“Empenas cegas” dão lugar ao muralismo em condomínio de SP

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Quem trafega pela área central de São Paulo, o Elevado Presidente João Goulart (“Minhocão”) e a região da Av. Paulista tem se familiarizado com a presença de manifestações artísticas, conhecidas como muralismo, sobre as empenas cegas dos edifícios.

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Painel artístico do Condomínio Antonina, no centro de São Paulo, o primeiro dentro do Projeto Aquário Urbano. O condômino Felipe Raposo de Medeiros fez a ponte entre produtor, o artista e a síndica do prédio

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Uma das mais recentes é a pintura da lateral do Condomínio Edifício Barão de Antonina, localizado na Rua Major Sertório, já próximo da Av. Ipiranga. Ela foi executada pelo artista Felipe Yung, que assina como Flip ou Flipon, dentro do Projeto Aquário Urbano.

É a primeira das 15 intervenções que o projeto pretende executar nas imediações da Ipiranga, perto do Edifício Copan, com murais em elementos marinhos, com a ideia de delimitar uma área circular, em 360º, projetando a percepção de um aquário sobre as pessoas que passarem pela região. O projeto é conduzido pelo produtor Kleber Pagú, que já atuou com outras iniciativas, incluindo algumas com o artista Eduardo Kobra. No momento, ele conta com o apoio de um fabricante de tintas e de uma empresa de locação de equipamentos para oferecer gratuitamente a intervenção aos prédios.

No Antonina, o condômino e ex-conselheiro Felipe Raposo de Medeiros fez a intermediação do projeto com a síndica Vanda Bossan e os demais moradores. A proposta foi aprovada ainda em 2018. De acordo com a síndica, os moradores do Barão de Antonina “sentiram-se honrados” pela escolha do prédio para o início do projeto Aquário Urbano, “o resultado agradou a todos, o belo trabalho do artista teve aclamação unânime”.

A empena cega do Antonina, prédio construído no final dos anos 50, foi tratada pelo produtor antes da intervenção artística. Pagú bancou esses custos, assim como a mão de obra e o seguro, com a condição de que não se remova o mural nos próximos cinco anos. Para as demais intervenções ele está em busca de patrocínios.

Painel ajuda a combater pichação

Um dos moradores do Antonina, o panamenho Rogélio Montenegro é síndico do Edifício Santa Rosa, na esquina da Alameda Santos com a Rua da Consolação, e acabou contratando um painel artístico com o produtor Pagú para a face do prédio voltada para a Av. Paulista. “Achei muito legal a ideia do Antonina e quis trazer a experiência para o Santa Rosa, pois para um síndico, é melhor ter a empena com obra de arte do que pichação, situação que tínhamos antes”, compara.

No corredor que vai do começo da Av. Rebouças, passando pelo Santa Rosa, e segue até a Praça Roosevelt, no Centro, o produtor Pagú conta dez painéis em empenas cegas de prédios, de autorias diversas.

Fotos: Rosali Figueiredo


Matéria publicada na edição - 247 - julho/2019 da Revista Direcional Condomínios

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