Recuperação de argamassas especiais e/ou acabamentos artísticos nas fachadas dos prédios

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Prédios revestidos com argamassas decorativas (monocapa), já caracterizando o acabamento da fachada, estão presentes em bom número hoje na paisagem urbana. Porém, para que mantenham um bom resultado estético ao longo do tempo, esses revestimentos precisam ser bem trabalhados tanto durante a fase da obra quanto na manutenção posterior, afirma o engenheiro Jorge Aranda González, das áreas Civil Industrial e de Segurança do Trabalho.

Recuperação de argamassas especiais

Processo de recuperação e pintura de edifício com acabamento em composto mineral. Beirais e pergolado estão sendo recompostos

Recuperação de argamassas especiais

“A monocapa demanda aplicação técnica inicial criteriosa, atendendo-se ao padrão de espessuras recomendadas pelo fabricante, que oferece treinamento prévio da mão de obra da construtora; é um tipo de material que possui aditivos originalmente voltados à sua preservação, mas se mal aplicado, poderá prejudicar o revestimento”, observa o engenheiro. Já na fase da manutenção e/ou recuperação dessas estruturas em condomínios consolidados, é preciso que também o prestador realize um serviço criterioso, mapeando toda a superfície e removendo setores inteiros (“de friso a friso”) quando houver necessidade de restauro.

Em condomínio localizado na região Oeste de São Paulo, o engenheiro acompanha a recuperação da fachada de um prédio de torre única finalizada com argamassa mineral no padrão travertino. O condomínio possui uma unidade por andar e 20 anos de implantação. Segundo Jorge, como o material é projetado na pigmentação final da fachada, realizou-se um teste de cor, com a finalidade de se obter uma tonalidade o mais próxima possível do original para a tinta acrílica fosca que está sendo empregada na obra.

As fases do trabalho envolveram teste de percussão e tratamento de trincas e fissuras. No pergolado fronteiriço do prédio, assim como em alguns beirais decorativos, havia inúmeros pontos com dilatação da argamassa e ‘desplacamento’. “Isso foi gerado pela falta de rufos; com o tempo, a água penetrou na estrutura, o que provocou um processo de corrosão da armação”, explica. Com isso, foi preciso remover e refazer essas áreas a partir do emboço.

Depois da conclusão dos trabalhos, o condomínio deverá ficar atento à manutenção de rotina do sistema, com lavagem a cada dois ou três anos, recomenda o engenheiro. Ele sugere ainda a instalação dos rufos no pergolado e beirais.

Beirais & desafios à obra

Cristóvão Luís Lopes no Condomínio Belle Époque. Nas imagens abaixo, detalhes de duas torres, mostrando a recuperada (abaixo, à dir.) em comparação com setor ainda não trabalhado (abaixo, à esq.)

Cristóvão Luís Lopes

Condomínio Belle Époque

Durante anos, Cristóvão Luís Lopes buscou fornecedores que dessem a melhor solução para superar um beiral sobressalente artístico no alto das três torres do Condomínio Belle Époque, possibilitando, assim, a descida e o acesso do chamado “fachadeiro” à alvenaria da fachada. Com acabamento em argamassa mineral, os prédios possuem essa estrutura robusta no alto, formada por isopor e gesso. “Ao descer com as cadeirinhas, o funcionário fica a três metros de distância do pano. Por isso, houve necessidade de se instalar pontos de ancoragem na superfície, de forma que o ‘fachadeiro’ pudesse trabalhar”, diz Cristóvão. Segundo ele, foi impraticável recorrer ao balancim [plataforma elevatória utilizada como acesso para a execução da obra em altura], “porque temos unidades garden no primeiro andar”.

O condomínio está localizado no Alto de Pinheiros, em São Paulo. No local, Luís Lopes atua como gerente predial; ele é síndico profissional em outros oito residenciais. O Belle Époque vinha recebendo manutenção da fachada a cada cinco anos (lavagem), mas chegou um momento que a assembleia dos coproprietários decidiu bancar a obra de recuperação e pintura, orçada em quase R$ 1 milhão. Afinal, são 35 mil metros quadrados de superfície, com conclusão prevista para o final do semestre.

Para a obra na fachada, o condomínio exigiu do prestador que se fizesse “uma planta com as ocorrências verificadas durante o teste de percussão”. Também estabeleceu como pré-requisito para fechamento do contrato que não se incluíssem serviços adicionais durante os serviços, de forma a “evitar surpresas”. A tinta que está conferindo a tonalidade das torres foi desenvolvida em uma pigmentação exclusiva para o condomínio, depois que o fabricante realizou testes em uma amostra da fachada retirada durante o teste de percussão.


Matéria publicada na edição - 245 - maio/2019 da Revista Direcional Condomínios

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