“Todas soluções normatizadas são eficientes se utilizadas nos locais e condições corretas”

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Entrevista com o Eng. Civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi.

O engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi (foto ao lado), pós-graduado em tecnologia da construção de edifícios, entre outros, oferece na entrevista abaixo um painel geral sobre as principais causas dos problemas de impermeabilização e de como contratar soluções.

Direcional Condomínios – Qual o fator decisivo para o bom resultado do trabalho de impermeabilização?

Marcus Vinícius F. Grossi – “Para maior êxito no resultado de qualquer atividade é preciso que ela seja primeiramente bem planejada. No caso da construção civil, além do planejamento e cronograma, existe também o projeto, que será a fase em que a melhor solução de técnicas e materiais será pensada para o caso. Segundo Pichi1, embora no Brasil não haja estatísticas precisas sobre a incidência de problemas de impermeabilização, estima-se que 80% deles possam ser atribuídos a falhas de ‘detalhes’, como no encontro de ralos, com tubos ou outros obstáculos emergentes; na falta de arredondamento dos cantos; nos encontros com muros e pilares etc. A falta ou falha de projeto, ou falta de compatibilização entre projetos, também são causas frequentes, aponta Thomaz². Por consequência, e somando-se a uma mão-de-obra muitas vezes não qualificada, o sistema apresentará falhas e inevitável infiltração nos pontos mais frágeis (cantos, interface de elementos, locais com empoçamento d’água etc.). Quanto aos materiais, de maneira geral, no mercado brasileiro, as marcas mais usadas e conhecidas³ têm uma boa qualidade, e normalmente não dão problema, salve algum caso pontual.”

Direcional Condomínios – O mercado apresenta hoje soluções alternativas à manta asfáltica, quais seriam?

Marcus Vinícius F. Grossi – “Existem diversas soluções alternativas à manta asfáltica (impermeabilização flexível), como: Membranas asfálticas moldadas in loco (a quente ou a frio); mantas de PEAD, PVC e PDM; membranas de poliureia, poliuretano, elastoméricas e de resinas acrílicas4. Todas soluções normatizadas são eficientes se utilizadas nos locais e condições corretas, uma vez que são normatizadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e possuem métodos de caracterização de seu comportamento de forma a garantir seu desempenho quando aplicadas. Fazendo uma relação com a medicina, esses materiais são como remédios, e não cabe ao paciente (síndico / proprietário) ou farmacêutico (empreiteiro / construtor) prescrever o remédio a ser utilizado; cabe ao médico (engenheiro / arquiteto) realizar um diagnóstico e especificar qual é o mais indicado para o caso específico.”

Direcional Condomínios – Qual a eficiência do sistema de injeção?

Marcus Vinícius F. Grossi – “O sistema de injeção é muito eficiente na maioria dos casos de recuperação de estanqueidade de um sistema de impermeabilização flexível que veio a falhar. É bastante recomendável em casos de paredes de contenção de subsolos, lajes de pavimento térreo muito grandes, ou com jardineiras, ou quando o custo para remoção do revestimento e troca do sistema de impermeabilização é maior que o de injeção. Porém, deve-se tomar cuidado com o tipo de resina utilizada e a qualidade da mão-de-obra que vai aplicá-la. Ressaltando que ela é eficiente para a estanqueidade, mas não garante que o processo de corrosão seja interrompido, pois existem outros fatores que devem ser levados em consideração para esse tratamento, como a presença de íons cloreto, alcalinidade do concreto etc.”

Direcional Condomínios – Quais os erros mais observados em serviços de impermeabilização da superfície com manta?

Marcus Vinícius F. Grossi – “Falta de planejamento e projeto; má aderência com a base, muitas vezes por falta de limpeza e regularização; má aderência de emendas entre mantas; má execução de arremates em ralos e tubos emergentes; falta de ancoragem adequado em paredes; e falta de proteção mecânica após a execução do serviço.” Direcional Condomínios – E nos serviços de injeção? Marcus Vinícius F. Grossi – “Falta de planejamento e projeto; uso incorreto das resinas; e mal posicionamento dos bicos de injeção.”

Direcional Condomínios – E na impermeabilização de reservatórios d’água?

Marcus Vinícius F. Grossi – “Falta de planejamento e projeto; uso de sistemas de impermeabilização rígidos em reservatórios com emendas de concretagem malfeitas, trincas e sem isolação térmica em áreas de cobertura; má execução de arremates em tubos emergentes; danos ocasionados pelas empresas de desinfecção e limpeza.”

“De maneira geral, o sistema de impermeabilização ou qualquer outro da edificação necessita de análise de um profissional habilitado para sua correta intervenção (reparo, restauração, reforço, reforma). E mesmo que a primeira impressão seja de estar gastando mais dinheiro, a longo prazo esse custo se diluirá por evitar anomalias, retrabalhos e perda de durabilidade prematuramente. Vamos evitar que a tomada de decisão seja em função do menor preço, e passar a decidir pelo de maior custo-benefício." (Edição R.F.)

REFERÊNCIAS CITADAS:

¹ PICCHI, F.A. Impermeabilização de coberturas. São Paulo, Instituto Brasileiro e Impermeabilização (IBI) / PINI, 1986.

² THOMAZ, E. Tecnologia, gerenciamento e qualidade na construção. São Paulo, PINI, 2001.

³ Instituto Brasileiro e Impermeabilização (IBI). Lista de associados, São Paulo, 2019. Disponível em: https://ibibrasil.org.br/empresas-associadas/

4 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9575: Impermeabilização - seleção e projeto. Rio de Janeiro, 2010." Obras


gel
vinílico

Obras com aplicação de gel vinílico em fissuras de um subsolo de garagem (imagem abaixo); e da manta asfáltica aplicada em área de piscina (à esq.)


Matéria publicada na edição - 242 - fevereiro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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