Infiltrações no prédio, um quebra-cabeças para o síndico

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Quando o síndico começa a ver manchas d’água nas lajes, pilares, vigas e paredes/cortinas das garagens, de imediato ele pensa no impacto que isso poderá ter sobre o orçamento do prédio, já que esses sinais remetem a intervenções que costumam ser complexas.

A síndica Regina Nagamine e os engenheiros civis Rene Gomes (à esq. na foto) e Danilo Astur: Desafio logístico na impermeabilização de um caixão perdido

 

O fato é que as estruturas de engenharia são dinâmicas, se movimentam e sofrem a influência de elementos externos, desde um projeto mau executado na obra aos abalos provocados por árvores e suas raízes, entre muitos outros fatores. O quebra-cabeças está em desvendar as origens das infiltrações (variadas), escolher as soluções técnicas mais adequadas e conciliá-las com a disponibilidade financeira.

Em um empreendimento de dez anos localizado na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, este quebra-cabeças ganhou contornos de desafio logístico para a síndica Regina Nagamine. Uma inspeção de engenharia contratada pelo prédio associou as manchas pontuais e o pinga-pinga de água, que começara a surgir em uma das garagens do prédio, às:

- Condições precárias de um amplo vão (caixão perdido) situado entre o teto da garagem e a superfície da piscina externa, deck e jardins (Ver fotos na pág. ao lado); e,

- À perda de eficiência no sistema de impermeabilização da superfície externa desse setor, conforme indica o Relatório de Vistoria Técnica de Constatação realizado pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho, Rene Gomes.

Assim que começou a se deparar com os sinais de infiltração, a síndica Regina Nagamine quis investigar e agir logo para sanar o problema. Por isso a contratação do laudo, que ajudou a orientar a cotação da obra e seu planejamento em duas etapas, definindo-se a primeira para os serviços internos (no vão e na garagem), de forma que se pudesse manter a piscina em uso durante o verão.

1ª Etapa, o trabalho no caixão perdido

Com apenas 70 cm de altura, ventilação precária, falta de iluminação, estrutura de sustentação em madeira largada pela construtora, ralos que não encontravam destinação, sinais de infiltração por todos os lados, entulho e infestação de cupins, o vão exigiu uma organização de trabalho que possibilitasse aos funcionários da empresa de impermeabilização trabalharem com segurança e salubridade no local. Era preciso viabilizar a limpeza de todo esse setor e providenciar sua descupinização, para que se pudesse efetivamente executar os serviços de engenharia, que foram: A recuperação das estruturas afetadas; a remodelação do sistema de tubulações para ligação aos ralos (alguns superiores estavam sem conexão e havia um inferior tamponado); e aplicação de argamassa polimérica para impermeabilização (antes ausente) do piso. Para essa etapa da obra, ocorrida entre os meses de novembro do ano passado e fevereiro de 2019, o condomínio retirou cerca de cinco caçambas de entulho do espaço.

2ª Etapa, obras na superfície

O segundo momento da impermeabilização contratada pelo condomínio estava programado para iniciar neste mês de março, logo após a semana do feriado de Carnaval, envolvendo a superfície externa. Ali serão retirados os pisos (em pedra mineira) do entorno da piscina, para que se possa refazer todo o sistema de impermeabilização do local.“Identificamos no local desde manta não aderida à falta de proteção mecânica”, afirma o engenheiro Rene, que acompanha a execução dos trabalhos. A principal fonte das infiltrações se encontra na junção do deck de madeira com os espaços de piso e jardim, diz. O setor ficará interditado aos moradores até a conclusão desta fase dos serviços, prevista para o meio do ano. No total, o condomínio está investindo R$ 200 mil na obra.

FALHAS DESENCADEARAM CORROSÃO E INFILTRAÇÃO – Dez anos após a entrega do condomínio na Vila Mariana, a inspeção realizada pelo Eng. Civil e de Segurança do Trabalho, Rene Gomes, mostrou que as anomalias identificadas no sistema de piso, vão e laje entre a piscina e o teto da garagem superior decorrem da época de construção do prédio. O vão, de 70cm de altura e cerca de 200m2 de área, foi entregue ainda com a estrutura de madeira usada na armação da laje – ela deveria ter sido removida antes da constituição do condomínio. A imagem acima à direita mostra o caixão perdido com a sustentação em madeira, o que provocou a proliferação de cupins, degradação do ambiente e infiltrações diversas; na da esquerda, o espaço já limpo do entulho, sem cupins e com piso impermeabilizado. Com todo material antigo removido, foram executadas ligações de tubulações a ralos que não estavam interligados a nenhuma rede de escoamento, e aplicado material impermeabilizante na base.


Matéria publicada na edição - 243 - março/2019 da Revista Direcional Condomínios

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