Aqui, o retrofit só está começando

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A movimentação de obra no Condomínio Edifício Cervantes, no bairro da Consolação, área central de São Paulo, ainda não era muito visível no começo do mês passado, pois as equipes estavam trabalhando as superfícies dos três fossos de ventilação, internos ao prédio. Com torre única e 198 unidades, a maioria de um dormitório, o Cervantes foi construído em princípios dos anos 70 e corre agora em busca da modernização, começando pelo retrofit da fachada, a ser executado ao longo de todo este semestre.

retrofit na fachada
retrofit na fachada
retrofit na fachada
retrofit na fachada

Nas imagens, o síndico Helio Gomes e a arquiteta Geórgia E. Z. Gadea: O retrofit na fachada é o primeiro de outros que serão feitos na sequência, reposicionando o conceito do prédio na região. As fachadas da frente e do fundo têm acabamento diferenciado. No detalhe, o teste das novas cores

O objetivo é acompanhar as transformações do entorno (o edifício está bem próximo do Shopping Frei Caneca e cercado de empreendimentos novos), além, é claro, fazer a manutenção e dar segurança para os moradores. “Contratamos antes uma inspeção predial com a arquiteta Geórgia E. Z. Gadea, que depois apresentou o projeto do retrofit. A fachada é a primeira de uma série de intervenções que pretendemos fazer”, afirma o síndico Helio Gomes Junior, morador do condomínio que assumiu a gestão em 2017. Um retrofit elétrico, com aumento de carga, seguirá quase paralelo ao da fachada. Estão previstas ainda, em médio prazo, obras de impermeabilização e de mudança da guarita e do gradil.

“Tudo isso agrega em segurança, atualização estética, tecnológica e, consequentemente, em valorização”, analisa a arquiteta Geórgia. Para a fachada, a especialista se deparou com duas situações distintas: Na frente, o prédio tem acabamento em pastilhas multicoloridas, com colunas em alvenaria. Já nos fundos, a superfície é toda alvenaria. Com vários pontos em desplacamento, o condomínio optou por arrancar as pastilhas e instalar cerâmicas modernas, um pouco maiores (10 X 10 cm) e a um custo menor, afirma. Segundo Geórgia, as peças maiores “diminuem os espaços com rejunte, portanto, de infiltração”. Na alvenaria, ela propôs mudança de cores, cuja simulação foi realizada na própria fachada.

A expectativa do síndico e do corpo diretivo é renovar conceitualmente o Cervantes. “Na frente, as pastilhas terão uma tonalidade cinza claro mesclado, combinando com os elementos do prédio, como o mármore do piso e das colunas do hall”, descreve a arquiteta. Os pilares verticais em alvenaria ficarão “off white”. Nos fundos, o peitoril (sem pastilhas) ganhará o tom “cinza urbano”. Paralelamente, o condomínio está orientando, a critério de cada unidade, a troca das esquadrias dentro de um padrão compatível com a revitalização.

“O maior desafio para o síndico em uma obra dessa é a aprovação dos condôminos, pois as pessoas não querem mexer, fazer nada. Busquei algo que fosse viável para todos, uma ‘chamada’ por dois anos que custa uma pizza em média, mesmo assim, enfrentei resistências no começo, fizeram até pesquisa de meu nome em cartório. Mas hoje as coisas já estão diferentes, o ‘bochicho’ parou porque elas estão caminhando”, relata Helio. Após a conclusão dos fossos, serão instaladas plataformas para a execução dos trabalhos na frente e nos fundos, execução que terá o acompanhamento da arquiteta, com previsão de término em princípios de 2020.

Fotos: Rosali Figueiredo


Matéria publicada na edição - 247 - julho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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