Soluções de segurança no condomínio: Vizinhança Solidária, Inteligência e equipamentos

Escrito por 

Região de São Paulo que tem registrado aumento na criminalidade em 2018, os Jardins foram palco em setembro passado de uma reunião ainda incomum entre funcionários dos condomínios locais e oficiais da Polícia Militar do Estado. Organizado pelo síndico Luiz Roberto de Araújo, do Edifício Grenoble, o encontro teve o objetivo de orientá-los em relação ao Programa Vizinhança Solidária, recém-implantado no entorno da Alameda Sarutaiá, no Jardim Paulista.

Síndico Luiz
Roberto de
Araújo

Síndico Luiz Roberto de Araújo: O Vizinhança Solidária chega ao Jardim Paulista buscando a união entre os condomínios, a adesão dos porteiros e a parceria da PM

Administrador, empresário e membro do Conseg local, Luiz Roberto computou a presença de 31 profissionais, entre porteiros e zeladores, que foram orientados em relação aos procedimentos do programa e receberam certificado. “Foi o primeiro encontro do gênero da região, que tem registrado número muito elevado de furtos”, aponta. O programa iniciou em julho último e no princípio de setembro já reunia 18 prédios residenciais.

Mas havia pelo menos três anos que Luiz Roberto trabalhava pela união dos síndicos no bairro, promovendo reuniões periódicas no salão de festas do seu prédio, que administra há seis. O gestor realizou inúmeras melhorias no sistema de segurança do Grenoble durante o período, mas queria trazer para o entorno uma experiência que tem se espalhado com sucesso por toda Capital: A parceria entre os condomínios, o envolvimento dos porteiros e a criação de um canal direto com a PM para desenvolver um trabalho preventivo e diminuir os riscos de invasão.

Ele revela que a oficialização do Programa Vizinhança Solidária através da Lei Estadual 16.771/2018 deu novo impulso à iniciativa, já que agora está previsto o apoio das Companhias da PM que atendem aos bairros. Antes, isso dependia do posicionamento de cada comandante. “O Vizinhança Solidária representa uma proteção primária e os porteiros são os guardiões dos prédios, são eles que observam em primeira mão pessoas com atitudes suspeitas.”

Como em outros bairros da cidade, a orientação dada a eles é a de comunicar qualquer anormalidade aos colegas e a um dos tutores do programa; este tem a função de repassar a informação para a PM. A resposta tem sido rápida, porém, a principal mudança que o síndico já observa são as rondas mais frequentes e a aproximação dos policiais com os próprios porteiros. “É importante trazermos a PM para perto de nós, rompendo estigmas e distanciamento”, analisa Luiz Roberto, completando que os policiais designados para o programa estão preparados para atuar nessa filosofia.

O síndico diz que já organiza um segundo encontro de outros funcionários com a PM e que espera a adesão de mais vizinhos. Além de consolidar a rede de comunicação entre eles, a ideia é padronizar procedimentos e equipamentos. “Por exemplo, a orientação da PM é usar iluminação no padrão de luminescência branca.” No Grenoble, o síndico diz que a mudança já foi feita e que equipamentos de segurança, assim como grades (muro de vidro), portões e eclusas com intertravamento, entre outros, foram instalados há mais tempo. No momento, o condomínio prepara uma parceria com empresa para a instalação de novas câmeras, monitoramento e armazenamento das imagens na nuvem. O síndico pretende substituir as atuais 16 câmeras analógicas por 28 modelos digitais, além de introduzir um sistema de alarme perimetral. O Grenoble possui 44 unidades e equipe própria de controle de acesso.

VIZINHANÇA SOLIDÁRIA & UPGRADE NOS EQUIPAMENTOS – O Condomínio Signum Santana, na zona Norte da cidade, registrou quatro tentativas de invasão nos últimos anos, nenhuma bem-sucedida. “Em uma delas a pessoa conseguiu entrar, mas foi identificada e barrada”, afirma o gerente predial Maurício Fortunato. O Signum faz parte do Vizinhança Solidária do bairro, porém, Maurício observa que é indispensável o reforço dos sistemas do prédio e o treinamento dos funcionários (semestral). De acordo com a síndica Telma Regina M. Marinho (Na foto ao lado com Maurício), desde o final de 2016 o condomínio tem feito investimentos elevados para reforçar as instalações. A guarita foi blindada neste ano, o sistema biométrico é novo, assim como as 47 câmeras digitais, que substituíram 35 analógicas. O prédio pretende agora atualizar os interfones, de forma que os condôminos dos 48 apartamentos possam se comunicar entre si. O CFTV está integrado à cerca elétrica e aos alarmes.
RETROFIT NA PORTARIA & UPGRADE NOS EQUIPAMENTOS – O Condomínio Edifício Giordana, com apenas dez unidades, construído em 1975, trouxe sua fachada fronteiriça para o Séc. XXI, eliminando o posto do porteiro no hall social (modelo predominante nos anos 70) e trazendo-o para uma guarita blindada (Foto acima), protegida por novo gradil, eclusa, intercomunicação e passa-objetos. A modernização foi promovida pela síndica Glaucia La Regina, diante das mudanças por que passa a região, nas imediações da estação Vila Madalena do metrô. Sua própria rua exibe mais movimento de pessoas e veículos hoje, pela chegada de inúmeros empreendimentos residenciais. Para dar uma ideia da dimensão das mexidas, Glaucia lembra que quando assumiu a gestão do prédio, em 2005, não havia uma única câmera no local. Agora são 16, cujas imagens contam com o suporte de um serviço de monitoramento externo. No entanto, a síndica programa substituí-las por modelos digitais atualizados, de melhor resolução.
VIGILÂNCIA INTERNA, MAIS UMA FUNÇÃO PARA O CFTV – Aumentam os relatos de condomínios que têm instalado câmeras nos halls dos andares para coibir furtos de equipamentos de incêndio, como bicos de mangueiras e extintores. Mesmo que para isso a administração tenha que adquirir centenas delas. No Condomínio Conjunto Residencial Buena Vista, na Zona Sul de São Paulo, a síndica Lanuce Marta instalou mais de 200 câmeras nos andares das oito torres (Foto acima). “Tínhamos muito roubo de bico de mangueira, que acabou. As câmeras inibem esse tipo de ação, mas tomamos cuidado no seu posicionamento, de forma que não registrem a movimentação das portas dos moradores.” O condomínio dispõe de uma central de monitores exclusiva para esse circuito. O Condomínio Verte Belém, na Zona Leste, com 244 unidades, instalou 60 câmeras nos seus 15 andares, pelas mesmas razões, diz o então conselheiro responsável pelo projeto, Douglas Costa de Oliveira. Na época, 90% dos bicos dos hidrantes haviam sido subtraídos.

Matéria publicada na edição - 239 - outubro/2018 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.