Portaria & A inteligência tecnológica na segurança do condomínio

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A portaria virtual e demais modelos de controle de acesso passam por constante inovação. É a inteligência tecnológica à serviço da segurança, através da integração entre equipamentos, internet, softwares, imagens e dados do fluxo de pedestres e veículos.

síndico
Danillo Aguiar

O síndico Danillo Aguiar acaba de implantar a portaria virtual, que melhorou o atendimento em relação ao sistema presencial

Faz pouco mais de cinco anos que o tema da portaria virtual, formato em que um funcionário realiza atendimento remoto, à distância, através da central de uma empresa, começou a ter destaque no mercado e, consequentemente, nos órgãos da mídia.

A partir daí a solução passou a conquistar os síndicos, notadamente os gestores de prédios com poucas unidades, baixa arrecadação e despesas elevadas, mais pelo viés econômico que propriamente pela segurança e a tecnologia. Afinal, neste modelo, e até mesmo na portaria automatizada (acionada somente pelo morador), os custos caem significativamente para os condomínios.

E conforme esses modelos foram implantados e aperfeiçoados, o conceito cresceu, se aprimorou e incrementou as adesões. Pois a inteligência tecnológica pressupõe, sobretudo, a aprendizagem do mercado com suas próprias experiências e as da concorrência, o que possibilita melhorias constantes no sistema. Isso é possível ainda pelo suporte de equipamentos eletrônicos de última geração (a exemplo de câmeras que hoje armazenam imagens); de plataformas com maior capacidade de memória, como os smartphones dos usuários; e da internet de banda larga, com a troca veloz de dados, sons e imagens.

O síndico Danillo Aguiar acaba de implantar a portaria virtual no Condomínio Turandot, de torre única e 16 unidades, localizado no Morumbi, zona Sul de São Paulo. O modelo começou a ser discutido há um ano, quando “a situação financeira do condomínio era falimentar”, lembra Danillo, então conselheiro. Profissional da área de TI em um banco, ele se encarregou de pesquisar a troca do modelo de controle de acesso do condomínio, antes presencial e com equipe de quatro porteiros. O prédio tinha ainda o zelador e uma auxiliar de limpeza.

“Pensamos na automatização, mas desistimos porque o equipamento do prédio ficaria logo defasado e, periodicamente, teríamos que reinvestir no sistema. Na portaria virtual, incluímos no contrato a cláusula de inovação tecnológica”, observa Danillo, que se tornou síndico há seis meses.

O sistema começou a operar neste ano, depois de uma breve fase de transição. O condomínio dispensou a equipe própria, contratou outro zelador e selou o contrato com empresa de portaria virtual, que se encarregou de financiar os custos. Se antes a folha de pagamentos absorvia 60% da arrecadação do prédio, com a portaria virtual caiu a cerca de 15%, compara. A economia permitiu ao Turandot fazer investimentos na sua manutenção e até reverter a estagnação imobiliária – “O prédio voltou a ter procura para compra ou locação”, afirma o síndico.

Entre as medidas adotadas para viabilizar a portaria virtual, Danillo ressalta o incremento na tecnologia, palestras e orientação aos moradores e ampliação das tarefas do zelador (como receber correspondências e encomendas no horário comercial).

Transição

“A transição com os moradores é a parte mais delicada. Os mais conservadores acham que o prédio vai ficar desvalorizado e inseguro. No começo, eu também estava cético sobre como iria funcionar, mas na primeira semana já vi que o atendimento é melhor que no presencial.” Entre outros, o síndico ressalta que:

- Os funcionários da central à distância fazem um atendimento mais profissionalizado;

- O síndico não precisa se preocupar com faltas ou atrasos, a reposição dos quadros que atendem o condomínio é automática;

- Há proatividade e antecipação da empresa quando se vislumbram eventuais falhas, além da assistência técnica; e, por fim,

- No contrato, Danillo estabeleceu o “Acordo de Nível de Serviço” (ou SLA – Service Level Agreement), com parâmetros de atendimento e de tempo de resposta aos chamados do condomínio.

Os novos procedimentos internos do prédio preveem cadastro de todos moradores, assim como de funcionários regulares, com biometria e/ou tag; senha e contrassenha no botão de pânico do controle remoto de acesso à garagem; cadastro prévio de listas de convidados para festas dos condôminos; e atendimento realizado sempre, em primeira mão, pela central. Somente ela libera ou não o acesso de visitantes e prestadores de serviços, exceto aqueles previamente cadastrados.

Quanto aos equipamentos, o condomínio, que tinha apenas 4 câmeras, instalou 16 modelos HD com tecnologia TCP IP (transmissão de dados via internet); reformou o gradil da frente do prédio e implantou eclusas; providenciou 4 holofotes para a área externa e um para a de piscina; modernizou a proteção perimetral com nova cerca elétrica; adquiriu nobreak; e fez duas assinaturas de internet de banda larga.

Balanço de 3 anos

Para a síndica Maria da Conceição Campello de Souza Galli, que há quase três anos implantou a portaria virtual no Condomínio Mont Blanc, na Saúde, zona Sul de São Paulo, o modelo deu certo e os moradores estão “bem adaptados”. “Tivemos nesse período alguns episódios com moradores retidos na eclusa, em um deles fiquei presa meia hora, pois houve uma queda violenta de energia na região e o nosso sistema de baterias não funcionou. No entanto, a portaria virtual nos possibilitou ficar três anos sem reajuste do rateio e acabaram os problemas de faltas e conflitos com funcionários”, descreve. Sem ocorrências na segurança e com dinheiro para investir na manutenção do prédio, Maria da Conceição acaba de ser reeleita para mais dois anos como síndica do Mont Blanc.


Matéria publicada na edição - 245 - maio/2019 da Revista Direcional Condomínios

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