Algumas causas de degradação da fachada

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Vícios construtivos podem acelerar ou acentuar a perda da integridade do sistema da fachada. Mas não só, por mais bem construída que seja, a fachada irá, em algum momento, apresentar diferentes manifestações patológicas devido a um desgaste natural.

Conforme a chamada “Norma de Desempenho”, a ABNT NBR 15.575- 1/2013, o sistema de vedação vertical externa (fachada) possui um tempo de vida útil previsto de cerca de 40 anos. Isso não significa que a parte do revestimento, por exemplo, possa dispensar a manutenção preditiva, preventiva ou corretiva, já que a função destas é justamente fazer com que o sistema mantenha a funcionalidade ao longo da vida útil.

No caso dos revestimentos, o engenheiro civil Marcus Vinícius Fernandes Grossi aponta que eles (argamassas, texturas, cerâmicas etc.) devem garantir:

1 – Um desempenho térmico e acústico mínimo;

2 – Resistência mecânica;

3 – Estanqueidade (Proteção contra infiltrações d’água); e,

4 – Aspecto estético externo.

No caso de quedas frequentes de parte do revestimento, é possível que a fachada esteja com problemas de aderência e/ou estruturais. É preciso investigar, checar se falta manutenção, se as causas vêm da época da construção do prédio ou se a edificação se encontra no final de sua vida útil. “Quem mora em prédio antigo precisa ter essa preocupação de fazer uma reserva orçamentária para o restauro”, exemplifica o engenheiro. Ele ilustra ainda que estruturas “em balanço” apresentam mais ocorrências de movimentação, gerando quantidade maior de fissuras, trincas e desplacamentos, entre outros.

Portanto, há situações em que “remendos pontuais não funcionam”, é preciso “reforço estrutural e/ou das camadas de proteção”.

Para fazer com que a fachada desempenhe todas as funções previstas para o sistema, dentro de sua vida útil, torna-se fundamental providenciar a lavagem, recuperação e pintura aproximadamente a cada cinco anos, enfatiza Marcus Grossi. “Com o tempo, a superfície agrega sujidades, especialmente em São Paulo, que possui o fenômeno da chuva ácida. Esta faz com que a fuligem grude na camada de revestimento. Além disso, o pH ácido da chuva e a incidência da radiação solar geram uma reação que ‘quebra’ os polímeros da pintura; esta deixa de ser estanque, favorecendo a umidade. A partir daí começa a ocorrer a degradação do revestimento ou até mesmo da estrutura. Se chegar neste ponto, não adianta mais somente pintar”, analisa o engenheiro.

Segundo o especialista, além dos desplacamentos, síndicos e condôminos devem ficar atentos a outros sinais de degradação, como fissuras, trincas, manchas, desagregação e deformações. “No caso da fissura ou trinca pode ser superficial e não apresentar riscos imediatos, mas é algo que está indicando problema. É importante verificar se irá progredir ou não, de qualquer forma, deve ser tratada.” Marcus Grossi reitera um alerta que vem dando aos síndicos nos artigos que escreve para o portal da Direcional Condomínios e nas entrevistas para a revista: A falta de um planejamento de manutenção do condomínio, incluindo as fachadas, “aumenta exponencialmente o custo posterior de recuperação da edificação”.


Matéria publicada na edição - 246 - junho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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