Superfícies, coberturas e reservatórios: Sobre a execução de obras de impermeabilização no condomínio

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As imagens destacam a área trabalhada com manta asfáltica e acabamento em ladrilho hidráulico no condomínio da zona Oeste de São Paulo. A obra se encontra paralisada há cerca de dois anos; problemas de infiltrações na garagem continuam.

manta asfáltica
manta asfáltica
manta asfáltica

Para evitar que os síndicos enfrentem o risco de uma obra mal executada, a Direcional Condomínios entrevistou o engenheiro civil, de segurança do trabalho e perito judicial Rene Gomes. A seguir, o especialista deixa orientações para contratação e acompanhamento dos serviços com manta e argamassa polimérica semirrígida (caso dos reservatórios).

– GARANTINDO O DESEMPENHO DA MANTA

“O condomínio deve contratar empresas especializadas que executem os serviços em conformidade com as normas técnicas. Além disso, é imprescindível que contrate um profissional legalmente habilitado para supervisionar os trabalhos, de forma a garantir que todas as etapas sejam executadas, tais como:

  • Definição da espessura e tipo da manta (baseado em um projeto prévio);
  • Preparo da superfície;
  • Realização de caimento adequado para os ralos;
  • Realização dos reforços nos cantos, na altura dos rodapés, nos ralos e nas juntasde dilatação;
  • Execução dos testes de estanqueidade;
  • Execução de proteção mecânica, e;
  • Acabamento final da área.”

– MANTA EM ETAPAS, É POSSÍVEL?

“Sim, porém as etapas e emendas devem ser bem planejadas e executadas. Sempre que possível, recomenda-se separar as etapas por juntas de dilatação ou outras estruturas que delimitem bem cada uma dessas fases.”

– QUAL O PASSO A PASSO DA OBRA?

“Reforçando e/ou completando o que expusemos acima:

  • Definição do tipo de manta a ser utilizada;
  • Preparo e limpeza da superfície;
  • Regularização da superfície respeitando os caimentos mínimos (1%) para os ralos e arredondamentos dos cantos dos rodapés;
  • Aplicação de material para criar ponte de aderência do piso para a manta;
  • Aplicação da manta especificada incluindo os reforços de ralos e outras estruturas da edificação como juntas de dilatação, pilastras e outras;
  • Realização de teste de estanqueidade com no mínimo 72 horas de duração;
  • Realização de proteção mecânica;
  • Construção do contrapiso, e;
  • Instalação de revestimento final.”

– DRENAGEM: NECESSÁRIA?

“A captação de águas pluviais na cobertura e no solo deve ser realizada em conjunto com o sistema de impermeabilização. Seu desempenho adequado é essencial para garantir a vida útil da impermeabilização.”

– NAS COBERTURAS

“As coberturas das edificações são áreas que sofrem muita dilatação térmica e movimentações naturais de estrutura, na minha opinião o sistema de manta é o método mais adequado para estes locais. Mas, em conjunto, é preciso ter um piso armado bem executado, construído com juntas de dilatações compatíveis ao tamanho da área e um sistema de captação de águas pluviais bem projetado e executado. Lembre-se que estes locais devem passar por manutenções preventivas constantes e efetivas, como limpezas e tratamento de possíveis trincas ou fissuras.”

– RESERVATÓRIOS D’ÁGUA

“Para estas estruturas, o sistema de argamassa polimérica semirrígida com reforço de tela tem um bom desempenho e é adequado para uso em espaços confinados, reduzindo sensivelmente os riscos aos trabalhadores durantes a sua aplicação.”

A manutenção da impermeabilização

“Uma impermeabilização feita com critério e dentro das normas normalmente não exige grandes cuidados”, afirma o engenheiro civil Claudio Eduardo Alves da Silva. Segundo ele, o que precisa ser feita é a manutenção de rotina do sistema após a conclusão das obras, como:

- Verificar e limpar os ralos, tubulações de drenagem e bombas do sistema para evitar entupimentos. O mesmo vale para as calhas e rufos dos telhados;

- Realizar vistorias regulares, principalmente em períodos chuvosos, para se checar as tubulações de drenagem e identificar possíveis entupimentos como acúmulo de folhas, por exemplo;

- Fazer a verificação dos rejuntes do acabamento, para preservar o seu desempenho, mesmo que estes “não sejam responsáveis pela impermeabilização propriamente dita”;

- Tomar cuidado ainda com os pisos em argamassa de proteção da camada impermeabilizante, pois, algumas vezes, eles apresentam baixa resistência, ficando “pulverolentos”. “Essa falha provoca acúmulo de partículas de areia nos ralos e pode causar entupimentos”;

- “Por fim, não devemos nos esquecer da conservação das paredes, muros e muretas, bem como cuidados com adaptações no sistema hidráulico ou elétrico, que podem, inadvertidamente, provocar a passagem da água em dutos ou tubulações, penetrando por debaixo da manta de impermeabilização.”


Matéria publicada na edição - 244 - abril/2019 da Revista Direcional Condomínios

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