Respirar fundo e dar uma resposta produtiva, é possível?

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A vida contemporânea é marcada por pessoas cada vez menos tolerantes à frustração, mais focadas em direitos que deveres e mais resistentes “a qualquer esforço de relação que não seja seu bel prazer”, analisa a educadora e psicopedagoga Adriana Fóz, especialista em neuropsicologia e pesquisadora do Laboratório de Neurociência Clínica (LINC) da Unifesp.

Adriana acaba de lançar o livro “Frustração” (Editora Benvirá, 2019), onde demonstra a possibilidade de as pessoas treinarem suas competências emocionais (empatia, resiliência, gentileza, otimismo, fé e coragem) para lidar com o ambiente potencialmente conflitivo da sociedade.

“Quem não treinar essas competências vai sofrer consequências emocionais e até de saúde mental e física”, alerta a especialista, observando que a baixa tolerância “é um fenômeno da era digital, que acaba educando as pessoas para o imediatismo”. São aparatos que “trazem muitas coisas boas, muitos recursos, mas também intolerância e desgaste”, completa.

Uma das saídas é desenvolver a habilidade de tomar decisões construtivas, afirma. Isso pressupõe a uma pessoa na posição de síndico aprender a identificar suas emoções e a dar as respostas certas. “Todos sentimos medo, tristeza, alegria, raiva, nojo e desprezo. Como lidar melhor com essas emoções? Devemos extravasá-las de maneira produtiva.”

Guardar raiva, segundo Adriana, faz mal para quem sente e explodir tampouco ajuda. Ela deixa um exemplo pessoal, de quando um condômino travou com seu carro o de Adriana e ficou durante um bom tempo observando do apartamento a situação. Ao descer e destravar a vaga, Adriana não lhe disse nada. Mas fez um Boletim de Ocorrência. “A gente não controla o outro, controlamos a nós mesmos”, pondera. A especialista ensina também que “podemos falar a mesma coisa sem atacar, nem ofender, esse é um dos princípios da Comunicação Não-Violenta (CNV).”

Por outro lado, é preciso compreender que “a educação emocional que ocorria antes na família foi terceirizada para a sociedade, incluindo o condomínio”. “Hoje todos fazem parte da solução do problema.” Nesse sentido, Adriana recomenda ao síndico buscar orientação, formação e o apoio de profissionais de resolução de conflitos, além de realizar palestras para moradores e promover campanhas com uma comunicação assertiva.

Por fim, se não houver jeito e “o outro permanecer fechado” em sua posição, é preciso aplicar as regras, “assim como é feito na educação da criança, que funciona como uma mente narcísica”.


Matéria publicada na edição - 248 - agosto/2019 da Revista Direcional Condomínios

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