Pichação: Saiba como prevenir e evitar danos ao prédio

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Síndicos relatam medidas adotadas depois que prédios foram alvo de pichadores.

Síndico José Marques

O síndico José Marques, no 26º andar do Edifício Viadutos, que já foi atingido por pichação

Administrar um edifício tombado pelo patrimônio histórico exige maior atenção do síndico em relação aos procedimentos legais na hora de recuperar fachadas, calçadas e demais instalações. No caso de uma pichação, é preciso agir rápido para restituir a condição anterior da superfície. O problema é que a limpeza nem sempre remove totalmente os resíduos da tinta, observa José Marques, síndico do Condomínio Edifício Viadutos, no centro de São Paulo. “A tinta penetra nas juntas e nos rejuntes das pastilhas, procurarmos tirar o máximo, limpamos com espátula, dá muito trabalho”, descreve.

Projetado nos anos 50 e entregue no começo dos 60, o Viadutos é tombado e registra duas ocorrências de pichação no parapeito do 26º andar, sinais eliminados depois da restauração total da fachada. Penúltimo pavimento, o 26º andar é um amplo terraço ajardinado que circunda todo o prédio. Na primeira pichação, duas visitas de um apartamento “desviaram do caminho” na hora de irem embora e “subiram para pichar”. “Identificamos depois através das câmeras dos elevadores. Chamamos a unidade para conversar, o condômino admitiu que eram amigos, mas não imaginava que isso fosse acontecer. Percebemos que ele não teve culpa na ocorrência”, afirma José Marques. Desta forma, não lhe foi dada notificação.

No segundo caso, “os porteiros perceberam que havia um pessoal estranho durante a noite e foram até o 26º, flagraram a pichação”. “Houve até confronto com os funcionários do prédio, mas eles escaparam.” Depois disso, o jeito, diz o síndico, foi adotar duas medidas:

1ª) Trancar o acesso ao terraço após às 18h e instalar câmeras de segurança no local. Nunca mais houve pichação no andar; e,

2ª) Aplicar produto antivandalismo nas partes mais baixas da fachada. Pois houve um terceiro caso, após justamente a aplicação da resina. A pichação atingiu uma das colunas externas do térreo e o produto facilitou a remoção da tinta, afirma José Marques.

Também a síndica Agnes da Silva André enfrentou problema com pichação no topo do prédio, tanto na parte lateral (uma empenha cega com acabamento em alvenaria pintada), quanto na fachada do fundo (em pastilhas). Foi no residencial onde mora e que administra na região central de Santana, na zona Norte da Capital paulista. “Um casal se passou por morador, foi negligência da portaria, o funcionário acabou advertido por decisão do conselho. Eles romperam o lacre de acesso à casa de máquinas, destruíram a antena coletiva e utilizaram o mastro como cabo do pincel. O mesmo casal pichou vários prédios na região”, descreve a síndica. Depois do incidente, Agnes reforçou o controle de acesso. Como a fachada do edifício passará em breve por serviços de recuperação, lavagem e pintura, a gestora aproveitou uma tinta que havia no prédio para cobrir provisoriamente as marcas da pichação.

REMOÇÃO DE TINTA É FACILITADA SE FEITA EM ATÉ 24 HORAS – Imagem comum em toda cidade de São Paulo (foto de prédio no bairro de Santana), a remoção das tintas de pichação demanda a contratação de mão de obra especializada, treinada para serviço em altura, afirma um empresário que atua há pelo menos 20 anos com pintura. Segundo ele, é preciso fazer o lixamento da superfície e, na sequência, passar um removedor de tinta. Isso pode ser feito inclusive em pastilhas cerâmicas. “O lixamento faz com que se abra o filme de spray, tira o excesso e facilita a ação do removedor”, explica. Já no rejunte a impregnação é maior e exige “rejuntar por cima”. O empresário alerta, no entanto, que é preciso agir rápido para conseguir fazer a remoção, “no máximo em 24 horas”. Depois desse prazo a dificuldade aumenta, porque ocorre a cura da tinta do spray, que piora ao longo do tempo. As marcas acabam impregnando na fachada pela demora em realizar o serviço, ressalta. Nesse caso, pinturas e texturas terão que ser refeitas e revestimentos cerâmicos trocados.

Entretanto, se o condomínio fizer preventivamente a aplicação de uma resina antipichação, a tinta será removida com mais facilidade, por meio de um solvente e um pano. “Será como apagar o giz de uma lousa”, compara. Ele explica, no entanto, que a fachada terá que ser pelo menos lavada antes de receber a resina.


Matéria publicada na edição - 249 - setembro/2019 da Revista Direcional Condomínios

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