo playground do Condomínio Res. Buena Vista

Os síndicos têm apresentado dúvidas em relação às normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que tratam dos critérios técnicos válidos para que alguns pisos de playground apresentem absorção de impacto em caso de queda dos brinquedos.

Especificamente, a Tabela A1, da ABNT NBR 16.071/2012 – Parte 3, determina que pisos diversos da grama natural, ou de alguns tipos de lascas e/ou areia, passem por testes laboratoriais e atendam aos requisitos de outras normas da entidade. É o caso dos sintéticos, como os emborrachados, que deverão passar por ensaios que atestem sua capacidade de absorção de impacto.

A síndica profissional Janaína Persike afirma, no entanto, que os gestores encontram entre os fabricantes diferentes recomendações de espessuras de um mesmo material para uma determinada altura de brinquedo. “E já tentei obter de fabricantes os estudos realizados, mas eles não passam e, ainda, em site próprio, se contradizem.” Janaína diz que pretende consultar a ABNT sobre essa questão, pois acha que a norma de playground (a ABNT NBR 16.071/2012) deveria trazer especificações para emborrachados e vinílicos.

O engenheiro mecânico Fábio Ferreira, que atua com inspeção e segurança em playgrounds e parques de diversão, explica que a norma acima, no Anexo A, da Parte 3, traz “exemplos de materiais comumente usados para atenuação do impacto e alturas críticas de quedas correspondentes”. Há uma tabela que classifica os insumos dos pisos entre:

A - Grama natural, cuja propriedade de absorção de impacto se limita a uma queda de no máximo um metro de altura;

B – Casca, lasca de madeira, areia e cascalho: A capacidade de absorção muda conforme a natureza do elemento, o tamanho do grão e a altura do brinquedo; e,

C – Outros materiais.

De acordo com o engenheiro, esta última classe de materiais inclui variações oferecidas hoje pelo mercado, como “sintéticos, granulados de absorção de impacto e monolítico anti-impacto drenante”. “Os pisos de absorção de impacto normalmente são testados em laboratórios especializados e um deles é o IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica, de São Paulo). Com isso, os fornecedores podem definir uma tabela estabelecendo a espessura do seu produto absorvente de impacto, e assim cada fabricante deverá ter um laudo referente ao piso que estará disponibilizando aos seus clientes. Os síndicos podem exigir este laudo do seu fornecedor”, enfatiza o especialista, que faz parte do comitê de revisão da ABNT NBR 15.926/2011, norma relativa aos parques de diversões e áreas similares de shoppings centers, entre outros. Fabio Ferreira trabalha há quase 20 anos no segmento.

Os testes dos pisos classificados como “outros materiais” deverão atender aos parâmetros da NBR 14.725-3 (relativa à corrosão e às trincas) e também à NBR 15575/2013 – 2013. Esta é a norma de desempenho, que determina os ensaios e as medidas para que fabricantes façam testes de resistência a impacto no piso, em relação à massa, peso e altura, por exemplo. No caso da grama sintética ou material vinílico, o engenheiro reitera a necessidade de os gestores ou demais clientes solicitarem “um laudo dos testes realizados pelo fabricante do produto para a sua utilização em playground e, se possível, assinado por um engenheiro”. De outro modo, o especialista afirma que pisos sólidos, como granilite, cerâmico e cimentado, entre outros, “não são recomendados para área de playground, porque a absorção de impacto é zero e as crianças, em caso de queda, podem ter consequências sérias de fraturas e lesões”.

ALERTAS SOBRE PROJETOS E INSTALAÇÃO

Por engenheiro Fábio Ferreira

- NORMA CORRETA

“Tenho observado fornecedores e empresas que ainda se utilizam da ABNT NBR 14.350 [norma anterior de playground]. Esta foi cancelada em 2012, quando foi publicada a NBR 16.071, em 7 partes, norma atualmente em vigor para playgrounds. A norma desatualizada ainda aparece nos mecanismos de buscas da internet, por isso recomendo que se façam pesquisas junto aos sites de instituições oficiais, como a ABNT e a ASTM (American Society for Testing and Materials).”

- POR UM PLAYGROUND EM CONFORMIDADE

“Os condomínios e os arquitetos devem, inicialmente, se atentar para o local onde vai ser instalado o playground. Ele deve estar livre de pilastras, de paredes com qualquer tipo de textura e os espaços entre as suas peças precisam obedecer às distâncias para brincadeiras e quedas de escorregador, escadas, cano de descida vertical etc. É o que está na NB 16.071, Parte – 5, pág. 8, item 4.7.5 - Espaço de Queda e Alturas de Queda Livre. O síndico deve exigir uma ART das instalações, informando que o playground está em conformidade com a norma. Já os fabricantes têm que fornecer um manual informando os controles periódicos necessários, com um checklist das verificações, ajustes e frequência da manutenção, a ser feita por empresa especializada.”

- COMUNICAÇÃO E SINALIZAÇÃO

“É preciso manter uma sinalização de quais usuários, por faixa etária, podem usufruir dos brinquedos. Informar ainda aos pais que aquele é um espaço não controlado por monitores do condomínio e que, portanto, um responsável deverá acompanhar sempre as crianças.”


Matéria publicada na edição - 239 - outubro/2018 da Revista Direcional Condomínios

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