Avanços na geração distribuída de energia solar fotovoltaica em condomínios

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Síndico analisa eficiência dos sistemas a partir de experiência que implantou no Edifício Flamboyant, residencial localizado na zona Sul de São Paulo. Segundo ele, o avanço tecnológico possibilita hoje "aproveitar praticamente qualquer espaço reduzido das edificações para produzir a própria energia e escapar dos aumentos e custos elevados na conta de luz".

Após 8 anos da publicação da Resolução 482 da Aneel, que permitiu aos consumidores cativos de energia elétrica instalar seus próprios geradores de energia e emprestar o excesso de energia produzida para as concessionárias, temos mais 50 mil sistemas de geradores fotovoltaicos instalados que contribuem para uma importante redução no custo dos consumidores, bem como para uma diminuição da dependência das usinas centralizadas.

Apesar do avanço do setor, o Brasil ainda está muito atrás de outros mercados mais consolidados como Austrália, Europa e EUA. Este último possui mais de 1,5 milhão de sistemas instalados. Muito dessa defasagem se deve ao fato dos ainda poucos incentivos à adoção dessa tecnologia para consumidores de todas as classes, mas, há também uma lacuna na quantidade de informações levadas ao público geral sobre as possibilidades tecnológicas e avanços obtidos nos últimos anos.

A maior parte dos projetos implementados no Brasil usa a tecnologia de inversores de string, nos quais vários módulos fotovoltaicos são ligados em série e, no final, esta série, também chamada de arranjo (o que temos no Edifício Flamboyant), é ligada ao inversor que gerencia a energia produzida por todo esse conjunto. Leia mais sobre a experiência do Flamboyant em Energia fotovoltaica completa kit sustentabilidade em condomínio e Síndicos mostram como tornar o prédio sustentável.

O custo desta solução tem caído drasticamente desde a publicação da RES 482, porém, trata-se de uma tecnologia antiga, cuja maior limitação é que o arranjo funciona como um único painel fotovoltaico. Caso haja alguma sombra, cobrindo um único módulo, o arranjo inteiro será afetado, já que estão ligados em série.

Aperfeiçoamento

Visando aperfeiçoar a arquitetura de inversores de string, o mercado vem desenvolvendo boas soluções que podem ser aplicadas em ambientes com sombreamento complexo, como condomínios verticais. São elas:

- Tecnologia de Microinversores: Nesta arquitetura não há um inversor central, mas, sim vários microinversores, onde cada um é ligado em um ou dois módulos. A vantagem clara aqui é que qualquer sombra sobre um módulo só afetará a produção de energia daquele par de módulos e não o conjunto inteiro da instalação. Isso garante uma maior produção de energia em locais com sombreamento diverso. A desvantagem é que cada microinversor tem a funcionalidade completa de um inversor central e, portanto, acarreta um custo muito elevado dos projetos médios e grandes.

OBS. O sistema do Flamboyant é de pequeno porte e isto elevaria o custo e, consequentemente, o payback do projeto, mas logo mais isso será viável pela redução constante dos valores no mercado.

- Tecnologia de Otimizadores com Inversor: Esta tecnologia aproveita o melhor das duas soluções anteriores. Os otimizadores de potência gerenciam a energia produzida em cada módulo de maneira individual, de modo que um módulo não afeta a energia produzida pelo o outro. O inversor central nesta tecnologia faz o papel de transformação da energia vinda dos otimizadores para o padrão aceito pelas concessionárias de energia. Desta maneira, temos uma produção ótima de energia em ambientes com muito sombreamento, além de um custo competitivo para projetos médios e grandes.

Além dessas tecnologias de inversores, temos também uma melhora significativa na potência dos módulos. Hoje já existem módulos com mais de 400 watts de potência de saída.

OBS. As placas do Flamboyant são de 270 watts com geração somente a pontos de sol e luminosidade e não dos dois lados, sendo que já fizemos uma atualização há cerca de 18 meses, pois tínhamos 52 placas com 135 watts cada e, no mesmo espaço, hoje temos 28 de 270 watts. Além da chegada neste ano de 2019 dos módulos bifaciais, que produzem energia a partir da luz do sol incidente diretamente sobre a superfície, bem como a partir daquela luz refletida no solo na parte traseira dos módulos. Ambos avanços significam maior produção de energia por área instalada.

Por último, já é possível utilizar rastreadores da luz do sol em telhados e lajes. Esses equipamentos fazem o acompanhamento da posição do sol ao longo do dia e do ano, ajustando a face dos módulos de acordo. Isso aumenta ainda mais a produção de energia por área.

Futuro

Com todos esses avanços é possível aproveitar praticamente qualquer espaço reduzido das edificações para produzir a própria energia e escapar dos aumentos e custos elevados na conta de luz.

Quanto mais informações estiverem disponíveis para os consumidores, maior será a possibilidade de aproveitamento do recurso solar para gerar sustentabilidade econômica ambiental, principalmente nas grandes cidades.

Luciano Gennari

Luciano Gennari

É síndico do Condomínio Edifício Flamboyant, no Jardim Ampliação, Zona Sul de São Paulo.

Matéria publicada na edição - 245 - maio/2019 da Revista Direcional Condomínios

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