Onde estão os riscos elétricos para o prédio e os condôminos?

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Dados da Abracopel apontam que 536 incêndios ocorreram em edificações brasileiras no ano passado, 80% deles dentro dos imóveis (com 59 mortes).

Síndica Eliane Bezerra
Martins

Síndica Eliane Bezerra Martins: Mesmo com retrofit elétrico em andamento, precisou advertir condômino que tentou mudar instalação no centro de medição

Síndica orgânica desde 2014 do Condomínio Edifício Tropical, prédio de 1963 com 38 apartamentos localizado na Barra Funda, em São Paulo, Eliane Bezerra Martins enfrenta um histórico de tentativas de moradores interferirem no centro de medição para “aumentar” a carga em suas unidades.

Quando assumiu a gestão, encontrou inúmeras ocorrências de curto-circuito nas prumadas e o centro de medição bastante alterado pelos condôminos. Ao longo do tempo eles instalaram no local disjuntores de até 100 ampères contra uma capacidade de, no máximo, 32 ampères por unidade. Na época, Eliane contratou serviços para corrigir as distorções e restringiu o acesso ao local a profissionais qualificados e autorizados.

Mesmo assim, houve pelo menos duas tentativas de modificação indevida por condôminos, uma mais recente. O dono do imóvel chegou a acionar a polícia porque a síndica não liberou a chave do centro de medição – ele queria trocar o disjuntor ligado à rede de seu apartamento, com maior amperagem. “A polícia foi embora. As pessoas não colaboram mesmo sabendo da necessidade de completarmos os serviços de retrofit”, se indigna a síndica.

Em 2018 o prédio teve todas as suas prumadas substituídas, percorrendo um novo circuito, parte delas pelo antigo duto da lixeira, outra parte por conduítes externos. A mudança do cabeamento foi até o quadro interno dos apartamentos. Neste mês, a síndica irá realizar assembleia para deliberar sobre a continuidade do retrofit, agora no centro de medição.

O Edifício Tropical tem projeto de aumento de carga já aprovado pela concessionária de energia. De acordo com Eliane, as novas prumadas deixam hoje o prédio em uma situação bem mais segura que a de cinco anos atrás, mas enquanto não houver a modernização das demais instalações elétricas, os moradores deverão respeitar a capacidade instalada.

PACOTE COMPLETO DE SEGURANÇA - Também a síndica Maria das Graças Amaral de Mello (foto) mora e administra um prédio antigo, o icônico Condomínio Cinderela, construído nos anos 50 por João Artacho Jurado no bairro de Higienópolis, em São Paulo. “Nunca tivemos AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), estamos desde 2016 investindo em adequações para regularizarmos essa situação, o que inclui a parte elétrica”, afirma. Com 34 unidades (hoje transformadas em 29), 11 andares e dois blocos, o Cinderela acaba de ganhar instalações para bomba de incêndio. Concluiu há pouco a modernização do centro de medição. Este permaneceu no hall térreo de serviço, mas foram eliminados os setores com os relógios mais baixos (o que contrariava norma de segurança do trabalho) e se ampliou o número de caixas, passando de 8 para 6 o número de medidores em cada uma delas. Na região, os transformadores da rede púbica são subterrâneos, situação que demanda intervenções um pouco diferentes na entrada de energia do prédio. O projeto aprovado junto à concessionária prevê aumento de carga e sistema trifásico, o que exige adaptação em cada apartamento. Segundo Maria das Graças, a próxima etapa será substituir o cabeamento das prumadas, pois, diferente de muitos prédios de sua época, no Cinderela o caminho original poderá ser reaproveitado. Enquanto a administração não concluir as alterações, cada morador, se quiser usufruir de nova carga em sua unidade, poderá arcar com a substituição da respectiva prumada, desde que o serviço seja aprovado pelo condomínio e o responsável técnico pelo retrofit.


Matéria publicada na edição - 244 - abril/2019 da Revista Direcional Condomínios

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