Retrofit das áreas comuns, uma “virada” no conceito do condomínio

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Em geral, as obras acontecem em etapas, mas com paciência e esforço para arcar com os custos, o condomínio renasce enquanto conceito estético e de uso das áreas comuns. Estas foram transformadas em um valorizado ambiente de socialização dos moradores.

Síndica Mari
Ester Golin

Síndica Mari Ester Golin: "Essa é a parte onde os condôminos conseguem enxergar os resultados"

A primeira grande transformação ocorrida no Condomínio Edifício Marina, na Vila Mariana, zona Sul de São Paulo, foi a mudança do material de cobrimento da fachada, realizada em 2015. Na sequência veio a remodelação do paisagismo, a modernização do salão de festas e, neste ano, a do hall social. De acordo com a síndica Mari Ester Golin, o retrofit reposicionou o conceito do prédio na região.

Também designer de interiores, Mari Ester é síndica orgânica desde 2011 e ressalta que as obras só foram realizadas depois de o condomínio reforçar a segurança, investir no reforço estrutural de quatro pilares da garagem, na recuperação de instalações elétricas, hidráulicas e do barrilete.

“Os investimentos foram programados e aprovados em assembleia em 2012, quando constituímos um fundo de benfeitorias e o cronograma”, afirma a síndica. O salão de festas fechou durante dois anos antes que se fizesse a obra, pois um vazamento nos banheiros inviabilizava seu uso. Valeu a pena esperar. “Esta é a parte onde os condôminos conseguem enxergar os resultados, as melhorias, pois a estrutural não está ao seu alcance”, analisa. “O trabalho do síndico passa a ser valorizado neste momento”, completa Mari Ester.

É importante, no entanto, que o projeto de modernização contemple o perfil do condomínio, observa. “Para o novo salão de festas, procuramos atender a todas as demandas, de encontros menores com doze pessoas a festas de crianças. Temos capacidade para receber até 50 pessoas, mas o espaço foi organizado para vários tipos de eventos. Por exemplo, ele é bem utilizado também para o café da manhã dos moradores e reuniões de trabalho.”

Seis diferentes circuitos de iluminação podem ser acionados para caracterizar cada momento. “Em uma festa infantil é preciso que ele seja mais ativo, então acendemos tudo. As mesas de alimentação e bolo possuem lâmpadas AR 70, com foco sobre os alimentos. Já em uma reunião menor, é possível iluminar somente um setor, tornando o espaço mais aconchegante.”

O investimento no salão (em 2017) e no hall chegou a R$ 133 mil. Segundo Mari Ester, a valorização imobiliária foi imediata, tanto para locação quanto venda de unidades. O Edifício Marina possui 35 anos de idade, no entanto, Mari Ester tem visto prédios com dois a cinco anos de implantação já buscando uma repaginação das áreas comuns. “As pessoas estão insatisfeitas com o que a construtora entrega. Elas estão mais exigentes, querem ampliar as possibilidades de uso desses ambientes.” E o hall social entra no radar da modernização ou reconceituação porque é o cartão de visitas do condomínio, diz.

Por isso a síndica e designer recomenda que um condomínio interessado em retrofit ou modernização forme uma comissão de obras entre seus moradores, para definir o perfil do que se quer, trabalhando em cima de pré-projetos e depois projetos a serem desenvolvidos por profissionais da área. No Edifício Marina, a própria Mari tem ajudado nessa parte. O prédio possui 72 unidades e passará agora pela implantação de um novo playground; o espaço está desativado há oito anos por medida de segurança.

Salão de festas e hall social modernizados

CONVÍVIO ENTRE O “VELHO” & O NOVO – Imagens do salão de festas e hall social modernizados do Condomínio Edifício Marina: Novos materiais, como o porcelanato no piso do salão, nos rodapés, pias e bancadas, convivem bem com o mármore chocolate original do hall social, que foi polido e cristalizado. O hall ganhou parede com jogo de espelhos, uma mesa inglesa restaurada de jacarandá de 80 anos e poltronas de linha contemporânea. Os ambientes são hoje acessíveis, conforme norma da ABNT, e se integram ao paisagismo, também modificado. Segundo Mari Ester, “nem tudo se joga fora, nada se reconstrói do zero, é preciso respeitar o projeto original”.

Afinal, retrofit ou modernização?

Síndico e arquiteto Marcus Vinícius Abrantes

O síndico e arquiteto Marcus Vinícius Abrantes em residencial do final dos anos 70, que ganhará fechamento em vidro e nova portaria (imagem do projeto à esq.)

O arquiteto Marcus Vinícius Abrantes defende que a palavra retrofit se relaciona à mudança conceitual do condomínio como um todo, casos que envolvam não somente a modernização de ambientes como o salão de festas, mas projetem outro perfil à edificação. “O retrofit é trazer para a modernidade algo que está parado no tempo”, pontua. E envolve projetos complementares (como de elétrica, hidráulica, gás, ar condicionado etc.) e legais (com sua aprovação em órgãos públicos).

Síndico desde 2015 de um residencial localizado na Vila Nova Conceição, na região do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, Marcus está iniciando a modernização da frente do prédio, com a construção de uma nova portaria (blindada) e introdução de muro de vidro no lugar da grade. Este não terá caixilhos, apenas colunas de fixação, apoiadas em base de concreto enterrada, de forma a proteger a estrutura da carga do vento e do seu próprio peso.

A obra faz parte dos investimentos em segurança do condomínio, explica. O residencial entregue em 1979 nasceu sem os gradis que o separam hoje do espaço urbano, instalação incorporada nos anos 80 e que agora será trocada. Na sequência, o condomínio investirá na recuperação da fachada e depois na modernização do salão de festas. Independente, no entanto, de diferenças existentes no mercado sobre o conceito dessas intervenções, Marcus Vinícius destaca que o retrofit e/ou modernização representam boa oportunidade para os gestores contemplarem a acessibilidade do condomínio.


Matéria publicada na edição - 248 - agosto/2019 da Revista Direcional Condomínios

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