Grades e proteções no condomínio: Inovações promovem valorização predial

Escrito por 

Durante dez anos, entre 2004 e 2014, o Condomínio Dr. Rubens V. Brito e D. Elza S. Brito, localizado em Perdizes, zona Oeste de São Paulo, deu prioridade a uma taxa de rateio baixa, em prejuízo da manutenção e benfeitorias.

Síndico Wolfram Werther

Síndico Rodrigo Fernandes de Freitas: Estudo comprovou valorização dos imóveis com a modernização da frente do prédio

Em uma região valorizada, de novos empreendimentos de alto padrão, o patrimônio dos condôminos corria o risco de depreciação, o que os motivou a trocar a gestão e a reverter o quadro. A tarefa coube ao novo síndico Rodrigo Fernandes de Freitas, profissional do mercado financeiro que assumia pela primeira vez o cargo.

Ele precisava começar a mexer de algum lado e, como na gestão anterior uma assembleia havia aprovado a reforma da guarita, Rodrigo priorizou a obra. O síndico precisou antes recompor o caixa, reorganizar os custos do condomínio e reajustar a taxa, mas já em 2015 um projeto estava sendo executado, com proposta contemporânea e radical: A antiga guarita foi derrubada e os gradis de fechamento do prédio retirados. A frente do condomínio, construído no começo da década de 70, com duas torres e 128 unidades de cerca de 100 m2, ganhou um novo desenho.

“Reposicionamos a guarita de forma a garantir um amplo ângulo de visão para os porteiros, tanto para a entrada de pedestres quanto a garagem. O vidro é transparente e blindado. No local da antiga estrutura implantamos uma nova rampa de acessibilidade com corrimãos que atendem à norma da ABNT [NBR 9050]. E no lugar da grade optamos por uma proposta diferente de muro de vidro, sem molduras”, resume.

Segundo Rodrigo Fernandes, a obra mudou o posicionamento de mercado do condomínio na região. “Fizemos um estudo relacionando o seu custo por condômino versus a valorização imobiliária. O investimento por apartamento foi de R$ 2.800 num prazo de seis a oito meses, numa época já de crise e de desvalorização, mas cada unidade agregou de R$ 40 a R$ 50 mil em seu valor de comercialização após a modernização”, afirma. Na esteira desta obra, veio a revitalização do salão de festas (confira na pág. 10) e estudos para modernização dos elevadores (já em contratação), além de obras de impermeabilização nos jardins e na fachada.

Do Projeto

O modelo do muro de vidro no Condomínio Rubens e Elza S. Brito foi um piloto para a arquiteta Geórgia E. Z. Gadea, autora do projeto, pois difere do padrão predominante em São Paulo - de vidro totalmente emoldurado em estruturas de alumínio. “Buscávamos a maior transparência possível”, pontua. O objetivo era atender à demanda do síndico, que queria uma proposta limpa, sem muita interferência e que desse visibilidade aos jardins do residencial. Desta forma, optou-se por usar perfis de aço revestidos em alumínio e afixados em uma mureta preexistente de pedra natural. O vidro é um temperado reforçado (de 10 mm), de custo 35% menor em relação ao laminado e temperado, o mais usual.

Segundo a arquiteta, o perfil de aço revestido em alumínio foi chumbado na alvenaria. “Aprofundamos essa fundação do pilar de 80 cm a 1 metro, deixando bem firme o sistema de fixação do vidro. Isso confere mais segurança à estrutura e diminui as trepidações que acontecem no modelo convencional e que levam o vidro a estourar.” Os perfis contêm os conduítes da fiação das câmeras e da iluminação e são instalados atrás do vidro, o qual, por sua vez, é afixado com espaçadores, dispensando a necessidade da moldura e garantindo a segurança.

O conjunto vem dando “uma boa resposta técnica”, não sofreu qualquer tipo de abalo ou quebras desde que foi implantado, há cerca de dois anos, em uma rua de alto tráfego em Perdizes, incluindo parada de ônibus na calçada do condomínio.

Nova guarita e acesso de pedestres do Condomínio Dr. Rubens e Elza Brito: Funcionalidade e linhas modernas em projeto que associou com leveza diferentes tipos de materiais, incluindo aço e alumínio. À dir., a visão interna da nova rampa de acessibilidade, que ocupa o espaço da antiga portaria

Qual a melhor opção de fechamento do condomínio?

– A arquiteta Geórgia E. Z. Gadea (na imagem, em frente a outro projeto de sua autoria) diz que o muro de vidro está em alta, mas antes de buscar uma solução, o síndico deve observar “a linguagem do prédio”, “analisar se realmente o material agrega à arquitetura em geral”. Caso sim, o vidro traz ganhos significativos, avalia. “O seu melhor benefício é a transparência, ele traz visualmente um aspecto leve em um contexto em que as pessoas, por questões de segurança, estão se fechando em volta de muros e gradis. Ele traz ainda a funcionalidade de eliminar, para o porteiro, vários pontos cegos que podem ser causados pelas grades de uma eclusa.” Entretanto, há cuidados a serem tomados em sua execução (a exemplo da base de sustentação da estrutura), na escolha do material e até no cuidado de se providenciar uma “muretinha de cerca de 50 cm” entre o vidro e o nivelamento do piso, para evitar “respingos da água da chuva, sujeira da rua e xixi do cachorro”.


Matéria publicada na edição - 248 - agosto/2019 da Revista Direcional Condomínios

Não reproduza o conteúdo sem autorização do Grupo Direcional. Este site está protegido pela Lei de Direitos Autorais. (Lei 9610 de 19/02/1998), sua reprodução total ou parcial é proibida nos termos da Lei.