O síndico e a gestão sustentável do condomínio

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Entre as suas principais atribuições, o síndico deve zelar pelo meio ambiente. Nesta edição comemorativa do dia 5 de junho, a Direcional registra iniciativas de economia de energia e água, além de um trabalho de reciclagem de bicicletas.

síndico Ricardo
Campoi

O síndico Ricardo Campoi no Residencial Tuiuti: Filtros capacitivos para reduzir consumo de energia, estabilizar rede e diminuir custo de manutenção de equipamentos

A sustentabilidade tornou-se estratégica na administração do condomínio, pois é uma visão que procura conciliar eficiência, qualidade e economia, trazendo vantagens para a gestão orçamentária e o meio ambiente. Síndicos e administradores reportam que ajustes nas instalações dos prédios e medidas de conscientização podem reduzir os gastos com consumo d’água, energia e gás de 20% a 40%. É o caso das medidas sustentáveis implantadas pelo síndico Ricardo José Compoi Dias no Condomínio Residencial Club Tuiuti.

Empreendimento de 28 mil m2 localizado no Tatuapé, zona Leste de São Paulo, o Tuiuti possui seis torres e 624 unidades. Completará 12 anos de implantação no próximo mês de agosto, exibindo um acervo de cerca de 400 espécimes vegetais, entre eles um pomar que está sob os cuidados de um morador; água de reuso com capacidade de armazenagem de 80 mil litros; individualização de água e gás; horta; e um poço artesiano que entrará em breve em operação, depois de implantado um complexo sistema de tratamento da água.

Mas é no consumo de energia que os números chamam atenção, por associarem baixo investimento com economia e tecnologia. No caso, o síndico e o conselho do residencial decidiram instalar filtros capacitivos em sete pontos de distribuição de energia dos centros de medição do condomínio, em setembro de 2018. Fabricados no Brasil, esses filtros atuam como dispositivos de proteção contra surtos e distúrbios elétricos até uma carga de 680 volts, superior aos DPS convencionais.

Segundo Ricardo Campoi, a região do condomínio apresenta grande instabilidade na rede elétrica, por isso se buscou o sistema. “Com os filtros, acabaram os problemas com queima de placas de comando de elevadores”, exemplifica (são 19 desses equipamentos no local). Mas como o filtro tem a propriedade de drenar as impurezas da rede, direcionando-as para o aterramento, essa ação, além de protetiva, reduz o registro de quilowatt consumido, baixando a conta mensal. De acordo com Pedro Leonel da Costa Junior, da empresa fornecedora dos equipamentos, a redução no consumo de energia vai de 8% a 20%, média anual.

No Tuiuti, a economia chega a quase 30% sobre o valor total da conta de consumo das áreas comuns. Esta já havia sido reduzida em 2017, com a instalação de lâmpadas LED na garagem (a reposição por LED de lâmpadas queimadas é feita gradualmente em outras áreas comuns). A tabela abaixo mostra a evolução comparativa das contas desde 2017.

Valores da conta de energia condomínio Residencial Club Tuiuti

2017
Antes da instalação
do LED

R$ 54 mil

2018 (Agosto)
Com o LED, mas antes dos filtros capacitivos
R$ 48 mil
2018 (Novembro)/2019
Valores médios mensais após os filtros
De R$ 31 mil a R$ 34 mil

De acordo com Ricardo Campoi, o valor mensal de locação dos filtros equivale a cerca de 20% do total economizado. Com a soma dessas medidas, a estimativa do síndico é que o consumo de energia caia quase 200 mil quilowatts ao ano no condomínio. A economia vem ainda com a manutenção, pois “os filtros ajudam a manter a vida útil dos equipamentos”. Síndico orgânico no local há cinco anos, e profissional em outros três residenciais da região, Ricardo Campoi pretende levar a experiência para os demais prédios.

Por fim, no Tuiuti ele também computa redução de custos com a água, cujo consumo foi reduzido de uma média de 15 mil m3 para 11 mil m3 depois da individualização e do sistema de reuso.

Síndica Simone Alonso Kishiue RECICLAGEM DE BIKES – A Síndica Simone Alonso Kishiue (foto) adota inúmeras medidas de sustentabilidade no condomínio onde mora e que administra há dois anos, na zona Oeste de São Paulo. Entre elas, destaca-se, por ser ainda pouco usual, um trabalho de recadastramento de todas as bicicletas que encontrou em bicicletários na garagem ao assumir. Com duas torres e 96 unidades, o residencial tinha algumas delas paradas havia muito tempo. Depois de um trabalho cuidadoso de comunicação com os condôminos e ex-moradores, Simone pôde então finalmente doar oito delas, sem donos, devidamente higienizadas, para o Instituto Aromeiazero de São Paulo (que realiza um trabalho social com as bicicletas). No condomínio, ficaram 62, devidamente cadastradas e identificadas.

Matéria publicada na edição - 246 - junho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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